segunda-feira, 20 de maio de 2013

Uma escrava de fé




2 Rs 5:1-27

A fama do profeta Eliseu repercutiu, de tal maneira, que atingiu dimensões internacionais, e seu poder era tanto admirado quanto temido. As notícias de seus feitos percorriam tanto os casebres como os palácios. Até mesmo o rei de Israel, fascinado com os milagres de Eliseu vivia a cata de notícias recentes (2 Rs 8:4). Contudo, desprezava o melhor que Eliseu podia oferecer - a salvação de sua alma. O rei da Síria, por sua vez, encarava tais poderes como uma séria ameaça, visto que interferiam constantemente em seus planos militares (2 Rs 6:8¬14). Não obstante, Eliseu mostrou-se disposto a abençoar todo aquele que o procurasse, até mesmo os seus inimigos. Este deve ser também o nosso procedimento; devemos ser fonte de bênçãos por onde quer que passarmos.

O TESTEMUNHO DA FÉ - (2 Rs 5:1-8)
Naamã era um herói de guerra, homem destacado no exército de Bem-Hadade, rei da Síria. Herói em seu país; vilão em Israel, pois, em sua última incursão militar (talvez a batalha descrita em (I Rs 22), além da mortandade que provocou, ainda seqüestrou muitas mulheres e crianças. Como um brinde de sua vitória, Naamã levou como presente para sua esposa uma das meninas seqüestradas para servir-lhe como escrava.
O general Naamã havia conquistado tudo que desejava, mas havia perdido aquilo que mais prezava - sua saúde. Tornara-se um leproso. A menina israelita, por sua vez, perdera tudo que mais amava, mas manteve saudável a sua fé. E apesar da indignação de ser raptada, de perder o contato com a amada família, de ser reduzida à vi I escravidão, de perder a sua infância, de ter de servir a um tirano, inimigo de seu povo, e pior ainda, um leproso, apesar de tudo isso manteve firme sua confiança em Deus. Mostrou-se disposta a testemunhar de sua fé naquele ambiente hostil, oferecendo uma bênção àquele que a ofendeu:

"Tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra" (2 Rs 5:3).
Nem sempre o ambiente onde vivemos, estudamos e trabalhamos vem a ser aquilo que gostaríamos, mas nunca deixará de ser um lugar de oportunidades, onde nossa fé, mesmo com lágrimas, poderá ser semeada e mudanças alegres poderão ser colhidas (Sl 126:6).
As boas novas logo se espalharam chegando até o trono de Ben-Hadade. Aquele reino próspero e poderoso nada podia fazer em benefício de seu herói, mas o "fraco" reino de Israel, por eles saqueado, possuía homens com grande poder espiritual. O opressor agora dependia do oprimido, o forte precisava do fraco e desta forma o nome de Deus foi exaltado entre as nações. Ben-Hadade enviou seu general favorito ao rei de Israel, com uma grande comitiva, um batalhão fortemente armado e uma considerável fortuna, a fim de encorajar a cooperação do rei Jorão ¬"encontrar o tal profeta milagroso". A abordagem de Naamã foi direta e honesta, mas o rei de Israel interpretou mal aquele pedido, confundindo com um pretexto para provocar uma nova guerra (v.7). Sua cegueira espiritual o impedia de enxergar a grande oportunidade que Deus havia proporcionado. Imaginem a repercussão internacional que seu reino poderia obter se o grande Naamã fosse socorrido pelos "poderes de Israel"? O rei Jorão sabia que Eliseu tinha esse poder, mas a desprezível idolatria que maculara sua alma o impedia de raciocinar com clareza.
Naamã levou à presença do rei Jorão, como retribuição à sua petição, a exorbitante quantia de 10 talentos de prata (340 kg), 6.000 siclos de ouro (68 kg) e dez vestes festivais (trajes de luxo adornados com pedras preciosas). Certamente uma parte daquele tesouro caberia ao profeta que o curasse. Não tardou a que as notícias chegassem aos ouvidos de Eliseu, o qual repreendeu a estupidez do rei Jorão e sua incredulidade: " ... Por que rasgastes as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel" (v.8).

O EXERCÍCIO DA FÉ - 2 Rs 5:9-19
Chegou Naamã, com sua comitiva, seu exército, seu poder e sua carga preciosa à casa do profeta, mas Eliseu não se deixou impressionar com toda aquela ostentação, de modo que nem ao menos se deu ao trabalho de ir saudá-lo ou festejá-lo. Conhecia o objetivo de sua visita e, provando a sua fé, mandou o seu discípulo, Geazi, ao encontro de Naamã, no portão, com a seguinte instrução: "Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo" (v.10).
Perante Deus não há lugar para soberba; Naamã precisava aprender esta lição. Se alguém busca uma bênção de Deus, que busque isso com humildade e fé ou nada receberá. "Pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado" (Lc 14:11).
O arrogante general começou desanimar e perder as esperanças de uma cura espetacular, em função do preconceito contra o método do profeta e pela maneira como foi tratado. Desejou voltar para casa imediatamente, mas seus assessores, munidos de um sincero desejo de vê¬10 curado, convenceram-no com muita inteligência, cautela e lógica:

"O senhor é homem valente e nunca se negou a uma tarefa por mais difícil que fosse. Temos certeza que o senhor faria qualquer coisa que o profeta pedisse sem hesitar ou demonstrar temor. Por que, então, não poderia fazer algo tão simples?" (v.13 parafraseado)
A questão agora estava nas mãos de Naamã. Em seu desespero já havia crido até nos conselhos de uma escrava estrangeira, percorrera grande distância rumo ao desconhecido e fizera um considerável investimento em busca da solução para o seu drama. Faltava¬-lhe agora o passo final -"agir com fé". Finalmente, o grande estadista abriu mão do orgulho e mergulhou no "lamacento"Rio Jordão. Posso até imaginar a expectativa de seus companheiros: "Mergulhou uma, duas vezes, e nada! Mergulhou terceira, quarta e quinta vez, e nada aconteceu! Mergulhou pela sexta vez e não houve sequer um vestígio de mudança. A angústia foi aumentando; teria o profeta passado um trote no general? Se desistisse ali teria perdido a grande oportunidade de sua vida, mas não desistiu; exercitou sua débil fé até o fim e, por isso, o resultado foi melhor que o esperado. Não apenas obteve a cura, como também ganhou uma pele rejuvenescida, tal como a pele de uma criança.
Naamã voltou a presença de Eliseu com seu corpo purificado, sua alma lavada e suas mãos repletas de dádivas. A transformação foi completa Deus mudou-lhe o exterior e o interior, e fez dele um novo homem. O profeta, ao olhar tamanha alegria, alegrou-se também; não pela fortuna que lhe foi oferecida, mas pela preciosidade de uma vida transformada e agora consagrada ao verdadeiro Deus.

O ABANDONO DA FÉ - (2 Rs 5:19-27)
A jovem escrava exercitou sua fé, apesar da tristeza que ardia em seu coração. Naamã exercitou sua fé, Mesmo com o preconceito arraigado em seu coração, mesmo com a decepção na corte do rei Jorão, mesmo não entendendo a lógica do profeta, e agora, depois de curado, exercitou mais uma vez a sua fé na convicção de que o "Deus de Israel" o acompanharia de volta a seu país (v.17). Mas Geazi, embora conhecesse bem de perto os prodígios do SENHOR, em lugar de exercitar, abandonou a sua fé, trocando o sustento de Deus por um modo "mais fácil" de prover o seu conforto. Geazi inventou um plano diabólico para tirar o máximo proveito daquela situação. Certamente o fascínio do lucro fácil causou um desequilíbrio na mente daquele cobiçoso discípulo, a ponto de usar o santo nome de Deus para justificar sua cobiça: "tão certo como vive o SENHOR, hei de correr atrás dele e receberei alguma coisa" (v.20).
Aproveitando-se da euforia e da boa fé do novo convertido Naamã, usou o nome do profeta, inventando a chegada de novos hóspedes como pretexto para ganhar um pouco do que Eliseu recusou. E ganhou mesmo, mais ainda do que pediu; angariou para si 68kg. de prata e duas veste festivais (vs. 21-23). Bem que a Palavra de Deus nos alerta:

"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores." (1 Tm 6:10).

E, como um pecado chama outro pecado, o jeito foi continuar mentindo para acobertar o seu deslize. Mas de Deus não se esconde nada. Deus fez com que Eliseu soubesse de tudo por meio de uma visão (v.26).
Veja como são as coisas: um pagão estrangeiro foi curado, pela nobreza de sua fé, enquanto um israelita, um estudante de teologia tomou o lugar do pagão, para a desonra de sua fé. Assim como Acã, Ananias e Safira, Judas Iscariotes ... também Geazi vendeu sua alma por prazeres passageiros. A cobiça deste jovem só lhe trouxe maldição, pois junto com a prata que surrupiou de Naamã, herdou também a lepra que antes era dele (v.27).
* Com a pequena escrava aprende¬mos que é possível ser uma bênção em qualquer situação se mantivermos viva a nossa fé.
* Naamã deixou-nos como herança o valor de se confiar nas promessas de Deus, mesmo quando não as compreendemos inteiramente.
* Eliseu nos faz lembrar que todo mundo merece uma chance, quando se mostram interessados em Deus; até mesmo aqueles que nos irritam.
* Os erros de Geazi ficaram como um alerta da tragédia que pode ocorrer quando negligenciamos a vida com Deus e preferimos prazeres do mundo (1 Co 10:12).
Que Deus continue lhes abençoando

terça-feira, 14 de maio de 2013

Como deve um Cristão lidar com sentimentos de culpa em relação a pecados cometidos, quer tenham sido antes ou depois da salvação?


Co

Todo mundo tem pecado, e um dos resultados do pecado é culpa. Podemos ser agradecidos por sentimentos de culpa porque eles nos levam ao arrependimento. No momento em que uma pessoa se vira contra o pecado em direção a Jesus Cristo, seu pecado é perdoado. Arrependimento é parte da fé que leva à salvação (Mateus 3:2; 4:17; Atos 3:19).

Em Cristo, até mesmo os piores pecados são apagados (leia 1 Coríntios 6:9-11 para encontrar uma lista de obras injustas que são perdoadas). Salvação é pela graça, e graça perdoa. Depois que uma pessoa é salva, ela ainda vai pecar. Quando isso acontece, Deus ainda promete perdão. “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 João 2:1).

Liberdade do pecado, no entanto, nem sempre significa liberdade de sentimentos de culpa. Mesmo quando nossos pecados são perdoados, ainda nos lembramos deles. Além disso, temos um inimigo espiritual, chamado de “acusador de nossos irmãos” em Apocalipse 12:10, o qual nos lembra de uma forma tão cruel todas as nossas falhas, erros e pecados.

Quando um Cristão experimenta de sentimentos de culpa, ele/ela deve fazer o seguinte:

1) Confesse todos os pecados previamente cometidos que ainda não foram confessados e sobre os quais você tem conhecimento.

Em alguns casos, sentimentos de culpa são apropriados porque confissão é necessária. Muitas vezes nos sentimos culpados porque somos culpados! (Veja a descrição de Davi de pecado e a sua solução em Salmos 32:3-5).

2) Peça ao Senhor que revele qualquer outro pecado que precisa ser confessado.

Tenha a coragem de ser completamente aberto e honesto diante do Senhor. “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau” (Salmos 139:23-24a).

3) Confie na promessa de que Deus vai perdoar o pecado e remover a culpa baseado no sangue de Cristo (1 João 1:9; Salmos 85:2; 86:5; Romanos 8:1).

4) Nas ocasiões em que sentimentos de culpa surgem sobre pecados já confessados e abandonados, rejeite esses sentimentos como culpa falsa. O Senhor tem sido fiel à sua promessa de perdoar. Leia e medite em Salmos 103:8-12.

5) Peça ao Senhor para repreender a Satanás, seu acusador, e peça ao Senhor que restaure a alegria que acompanha a liberdade de culpa.

Salmos 32 é um estudo muito proveitoso. Apesar de Davi ter pecado de forma terrível, ele encontrou liberdade dos seus pecados e sentimentos de culpa. Ele lidou com a causa da culpa e a realidade do perdão. Salmos 51 é uma outra passagem muito boa para investigar. A ênfase aqui é a confissão do pecado enquanto Davi implora a Deus com um coração cheio de culpa e sofrimento. Restauração e gozo são os resultados.

Finalmente, se pecado tem sido confessado e arrependimento tem ocorrido, então é certo que o pecado tem sido perdoado e é hora de seguir para a frente. Lembre-se que aquele tem vindo a Cristo através de fé tem sido transformado em uma nova criatura. “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” (2 Coríntios 5:17). Parte das “coisas antigas” que “já passaram” é a lembrança de pecados passados e a culpa que produziam.

Triste dizer que muitos Cristãos têm a tendência de ter prazer em recordar as vidas pecaminosas que viviam antes de vir a Cristo, memórias tais que deviam estar mortas e enterradas há muito tempo. Isso não faz nenhum sentido e vai de encontro à vida Cristã vitoriosa que Deus quer que tenhamos. Um antigo provérbio diz: “Se Deus lhe salvou de uma piscina de pecado, não dê um mergulho para dar uma nadada”.


Fonte: GotQuestion

Os Conselheiros de Jó


Texto da Lição: Jó 2.11-13; 6.14-30; 12.1-6; 13.1-12; 16.1-5; 21.34; 26.1-4

Texto Básico: Jó 4; 5; 8; 11; 15; 18; 20; 32; 42.7-10; 2 Co 1.3-7; 1 Ts 5.14,15; 2 Tm 2.23-26; 4.9-22

Para Decorar: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar aos que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus” (2 Co 1.3,4).

INTRODUÇÃO

Os três amigos de Jó procuraram aconselhá-lo com respeito à sua aflição e também interpretaram as palavras de Jó como se estivessem progredindo para uma solução. Na verdade, a condição espiritual de Jó estava em declínio sob o falso aconselhamento deles. O cristão sábio aprenderá com os erròs dos conselheiros de Jó.

MÉDICOS DA ALMA QUE NÃO SABEM CONSOLAR (Jó 2.11-13; 16.1-5; 26.1-4)Os conselheiros de Jó não estavam completamente errados. Existem vários aspectos de seu ministério que precisam ser reconhecidos: 1) sua visita para confortar Jó (Jó 2.11); 2) seu reconhecimento silencioso do sofrimento de Jó (2.12,13); 3) o fato de levarem diretamente a Jó sua opinião em lugar de dizê-la a outrem; e 4) sua lealdade a Jó e posterior submissão (42.7-11).

O propósito de Elifaz, Bildade e Zofar era consolar Jó (Jó 2.11). Quando os três homens chegaram à casa de Jó, imediatamente reagiram ao sofrimento que lhes foi dado ver. Choraram alto, rasgaram suas vestes, jogaram poeira para o ar e permitiram que esta caísse sobre o seu rosto (v. 12). Esses atos indicavam sua participação no sofrimento intenso do amigo.

Quando os amigos de Jó descobriram que o sofrimento dele era inexplicável e inexprimível, guardaram para si mesmos os seus pensamentos, mantendo-se em silêncio durante sete dias e sete noites (v. 13). Talvez o silêncio mudasse de uma simpatia inexprimível para uma admissão de fracasso durante esses sete dias e noites. O discurso de Elifaz acusou Jó de ser presunçoso em sua afirmativa de inocência (Jó 15.1-35). A resposta de Jó foi seca: “Tenho ouvido muitas cousas como estas; todos vós sois consoladores molestos” (Jó 16.2). O desinteresse de Jó pelo conselho dos amigos estava-se tornando bastante evidente. Tinha ouvido as mesmas frases feitas de todos eles. A superficialidade deles só merecia o seu desprezo. Tinham tido a idéia de consolar, mas só aumentavam o seu desconforto.

Jó, a seguir, acusa seus conselheiros de proferirem palavras sem nenhum conteúdo e terem uma atitude negativa (Jó 16.3). Por seu lado, Jó afirmava que ele fortaleceria e confortaria os amigos se estivessem no seu lugar, e isso apesar de poder também falar de maneira pouco consoladora como eles estavam fazendo (v 4,5). (Veja 2 Co 1.3-7 e 1 Ts 5.14,15.)

Depois do último discurso dos conselheiros (Jó 25.1-6), Jó mais uma vez se refere ao ministério ineficaz dos mesmos (Jó 26.1-4). As palavras dos amigos não tinham-lhe dado nem força, nem compreensão, nem sabedoria (vv. 1-3). Voltando-se para Bildade, Jó pergunta: “Com a ajuda de quem proferes tais palavras? E de quem é o espírito que fala em ti?” (v. 4). Esses conselheiros na verdade não deram nenhum consolo à alma de Jó. (Veja Jr 23.30.)

FALSOS MÉDICOS DA ALMA (Jó 6.14-30; 21.34)O desespero de Jó aumentou ainda mais com o fracasso dos amigos em encontrar um meio de impedi-lo de abandonar, gradualmente, o “temor do Todo-Poderoso” (Jó 6.14). Os três companheiros de Jó eram tão desaponta-dores quanto os ribeiros do Oriente Próximo (w. 15-20). Os amigos de Jó estavam cheios de simpatia até que se puseram a falar. Agora, quando ele mais precisava da compreensão deles, estavam secos e não lhe davam consolo.

Os três conselheiros tinham medo de consolar Jó, porque temiam que tal identificação pudesse levá-los a serem condenados com ele (v. 21). Jó não pediu ajuda financeira (v. 22) nem um grande ato de heroísmo (v. 23). Tudo o que pediu foi o seu conselho compreensivo.

Uma parte da falsidade desses homens estava na afirmação irreal de que Jó prosperaria novamente se confessasse os seus pecados e se afastasse deles. Provar que ele era perverso era desonesto, mas foi o que tentaram fazer. Apesar de todas as acusações hipócritas, Jó manteve-se irredutível na defesa de sua inocência. Se houvesse pecado em sua vida, ele com certeza o saberia (w. 29,30).

MÉDICOS DA ALMA INSENSATOS (Jó 12.1-6; 13.1-12)Além de não darem consolo e de faltarem com a verdade, os conselheiros de Jó não mostraram sabedoria. O fato de recorrerem à desonestidade provou sua falta de sabedoria. A maneira como apresentaram seus conselhos pouco sábios se relaciona especificamente às suas filosofias individuais com respeito à vida espiritual.

Elifaz, Bildade e Zofar tinham tanta confiança na retidão da sua crença, que Jó comentou com sarcasmo: “Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria” (Jó 12.2). Esta resposta foi dirigida especialmente a Zofar, que baseava suas convicções religiosas em suas próprias suposições. Zofar era um consumado dogmatista religioso. Devido à sua visão rígida da Providência, Zofar concluiu com presunção: Jó é. um homem cheio de pecado.

Dogmatismo religioso de Zofar: Jó 11.6-20; 20.4,5. Jó respondeu com o argumento de que possuía tanto conhecimento religioso quanto qualquer de seus amigos (Jó 12.3; 13.1,2). A experiência de Elifaz era a mesma de Jó. As tradições de Bildade eram idênticas às aprendidas por Jó. Este, porém, não chegou às mesmas conclusões específicas desses homens, mas usou a experiência, a tradição e as suposições de maneira a desenvolver as suas crenças, que provaram ser corretas com grande surpresa dos três amigos (Jó 42.7).

Como moralista religioso que era, Elifaz fez uso do raciocínio dedutivo, para chegar à sua visão extremamente rígida da Providência. Ele deduziu: se Jó não tivesse pecado, não estaria sofrendo tanto.

Bildade era um legalista religioso. Suas crenças tinham base na tradição. Como tradicionalista, a visão de Bildade sobre a Providência era também muito estreita. A inferência de Bildade foi esta: Jó deve ter pecado, portanto, ele é um hipócrita.

Os três consoladores se tinham transformado em juizes em lugar de irmãos. Todos concluíram que o sofrimento de Jó era punitivo. Exigiram que ele confessasse um pecado que não tinha cometido e acabaram por levá-lo a* uma atitude errada em relação ao seu sofrimento e ao seu Deus. (Veja Jó 33.8-11; 34.36,37; 35.15,16.)

Em vista de suas falsas filosofias, os amigos de Jó começaram a zombar dele e desprezá-lo (Jó 12.4,5). Muito pior, entretanto, foi sua provocação a Deus (v. 6). (Veja G1 6.1-10.)

A seguir, Jó passou a apresentar seu caso a Deus, uma vez que os amigos tinham demonstrado tão pouca simpatia (Jó 13.3,4). Finalmente, ele clamou desesperado: “Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras, e vós todos sois médicos que não valem nada” (v. 4). Em lugar de serem bons médicos, os conselheiros de Jó mostraram-se inúteis como médicos da alma.

As defesas da experiência, da tradição e da suposição são como argila diante do Deus da verdade. Nenhuma das três é completamente errada, mas todas falham, quando alguém se baseia explicitamente nelas e deixa de lado a revelação divina. A experiência, o tradicionalismo (que, segundo as declarações de Bildade, é geralmente autoritário e legalista) e o humanismo são sistemas errados. Eles são ineficazes quando se trata de satisfazer as necessidades das pessoas. Não proporcionam consolo, são inverídicos e pouco sábios. Os que se preocupam realmente com os seus irmãos na fé rejeitarão esses sistemas imaginados pelo homem.

Os conselheiros espirituais devem demonstrar preocupação sincera e constante, assim como proporcionar o consolo necessário, a verdade e a sabedoria.

EXAMINE A SUA VIDA

Você está sempre disposto a consolar outros? Ê possível determinar a razão do sofrimento de alguém? Quais as qualificações necessárias a um conselheiro espiritual? Para julgar a condição de alguém, num sentido espiritual, podemos nos apoiar na tradição e no legalismo?

Autor: Pastor Josias Moura 
Divulgação: EstudosGospel.Com.BR 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Aula 11 – OS MILAGRES DE ELISEU


1º Trimestre/2013

Texto Básico:2:9-14

“Ora, o rei falava a Geazi, moço do homem de Deus, dizendo: Conta-me, peço-te, todas as grandes obras que Eliseu tem feito” (2Rs 8:4).

INTRODUÇÃO

O ministério de Eliseu foi ratificado pelos milagres que Deus realizou por sua instrumentalidade. Foram 14 (quatorze) milagres ao longo de seu ministério, a saber: (1) dividir as águas do Jordão (2Rs 2:14); (2) sanear uma fonte (2Rs 2:19-22); (3) amaldiçoar zombadores (2Rs 2:24); (4) encher os poços com água (2Rs 3:15,26); (5) multiplicar o azeite de uma viúva (2Rs 4:1-7); (6) predizer uma gestação (2Rs 4:17); (7) fazer voltar à vida um jovem morto (2Rs 4:32-37); (8) neutralizar veneno (2Rs 4:38-41); (9) multiplicar pães (2Rs 4:42-44); (10) curar a lepra de Naamã (2Rs 5:1-19); (11) amaldiçoar Geazi com lepra (2Rs 5:20-27); (12) preparar armadilha para a força militar Síria (2Rs 6:8-25); (13) revelar um exército de anjos (2Rs 6:15-16); e (14) predizer o alívio para a sitiada Samaria (2Rs 6:24-7:20). De forma geral, esses milagres foram manifestos em momentos de angústia, onde apenas Deus poderia intervir, como foi o caso da predição da abundância de alimentos para Samaria sitiada e faminta, e a volta à vida do filho da Sunamita, que havia morrido.

Nesta Aula, trataremos apenas 08(oito) dos 14(quatorze) milagres que Deus realizou por instrumentalidade de Eliseu. Dividiremos aqui as narrativas desses milagres em quatro grupos, tornando o ensino mais didático: milagres de provisão, restituição, restauração e julgamento. Todas essas intervenções divinas operadas por Eliseu tinham como único propósito não exaltar as virtudes do profeta, mas evidenciar a graça e a glória do Todo-Poderoso.

I. OS MILAGRES DE PROVISÃO

1. A multiplicação dos pães(2Rs 4:42-44). ”E um homem veio de Baal-Salisa, e trouxe ao homem de Deus pães das primícias, vinte pães de cevada e espigas verdes na sua palha, e disse: Dá ao povo, para que coma. Porém seu servo disse: Como hei de eu pôr isso diante de cem homens? E disse ele: Dá-o ao povo, para que coma; porque assim diz o SENHOR: Comer-se-á, e sobejará. Então, lhos pôs diante, e comeram, e deixaram sobejos, conforme a palavra do SENHOR”.

Este é um milagre de Provisão. O milagroso poder de Deus se manifestou através da pequena quantidade de alimento que se multiplicou e se tornou mais do que suficiente para cem homens. Essa era a forma de Deus demonstrar que Ele proveria aos seus profetas. Quando Jesus esteve aqui na Terra, em sua forma encarnada, Ele operou um milagre com a mesma dinâmica, mas em maior proporção (cf Lucas 9:10-17). Em ambos os acontecimentos, é assaz evidente a graça de Deus em prover o necessário para os carentes.

2. Abundância de víveres (ler 2Rs 7:1-18). O contexto histórico desta narrativa bíblica refere-se à época do rei Jorão, filho de Acabe. Tal qual o seu pai, fez o que era mau aos olhos do Senhor Deus de Israel (2Rs 3:1,2). Ele aderiu aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, que fizera pecar a Israel; não se apartou deles (2Rs 3:3). A consequência de suas ações pecaminosas foi o cerco à cidade de Samaria pelo rei da Síria, Ben-Hadade. Com a cidade sitiada, a consequência natural foi a escassez de alimentos. Por causa do cerco e, por conseguinte, a fome severa, até canibalismo foi praticado: as mães comiam seus próprios filhos (2Rs 6:28). Esse reprovável ato dessas mulheres é uma demonstração clara que Israel perdera a fé e se afastara da confiança em Deus. Um dos resultados principais do repúdio a Deus e à sua Palavra é a perda do amor e da afeição à família (cf. Dt 28:15,53-57).

Eliseu profetizara que a falta de alimentos chegaria ao fim e que seus preços cairiam, até chegar ao normal (2Rs 7:16). E foi o que aconteceu. Foi realmente um grande milagre, que aconteceu de forma sobrenatural e fora da lógica humana. Com esse acontecimento, os israelitas compreenderam que a palavra do Senhor era realmente a verdade, e que Deus, na sua misericórdia, salvara a nação apóstata, da calamidade, para que se arrependesse e voltasse a Ele; e que a incredulidade e a recusa em obedecer a palavra de Deus resultaram em mais castigos(veja o caso do capitão – vv. 2,17-20).

É Deus, não os ídolos sem valor, quem nos dá nosso alimento cotidiano. Apesar de nossa fé às vezes ser fraca ou bem pequena, jamais nos tornemos céticos quanto à provisão do Senhor. Quando nossos recursos estiverem reduzidos e nossas dúvidas forem muito fortes, lembremo-nos de que Deus pode abrir as comportas do Céu.

II. OS MILAGRES DA RESTITUIÇÃO

1. A restauração do filho da sunamita (2Rs 4:32-37). “E, chegando Eliseu àquela casa, eis que o menino jazia morto sobre a sua cama. Então, entrou ele, e fechou a porta sobre eles ambos, e orou ao SENHOR. E subiu, e deitou-se sobre o menino, e, pondo a sua boca sobre a boca dele, e os seus olhos sobre os olhos dele, e as suas mãos sobre as mãos dele, se estendeu sobre ele; e a carne do menino aqueceu. Depois, voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele; então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos. Então, chamou a Geazi e disse: Chama essa sunamita. E chamou-a, e veio a ele. E disse ele: Toma o teu filho. E veio ela, e se prostrou a seus pés, e se inclinou à terra; e tomou o seu filho e saiu”.

Na cidade de Suném (4:8), perto do Mar da Galiléia, havia uma senhora casada com um próspero fazendeiro que se mostrou generosa para com o profeta, dando-lhe boa acolhida em sua casa e até construindo um quarto extra, especialmente para hospedá-lo em suas passagens por lá. Ela tinha tudo o que precisava, mas não tinha o que mais desejava – um filho.

Em Israel a ausência de filhos era sempre motivo de chacota e desprezo, e ainda que o marido fosse estéril ou demasiadamente velho, a culpa sempre era da esposa. A sunamaita, apesar da tranquilidade financeira, carregava sobre si esse imenso desconforto. Eliseu, por sua vez, retribuiu a generosidade intercedendo pelo milagre de um filho, e Deus concedeu-lhe essa graça.

Passados alguns anos aquela criança adoeceu gravemente e acabou falecendo nos braças da mãe. Ela, que no início duvidara da promessa de Eliseu, agora, amadurecida na fé, pôde crer na restituição miraculosa de seu filho morto. Agiu rapidamente no sentido de encontrar o profeta e nem contou ao marido o que havia ocorrido, na certeza de que Deus resolveria a questão antes que a tragédia viesse à tona. Eliseu deixou tudo o que estava fazendo para vir em socorro da mulher e da criança, e ao chegar na casa fez duas coisas: clamou a Deus e tentou aquecer aquela pequena vítima.

O método de Eliseu funcionou. Deus ouviu o seu clamor e, com isso, a confiança daquela mãe, que mesmo em meio às lágrimas, foi surpreendentemente recompensada. Prostrou-se aos pés de seu benfeitor, cheia de júbilo, e saiu com o filho nos braços glorificando a Deus.

Aquilo que cabe a nós, isso devemos fazer, pois Deus mesmo concedeu os meios naturais que nos ajudam a sobreviver. Porém, há coisas que só pela força sobrenatural de Deus podemos obter.

2. O machado que flutuou (2Rs 6:1-7). “E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão, e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar, para habitar ali. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derribando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou e disse: Ai! Meu senhor! Porque era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E, mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez nadar o ferro. E disse: Levanta-o. Então, ele estendeu a sua mão e o tomou”.

O fato do machado de ferro ou de bronze, que havia afundado, ter subido à superfície foi um completo milagre. Foi uma demonstração do poder de Deus. Um machado de ferro ou bronze, naqueles dias, era uma ferramenta muito cara, e esse pobre homem ficou aflito ao pensar na sua responsabilidade pela ferramenta emprestada. O milagre serviu para enfatizar aos jovens profetas que, no conflito com a adoração a Baal, Deus trabalhava a favor deles. Também serviu para mostrar o cuidado e a provisão de Deus para aqueles que confiam nele, mesmo nos acontecimentos mais insignificantes da vida cotidiana. Deus está sempre presente. Ele está pronto a restituir o que perdemos, mas precisamos ter consciência disso.

III. OS MILAGRES DE RESTAURAÇÃO

1. A cura de Naamã (ler 2Rs 5:1-19). Algumas coisas nos chamam a atenção no relato desse milagre.

a) O testemunho da fé (2Rs 5:1-8). Naamã, general do exército da Síria, era um grande homem diante do seu rei, do seu povo, e de muito respeito...porém, leproso. Na vida de um grande homem, por mais importante e destacado entre o seu povo, há sempre um “porém”. Não adianta ensoberbecer, há sempre um “porém”. Este general havia conquistado tudo que desejava, “porém, havia perdido aquilo que mais prezava – sua saúde, tornara-se leproso. A menina israelita, por sua vez, perdera tudo que mais amava, mas manteve saudável a sua fé. E apesar da indignação de ser raptada, de perder o contato com a amada família, de ser reduzida à vil escravidão, de perder a sua infância, de ter de servir a um tirano, inimigo de seu povo, e pior ainda, um leproso, apesar de tudo isso manteve firme sua confiança em Deus. Mostrou-se disposta a testemunhar de sua fé naquele ambiente hostil, oferecendo uma benção àquele que a ofendeu: “tomara o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (2Rs 5:3). A atitude e a fé dessa menina israelita nos dá a seguinte lição: nem sempre o ambiente onde vivemos, estudamos e trabalhamos vem a ser aquilo que gostaríamos, mas nunca deixará de ser um lugar de oportunidade, onde nossa fé, mesmo com lágrimas, poderá ser semeada e mudanças alegres poderão ser colhidas (veja Salmo 126:6).

As boas novas logo se espalharam chegando até o trono do rei da Síria, Ben-Hadade. Aquele reino próspero e poderoso nada podia fazer em benefício de seu herói, mas o “fraco” reino de Israel, por eles saqueado, possuía homens com grande poder espiritual. O opressor agora dependia do oprimido, o forte precisava do fraco, e dessa forma o nome de Deus foi exaltado entre as nações. Ben-Hadade enviou seu general favorito ao rei de Israel, com uma grande comitiva, um batalhão fortemente armado e uma considerável fortuna, a fim de encorajar a cooperação do rei Jorão – “encontrar o tal profeta milagroso”. A abordagem de Naamã foi direta e honesta, mas o rei de Israel interpretou mal aquele pedido, confundindo com um pretexto para provocar uma nova guerra (cf. 2Rs 5:7). Sua cegueira espiritual o impedia de enxergar a grande oportunidade que Deus havia proporcionado. Imaginem a repercussão internacional que seu reino poderia obter se o grande Naamã fosse socorrido pelos “poderes de Israel”? O rei Jorão sabia que Eliseu tinha esse poder, mas a desprezível idolatria que maculava sua alma o impedia de raciocinar com clareza.

Naamã levou à presença do rei Jorão, como retribuição à sua petição, a exorbitante quantia de 10 talentos de prata (350 kg), 6.000 siclos de ouro (68 kg) e dez vestes festivais (trajes de luxo adornados com pedras preciosas). Certamente uma parte daquele tesouro caberia ao profeta que o curasse. Não tardou a que as noticias chegassem aos ouvidos de Eliseu, o qual repreendeu a estupidez do rei Jorão e sua incredulidade: “Porque rasgastes as tuas vestes? Deixa-o vir a mim e saberá que há profeta em Israel” (2Rs 5:8).

b) O exercício da fé (2Rs 5:9-19). Chegou Naamã, com sua comitiva, seu exército, seu poder e sua carga preciosa à casa do profeta, mas Eliseu não se deixou impressionar com toda aquela ostentação, de modo que nem ao menos se deu ao trabalho de ir saudá-lo ou festejá-lo. Conhecia o objetivo de sua visita e, provando a sua fé, mandou o seu discípulo, Geazi, ao encontro de Naamã, no portão, com a seguinte instrução: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo” (2Rs 5:10). Perante Deus não há lugar para soberba; Naamã precisava aprender esta lição. Se alguém busca uma bênção de Deus, que busque isso com humildade e fé ou nada receberá – “pois todo aquele que se exalta será humilhado, e o que se humilha será exaltado”(Lc 14:11).

O arrogante general começou a desanimar e a perder as esperanças de uma cura espetacular, em função do preconceito contra o método do profeta e pela maneira como foi tratado. Desejou voltar para casa imediatamente, mas seus assessores, munidos de um sincero desejo de vê-lo curado, convenceram-no com muita inteligência, cautela e lógica: “O senhor é homem valente e nunca se negou a uma tarefa por mais difícil que fosse. Temos certeza de que o senhor faria qualquer coisa que o profeta pedisse sem hesitar ou demonstrar temor. Por que, então, não poderia fazer algo tão simples?” (2Rs 5:13 – parafraseado).

A questão agora estava nas mãos de Naamã. Em seu desespero, já havia crido até nos conselhos de uma escrava estrangeira, percorrera grande distância rumo ao desconhecido e fizera um considerável investimento em busca da solução para o seu drama. Faltava-lhe agora o passo final – “agir com fé”. Finalmente, o grande estadista abriu mão do orgulho e mergulhou no “lamacento” rio Jordão. Posso até imaginar a expectativa de seus companheiros. “Mergulhou uma, duas vezes, e nada! Mergulhou terceira, quarta e quinta vez, e nada aconteceu! Mergulhou pela sexta vez e não houve sequer um vestígio de mudança. A angústia foi aumentando; teria o profeta passado um trote no general? Se desistisse ali teria perdido a grande oportunidade de sua vida, mas não desistiu; exercitou sua débil fé até o fim e, por isso, o resultado foi melhor que o esperado. Não apenas obteve a cura, como também ganhou uma pele rejuvenescida, tal como a pele de uma criança.

Naamã voltou à presença de Eliseu com seu corpo purificado, sua alma lavada e suas mãos repletas de dádivas. A transformação foi completa; Deus mudou-lhe o exterior e o interior, e fez dele um novo homem. O profeta, ao olhar tamanha alegria, alegrou-se também; não pela fortuna que lhe foi oferecida, mas pela preciosidade de uma vida transformada e agora consagrada ao verdadeiro Deus.

2. As águas de Jericó (2Rs 2:19-22). “E os homens da cidade disseram a Eliseu: Eis que boa é a habitação desta cidade, como o meu senhor vê; porém as águas são más, e a terra é estéril. E ele disse: Trazei-me uma salva nova e ponde nela sal. E lha trouxeram. Então, saiu ele ao manancial das águas e deitou sal nele; e disse: Assim diz o SENHOR: Sararei estas águas; não haverá mais nelas morte nem esterilidade. Ficaram, pois, sãs aquelas águas até ao dia de hoje, conforme a palavra que Eliseu tinha dito”.

Este texto narra a história das águas amargas de Jericó que foram restauradas por Deus através da instrumentalidade do profeta Eliseu. No acontecimento desse milagre, o profeta pede um prato novo e, dentro deste, se coloque sal. Feito isso, Eliseu profetiza, em nome do Senhor, que aquelas águas tornem-se potáveis. E assim aconteceu – “ficaram sãs aquelas águas”. Aqui, o “sal”simboliza um elemento purificador (Lv 2:13; Mt 5:13), enquanto o “prato novo” simboliza um instrumento de dedicação especial ou exclusiva para aquele momento. Na verdade, ao tornar saudáveis as águas salobras, usando um prato de sal, Deus quis mostrar aos “seminaristas”(os discípulos de Eliseu) que Ele tem total controle e autoridade sobre a natureza (veja o caso de Elias no ribeiro de Querite – 1Reis 17:4-6). Com esse milagre, Deus quis dar tranquilidade de provisões aos discípulos de Eliseu.

IV. OS MILAGRES DE JULGAMENTO
1. Maldição dos rapazes (2Rs 2:23-24). “Então, subiu dali a Betel; e, subindo ele pelo caminho, uns rapazes pequenos saíram da cidade, e zombavam dele, e diziam-lhe: Sobe, calvo, sobe, calvo! E, virando-se ele para trás, os viu e os amaldiçoou no nome do SENHOR; então, duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois daqueles pequenos”.

No caminho entre Jericó e Betel, um dos centros de adoração ao bezerro, Eliseu se deparou com um grupo de rapazes arruaceiros que o chamaram de “calvo” e o desafiaram, em tom de escárnio, a subir ao Céu como Elias. Certamente, esses “rapazes pequenos” tinham ouvido seus pais rirem da notícia que Elias subira ao Céu, possivelmente dizendo: ‘Se Eliseu afirma isso, que então ele mostre como é feito e que ele, o velho calvo, suba também’. Essa zombaria contra o profeta era um desdém pelo seu Senhor. Para desagravar a honra do Senhor, Eliseu pronunciou contra eles um julgamento divino, formulado na lei da bênção e da maldição, segundo o concerto (ler Lv 26:21,22; Dt 30:19). Após Eliseu amaldiçoá-los “em nome do Senhor [...] duas ursas saíram do bosque e despedaçaram quarenta e dois deles”. O próprio Deus julgou aqueles rapazinhos degenerados, enviando-lhes duas ursas. Não dá prá saber se eles morreram ou não.

Não sabemos como reconciliar completamente esse incidente com o caráter de Deus ou com a bondade do profeta. Se tal reconciliação for possível, devemos entender que os “rapazes” eram suficientemente crescidos para responder moralmente. Eliseu pronunciou essa maldição a fim de vingar a honra do Senhor que havia sido ofendida quando os jovens proferiram aquelas palavras para insultá-lo. Insultar um mensageiro de Jeová é o mesmo que ofender o próprio Deus.

2. A doença de Geazi (ler 2Rs 5:20-27). Nesta narração, observamos a razão principal pela qual Geazi foi julgado: o abandono da fé – a cobiça pelos bens terrenos o levou à maldição. A jovem escrava israelita exercitou sua fé, apesar da tristeza que ardia em seu coração. Naamã exercitou sua fé, mesmo com o preconceito arraigado em seu coração, mesmo com a decepção na corte do rei Jorão, mesmo não entendendo a lógica do profeta, e agora, depois de curado, exercitou mais uma vez a sua fé na convicção de que o “Deus de Israel” o acompanharia de volta a seu país (2Rs 5:17). Mas Geazi, embora conhecesse bem de perto os prodígios do Senhor, em lugar de exercitar, abandonou a sua fé, trocando o sustento de Deus por um modo “mais fácil” de prover o seu conforto. Geazi engendrou um plano diabólico para tirar o máximo proveito daquela situação. Certamente o fascínio do lucro fácil causou um desequilíbrio na mente daquele cobiçoso discípulo, a ponto de usar o santo nome de Deus para justificar sua cobiça: “ tão certo como vive o Senhor, hei de correr atrás dele e receberei alguma coisa” (2Rs 5:20).

Aproveitando-se da euforia e da boa fé do novo convertido Naamã, usou o nome do profeta, inventando a chegada de novos hóspedes como pretexto para ganhar um pouco do que Eliseu recusou. E ganhou mesmo, mais ainda do que pediu; angariou para si 68 kg de prata e duas vestes festivais (2Rs 5:21-23). Bem que a Palavra de Deus nos alerta: “porque o amor ao dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores” (1Tm 6:10). E, como um pecado chama outro pecado, o jeito foi continuar mentindo para acobertar o seu deslize. Mas de Deus não se esconde nada. Deus fez com que Eliseu soubesse de tudo por meio de uma visão (2Rs 5:26).

Veja como são as coisas, um pagão estrangeiro foi curado, pela nobreza de sua fé, enquanto um israelita, um estudante de teologia, tomou o lugar do pagão, para a desonra de sua fé. Assim como Acã, Ananias e Safira, Judas Iscariotes....também Geazi vendeu sua alma por prazeres passageiros. A cobiça desse jovem só lhe trouxe maldição, pois com a prata que surrupiou de Naamã, herdou também a lepra que antes era dele (2Rs 5:27). Geazi foi à procura de Naamã em busca de “alguma coisa” e terminou sem “coisa alguma”. Foi em busca de valores materiais, mas perdeu os espirituais. É um perigo quando alguém troca o “ser” pelo “ter”.

CONCLUSÃO

Eliseu realizou milagres fantásticos, sim, mas era um dom de Deus; foram uma clara demonstração do poder de Deus, que teve como propósito específico demonstrar a graça de Deus e sua glória nas mais diferentes situações. Em nenhum momento Eliseu ensoberbeceu-se do dom que havia nele, e nem deixou transparecer que se tratava de algo que ele conseguia manipular através do domínio de alguma técnica. Não há dúvida nenhuma que em todos os milagres realizados estavam a unção de Deus.

Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD.
Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 53 – CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.
Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.
Comentário do Novo Testamento – Aplicação Pessoal.
Marcos (o evangelho dos milagres) – rev. Hernandes Dias Lopes.
Elias e Eliseu (homens de ação) – Editora cristã Evangélica.

O bom humor necessário na família





O bom humor permite que uma família rompa o círculo vicioso da retroalimentação, que origina e mantém crônicos os problemas. É preciso brincar

Um elemento essencial no processo de desenvolvimento da intimidade conjugal é o bom humor. O termo intimidade, aqui, não tem o sentido de sexualidade que muitas vezes lhe é atribuído, mas sim o de um encontro significativo, descrito pelo filósofo austríaco Martin Buber1 como algo que está além do subjetivo, aquém do objetivo, sobre a estreita serra onde se encontram o “eu” e o “tu” – o reino do “nosso”. Esta realidade, proveniente do encontro de duas pessoas, mostra o caminho que leva para além do individualismo e do coletivismo, a fim de chegar a um modelo relacional único.

Muitas tensões relacionais produzidas nas falhas de comunicação diárias, seja pelas limitações das palavras, seja pela ansiedade que bloqueia um ouvir pleno ou por qualquer outro motivo, poderiam ser diluídas com uma pitada de bom humor no relacionamento conjugal.

Há casais que jamais riem juntos. Muitos têm dificuldade de rirem de si mesmos e das trapalhadas do dia a dia. Fazemos e falamos muitas coisas equivocadas no nosso convívio diário e precisamos aprender a relaxar por meio do humor.

O terapeuta de casais e de família Jorge Maldonado afirma que nas famílias funcionais há um clima no qual as pessoas se gostam e se divertem juntas. Em contraposição, as famílias disfuncionais demonstram menos energia e espontaneidade, e um tom de depressão e desesperança invade as interações e limita o desenvolvimento. O autor alerta que o excesso de seriedade pode tornar o convívio familiar destrutivo.

Quando eu e minha esposa éramos noivos, fomos convidados para uma festa de aniversário na casa de um amigo cuja família era extremamente rígida e com pouca abertura para o humor. Na hora da despedida, o vestido dela acidentalmente esbarrou em um copo de cristal que estava na borda de uma mesa de centro. O copo caiu e quebrou. Houve um silêncio geral na sala e a dona da casa ficou parada à porta, apenas olhando com uma expressão séria. Minha esposa ainda tentou catar os cacos e fazer algo para remediar a situação. Como todos ficaram muito sérios, eu a tomei pela mão, nos despedimos e fomos embora, com a sensação de termos cometido um crime hediondo. É o que acontece quando falta bom humor nas famílias.

Criei um neologismo para tais casais e famílias – chamo-os de “famílias Hardy”, em alusão ao personagem do desenho animado Lippy e Hardy – o leão, otimista, e a hiena, pessimista –, no qual a hiena (Hardy) sempre acha que tudo vai terminar mal e vê o lado negativo em tudo (“Oh dia, oh mês, oh azar...”).

O bom humor permite que uma família rompa o círculo vicioso da retroalimetação, que origina e mantém crônicos os problemas.



É preciso brincar; com os filhos – sentar no chão, brincar de esconde-esconde pela casa ou outras brincadeiras criativas – e também com o cônjuge – fazer cócegas, correr na chuva ou coisas semelhantes.

Mesclar o bom humor e a brincadeira com a ternura e a expressão de carinho aprofunda os vínculos e a unidade conjugal. Afinal não é à toa que o apóstolo Paulo, repetidamente, exorta: “Alegrai-vos!” (Fl 3.1; 4.4).

Fonte: Ultimato
Por Litrazini
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12 coisas para fazer quando você é criticado








Nós seremos criticados uma hora ou outra. Algumas vezes com razão, outras injustamente. Algumas vezes, as críticas dos outros com relação a nós são severas e imerecidas. Outras vezes nós podemos precisar delas.

Como respondemos à crítica?

Seja pronto para ouvir (Tiago 1.19)

Pode ser difícil fazer isso, porque nossas emoções se levantam e nossa mente começa a pensar em formas de refutar o que a outra pessoa está dizendo. Ser pronto para ouvir significa realmente tentar ouvir e considerar o que a outra pessoa está dizendo. Nós simplesmente não desprezamos a crítica, mesmo que ela pareça injusta e imerecida.

Seja tardio para falar (Tiago 1.19)

Não interrompa ou responda muito rapidamente; Deixe que a pessoa termine de falar; Se você responder muito rapidamente você pode falar asperamente ou irado.

Seja tardio para irar-se

Por quê? Porque Tiago 1.19-20 diz que a ira do homem não produz a justiça de Deus. A ira não fará alguém fazer a coisa certa. Lembre-se, Deus é tardio para irar-se, paciente e longânimo com aqueles que o ofendem. Quanto mais nós deveríamos ser.

Não revide

“Quando insultado, [Jesus] não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça” (1 Pedro 2.23). Ser injustamente acusado – Jesus foi e, ainda assim, continuou a confiar no Senhor e não revidou.

Dê uma resposta gentil
“A resposta calma desvia a fúria” (Provérbios 15.1). Seja gracioso até mesmo com aqueles que te ofendem, bem como Deus é gracioso quando nós o ofendemos.

Não defenda a si mesmo tão rapidamente

A atitude defensiva pode surgir do orgulho e da incapacidade de receber ensino.

Considere o que pode ser verdade na critica, mesmo que tenha sido dita da maneira errada

Mesmo que seja feita com a intenção de machucar ou de escarnecer, ainda pode haver algo que vale a pena considerar. Deus pode estar falando com você através dessa pessoa.

Lembre-se da cruz
Alguém disse que as pessoas não dirão nada de nós que a Cruz não tenha dito e, mais, que nós somos pecadores que merece a punição eterna. Então, na verdade, qualquer coisa que disserem sobre nós é menos do que a Cruz disse sobre nós.

Volte-se para Deus que te aceita em Cristo incondicionalmente, apesar de seus muitos pecados e falhas. Nós podemos ficar desanimados quando vemos áreas de pecado ou falha, mas Jesus pagou por elas na cruz e Deus se alegra conosco por causa de Cristo.

Considere o fato de que você tem pontos cegos

Nós não podemos nos ver precisamente sempre; Talvez essa pessoa esteja vendo algo que você não consegue ver em si mesmo.

Ore acerca da crítica

Peça a Deus por sabedoria – “Eu o instruirei e o ensinarei no caminho que você deve seguir; eu o aconselharei e cuidarei de você” (Salmos 32:8).

Pergunte a outras pessoas as suas opiniões

A crítica pode estar certa ou ser completamente incabível. Se essa é uma área de pecado ou fraqueza na sua vida, então outros terão visto isso também.

Considere a fonte

Não faça isso muito rapidamente, mas considere os motivos da outra pessoa, o nível de entendimento ou sabedoria, etc. Eles podem estar te criticando para te machucar ou eles podem não saber do que eles estão falando.


Autor: Mark Altrogge - Traduzido por Natália Moreira | iPródigo

Por Litrazini

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À luz da Bíblia, é possível ser curado de doença emocional?








Há várias fontes produtoras de doença emocional: uma família mal estruturada e violenta, a cultura secular, uma religião legalista, opressão maligna e até a própria pessoa, devido à sua inabilidade em lidar com as suas emoções ante as crises da vida, às suas escolhas erradas, à falta de perdão, etc.

As emoções negativas que se acumulam no coração humano — devido a um passado sofrido, a traumas e abusos vivenciados na infância, a perdas, rejeições, injustiças, comparações — provocam frustração, dor, raiva, sentimentos de vingança, baixa autoestima e uma autoimagem negativa.

Com o passar do tempo e o estresse do dia-a-dia, causado pela violência nas ruas e a luta pela sobrevivência, essas emoções represadas e não tratadas vêm à tona em forma de atitudes e comportamentos inexplicáveis (neuroses/transtornos de humor, fobias, síndrome do pânico) e/ou doenças psicossomáticas. A pessoa começa a apresentar perturbações psicoemocionais, acompanhadas ou não de sintomas físicos alergias, úlceras gástricas, dores de cabeça, nas costas.

Para fugir do sofrimento emocional, muitos se viciam em antidepressivos, calmantes e remédios para dormir. Eles não querem investigar a raiz do problema e resolvê-lo. Acham que isso intensificaria a dor que querem evitar. Na busca desesperada por alívio, preferem tomar remédio para dormir ou para relaxar. Entretanto, se combatessem o foco do problema e recorressem à ajuda de Deus, certamente o resolveriam.

O que as pessoas com doenças na alma precisam saber é que a maioria dessas enfermidades não deveria ser tratada com remédios, mas sim com a Palavra de Deus e com a “terapia da oração”. Deus nos criou e nos conhece e entende mais do que qualquer um.

A Palavra de Deus é remédio para os problemas que afligem nosso ser, pois ela nos desnuda, fazendo com que o está dentro de nós seja identificado e possa ser tratado.

As Escrituras são uma fonte terapêutica extraordinária porque a Palavra de Deus trabalha no íntimo do homem, penetra até à divisão da alma, e do espírito [...], e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração (Hebreus 4.12), onde Freud e qualquer outro psicanalista ou psicólogo, gostaria, mas jamais penetrou.

A Palavra de Deus nos estimula à análise introspectiva. Quando você começar a mergulhar dentro de si mesmo, descobrirá a causa que o está levando a esse estado de coisas, e encontrará a solução.

Quem está sofrendo com depressão, angústia, baixa autoestima ou complexo de inferioridade, deve investigar a razão, conscientizar-se de suas fraquezas e suprir suas deficiências, bem como descobrir seus pontos fortes e valorizá-los. Pode ser que, ao analisar a raiz do problema, a solução não seja encontrada de imediato. Mas a pessoa não deve desistir; antes deve insistir nessa autoanálise, pensando sobre o que a tem afligido e contando tudo o que está sentindo ao Senhor, sem medo ou vergonha. O desabafo por meio da oração trará leveza e alívio.

Talvez também seja necessária a ajuda de um terapeuta; alguém formado em psicologia, preparado para conduzi-la em uma análise. Por meio do processo da verbalização começará a desenhar-se a cura.

Para a terapia funcionar, o analisando deve falar o máximo que puder, para facilitar o processo de investigação terapêutica. Assim, por meio da verbalização, o paciente fala sobre todos os seus problemas e, por meio da transferência, lança sobre o terapeuta sua carga emocional. Este ouve o desabafo do paciente e, durante o tempo da consulta, aceita a carga. Mas, no final da seção, devolve tudo para aquele, fazendo uma contratransferência.

Contudo, é bom lembrar que, por mais perspicaz e eficiente que seja o terapeuta, ele não é onipotente nem onipresente, tampouco o dono da verdade. Ele pode formular hipóteses falsas sobre o problema, intervindo de forma errada na terapia. Isso provocará resistência e aversão da parte do paciente, em vez de empatia e cooperação.

A terapia divina é totalmente diferente da humana. Com Deus nunca há antipatia, só empatia, porque Ele é amor, bondade, misericórdia. E Ele ainda tem a capacidade de assumir tudo o que você lançar sobre Ele, fazendo uma contratransferência na hora e na medida certa e indo à raiz do problema.

Quando alguém dobra os seus joelhos para orar, falar com o Altíssimo, que é onisciente e onipotente, sobre o que o está incomodando, machucando, ferindo, o que está dentro da sua alma, imediatamente o processo da cura é iniciado.

O Senhor tem poder para curar depressão, angústia, tristeza, traumas, e resgatar a autoestima e ajudar-nos a ter uma autoimagem positiva de nós mesmos.

Um dos instrumentos terapêuticos dele é a oração e a ministração da Sua Palavra. Além disso, convém ao paciente pensar positivamente, ter uma boa perspectiva da vida e não se isolar! Ele deve manter a comunhão com Deus e com familiares, irmãos na fé, amigos leais; pessoas com quem podem partilhar alegrias e tristezas.

SUGESTÕES DE LEITURA:

2 Samuel 22.7; 1 Reis 1.29; 2 Crônicas 15.4; Salmo 9.9; 20.1; 42; 116; 2Coríntios 1.3,4; 7.5,6; Filipenses 4.6


Autor: Pr. Silas Malafaia
Por Litrazini
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VOCÊ PODERIA TER ESTADO NA BÍBLIA





Existem umas poucas histórias na Bíblia onde tudo sai bem. Esta é uma. Consta de três personagens.

A primeira é Felipe: um discípulo da igreja primitiva que tinha uma inclinação para os perdidos. Um dia Deus o instruiu para que fosse ao caminho de Jerusalém a Gaza. Era um caminho deserto. Quando chegou, encontrou com um funcionário da Etiópia.

Deve ter sido um tanto intimidante para Felipe. Se compararia um pouco a subir numa motocicleta e perseguir o secretário da tesouraria. Ao deter-te diante de um semáforo você vê que ele está lendo a Bíblia e lhe oferece seus serviços.

Isso foi o que Felipe fez.

— Compreendes o que lês?

— Como hei de entender se alguém não me explica?

De modo que Felipe assim o fez. Realizaram um estudo bíblico na carroça. O estudo produz tal convicção que o etíope se batiza esse mesmo dia. E depois se separam. Felipe vai por seu lado e o etíope por outro. A história tem um final feliz. Felipe ensina, o etíope obedece e o evangelho se envia à África.

Mas essa não é a história completa. Você viu o terceiro? Há mais um. Leia estes versículos e observe: "E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te, e vai para o lado do sul (...) E levantou-se, e foi" (Atos 8:26,27, ACF).

"E disse o Espírito a Filipe: Chega-te, e ajunta-te a esse carro. E, correndo Filipe..." (Atos 8:29,30, ACF).

A terceira personagem?

Deus! Deus enviou o anjo. O Espírito Santo instruiu Felipe. Deus orquestrou o momento em sua totalidade! Viu esse homem piedoso que vinha da Etiópia para adorar. Viu sua confusão. Assim que decidiu resolvê-la.

Buscou em Jerusalém um homem a quem enviar. Encontrou a Felipe.

Nossa típica reação ao ler estes versículos é pensar que Felipe era um tipo especial. Tinha acesso à Oficina Oval. Levava um receptor de rádio-chamada do primeiro século que Deus já não entrega.

Mas não se precipites demais. Numa carta a cristãos como nós, Paulo escreveu: "Andai em Espírito..." (Gálatas 5:16, ACF). "Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus" (Romanos 8:14, ACF).

De ouvir-nos falar a muitos, se pensaria que não acreditamos no que dizem estes versículos. Pensar-se-ia que não acreditamos na Trindade. Falamos acerca do Pai e estudamos acerca do Filho... mas quando se trata do Espírito Santo, no melhor dos casos estamos confundidos, e no pior, atemorizados. Confundidos porque nunca nos ensinaram. Atemorizados porque nos foi ensinado que temamos.

Posso simplificar um pouco as coisas? O Espírito Santo é a presença de Deus em nossas vidas, que leva a cabo a obra de Jesus. O Espírito Santo nos ajuda em três sentidos: para dentro (ao conceder-nos os frutos do Espírito, Gálatas 5:22-24), para cima (ao interceder por nós, Romanos 8:26), e para fora (ao derramar o amor de Deus em nossos corações, Romanos 5:5).

Na evangelização o Espírito Santo ocupa o centro do cenário. Se um discípulo ensina, é porque o Espírito ensina ao discípulo (Lucas 12:12). Se o ouvinte é convencido, é porque o Espírito tem penetrado (João 16:10). Se o ouvinte se converte, é pelo poder transformador do Espírito (Romanos 8:11). Se o novo crente amadurece, é porque o Espírito faz com que seja competente (2 Coríntios 3:6).

Em você opera o mesmo Espírito que operou em Felipe. Alguns não acreditam em mim. Continuam sendo cautelosos. Posso ouvir como murmuram entre dentes ao lerem: "Felipe tinha algo que eu não tenho. Nunca ouvi a voz de um anjo". Ao qual respondo: "Como você sabe que Felipe sim?".

Achamos que assim aconteceu. Não nos é ensinado que tenha sido assim. As figuras do flanelógrafo dizem que aconteceu sim. Um anjo coloca sua trombeta na orelha de Felipe, brama o anúncio e a Felipe não resta alternativa. Luzes cintilantes e bater de asas não são coisas às que alguém possa negar. Era necessário que o diácono fosse. Mas, poderia estar errada a nossa suposição? É possível que a voz do anjo tenha sido tão miraculosa como a que ouvimos você e eu?

O quê?

Você ouviu a voz que sussurra teu nome, não é verdade? Tem percebido o toque que te mexe e te impele a falar. Acaso não tem acontecido?

Você convida um casal para tomar café. Nada heróico, somente uma grata reunião com velhos amigos. Porém enquanto entram, pode perceber a tensão. Estão mais frios que glaciais. Você percebe que algo anda mal. Tipicamente não é do tipo inquisitivo, mas sente uma inquietude que se recusa a permanecer em silêncio. Então você pergunta.

Você está numa reunião de negócios onde um de seus colegas é recriminado com muita dureza. Todos os outros pensam: Me alegro que esse não tenha sido eu. Mas o Espírito Santo te conduz a pensar: Que difícil deve ser isso. E então, depois da reunião, se aproxima do funcionário e lhe expressa seu interesse.

Lhe chama a atenção o homem que se encontra do lado oposto do auditório da igreja. Parece um tanto fora de lugar, por causa de sua roupa estranha e aspecto geral. Fica sabendo que é da África e se encontra na cidade por assuntos de negócios. No domingo seguinte regressa. E no terceiro domingo está ali. Você se apresenta a ele. Ele lhe fala do fascinado que está pela fé e de como deseja aprender mais. Em vez de oferecer-se para ensiná-lo, somente o insta a ler a Bíblia.

Mas durante a semana, lamenta por não ter sido mais direto. Liga para o escritório onde ele está trabalhando e fica sabendo que hoje ele parte de volta para seu lar. Dentro de você sabe que não pode permitir que vá embora. Então corre para o aeroporto e o encontra esperando seu vôo, com uma Bíblia aberta sobre seu colo.

— Compreende o que está lendo? — lhe pergunta.

— Como poderei, se alguém não me explicar?

De modo que você, igual a Felipe, lhe explica. E ele, como o etíope, crê. Pede o batismo e lhe é oferecido. Ele toma um vôo posterior e você alcança o vislumbre do que significa ser guiado pelo Espírito.

Houve luzes? Você acabou de acender uma. Houve vozes? Foi a sua. Aconteceu um milagre? Acabou de ser testemunha de um. Quem sabe? Se a Bíblia fosse escrita hoje, poderia ser seu nome o que figurasse no capítulo 8 de Atos.


QUANDO DEUS SUSSURRA O SEU NOME Max Lucado
Por Litrazini
http://www.kairosministeriomissionario.com/

DEUS para DEUS: estupenda grandiosidade DEUS para o homem: estonteante humildade




Consideremos os seguintes textos bíblicos:

· “Deus não é filho de homem, para que se arrependa” (Números, 23.19); “[Deus é] o Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago, 1.17).

· “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás” (Isaías, 38.1) / “Ouvi a tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos” (id.,ib.,v.5). Entenda-se: Deus, que pronunciara uma categórica sentença de morte sobre o rei Ezequias, que estava enfermo, voltou atrás, diante da contrição e arrazoamento do rei.

· “Senhor Jeová, perdoa; como se levantará agora Jacó? Pois ele é pequeno. Então o Senhor se arrependeu disso: Não acontecerá, disse o Senhor. [...] Senhor Jeová, cessa agora; como se levantará Jacó? Pois ele é pequeno. E o Senhor se arrependeu disso. Nem isto acontecerá, disse o Senhor Jeová” (Amós, 7.2,3, 5 e 6). Ou seja, por duas vezes, Deus ouviu a intercessão do profeta Amós em favor do povo judeu, e alterou o pronunciamento de sua sentença punitiva.

A aparente contradição desses textos se desfaz pelo entendimento de que Deus se revela, na Bíblia, em duas perspectivas: “Deus para Deus”, isto é, Deus em si mesmo, na exclusividade da sua essência, e “Deus para o homem”. Veja-se a tremenda simplicidade, a impressionante concisão com que isso se resume em Êxodo, 3.13-14.

No citado texto, Moisés, convocado por Deus para libertar o povo judeu, escravizado no Egito, pergunta-lhe o nome. E importa observar que o nome, nessa cultura, não era mero rótulo com que, aleatoriamente, se designava alguém. O nome era a expressão de uma característica definidora da pessoa, relativamente a um aspecto físico, psíquico, ético ou espiritual. Esaú, por exemplo, significa peludo; Jacó, suplantador; Elias, Cujo Deus é Jeová. Poderia, também, ligar-se a alguma circunstância de sua vida, tal como aconteceu com o neto de Eli, a quem a mãe expirante pôs o nome de Icabode, Foi-se a glória de Israel. O próprio nome Moisés significa Salvo das águas.

Pois bem, o que Deus respondeu a Moisés?

“E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós” (Êxodo, 3.14).

Entenda-se: na primeira perspectiva, “EU SOU O QUE SOU”, Deus se coloca como o Ser indefinível, já que Ele é infinito; e definir, ou definire, é estabelecer fim, ou finis. Absoluta coerência: a única “definição” de Deus é Deus, que começa e termina em seu próprio começo – EU SOU EU, o Alfa e o Ômega (Isaías, 44.6; Apocalipse, 1.8). Ou seja: o princípio e o fim, que é o começo, estão coincididos na realidade do eterno. Sem dúvida, algo inatingível pela compreensão limitada do homem; uma esfera conceitual fechada, impenetrável pela cogitação humana. Aí resplandece Deus para Deus em sua estupenda grandiosidade.

Nessa perspectiva, Deus é imutável. Ele “não é filho de homem, para que se arrependa” (Números, 23.19); é o “Pai das luzes, em que não há mudança nem sombra de variação” (Tiago, 1.17). É o Ser subsistente que, conforme certa colocação do metafísico Richard Taylor, existe por sua própria natureza intrínseca. É “Deus para Deus”, repetimos, em sua estupenda grandiosidade. Quando Ele fez soar sua voz, de cima do Sinai, o monte tremeu e fumegou (Êxodo, 19.18). E assim aconteceu, mesmo tendo o Senhor descido ao nível do entendimento do homem.

Na segunda perspectiva, aquela do “EU SOU”, Deus se abre, para comunicar-se com o homem. Para isso, Ele desce à realidade do homem. Ele assume o estilo de ser do homem, estabelecendo um plano de relacionamento que permite o diálogo. E diálogo é interação verbal dos comunicantes, em que locutor e interlocutor se revezam no jogo da locução: o eu torna-se tu, o tu torna-se eu – fato, aliás, intuído pelo rei francês Léopold 1er (Fiorin, 1996), séculos antes de o fenômeno ser tratado nas modernas abordagens da Linguísitca. Com efeito, para não se equiparar a seu criado, na reciprocidade da troca verbal, o rei dava-lhe ordens, substituindo o pronome eu pelo pronome ele, garantia de distância. Assim, por exemplo, em vez de dizer ao criado: “Eu quero minha espada” (Je veux mon épée), o rei Léopold dizia-lhe: “Ele [a majestade] quer sua espada” (Il veut son épée).

Ora, o estilo do homem carrega todas as características inerentes à identidade do homem, que é essencialmente um ser limitado – na capacidade e possibilidade do conhecimento, da ação, do exercício da vontade. É próprio do homem, de ângulos diversos, voltar atrás ou arrepender-se. Assim, pois, ao comunicar-se com o homem, assumindo o exatamente como ocorre nos episódios acima referidos (Isaías, 38.1-5; Amós,7.1-6).

Na verdade, as variações no comportamento de Deus em sua relação com o homem fazem parte do seu misericordioso propósito em abrir espaço para o exercício da fé humana, da oração, da intercessão. Objetivam possibilitar uma intercomunicação de intimidade do Pai com seus filhos. São prova da humildade divina em conferir ao homem o direito de contra-argumentar, de apresentar suas humanas razões, possibilitando-lhe, muitas vezes, interferir, alterar situações que se estabeleceriam de forma diversa. Jesus ensinou: “Pedi, e dar-se-vos-á” (Mt7.7)

É ainda nessa segunda perspectiva, na qual se tem Deus para o homem, que se registram outras mostras da estonteante humildade do SENHOR. São as Escrituras que nos dão provas disso:

· “Porque assim diz o Alto e Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Isaías, 57.15).

· “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu um Deus além de ti, que trabalhe para aquele que nele espera” (Isaías, 64.4).

· “O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? – diz o Senhor dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome” (Malaquias, 1.6).

Foi tão absolutamente grande o propósito de Deus em estabelecer com o homem um nível de relacionamento divinamente humanizado, que o próprio Deus se fez Homem, na Pessoa do seu Unigênito, Jesus Cristo (João, 1.14). E, como Homem, Deus se apresentou na suma expressão da humildade. Eis um testemunho do Apóstolo Paulo: “Jesus Cristo [...], sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses, 2.6-8).

E foi com essa absoluta autoridade que Jesus pôde dizer: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas” (Mateus, 11.28).

Concluindo, pergunto a Você, que acaba de ler este artigo: sua alma está cansada? Muito cansada? Pois saiba: existe Alguém que pode fazê-la descansar... Invoque-O, de todo o seu coração! O Nome dele é Jesus Cristo. Ele ama você, e talvez você nem o saiba.


Maria Helena Garrido Saddi, professora universitária, doutora em Letras, membro da Catedral Evangélica Hebrom. hgsaddi@gmail.com

Moacir Neto - Lidiomar Trazini http://www.reflexoesevangelicas.com.br 

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Aula 08 – O LEGADO DE ELIAS


1º Trimestre/2013


Texto Básico: 1Reis 19:16,17,19-21

“E disse Josafá: Não há aqui algum profeta do SENHOR, para que consultemos ao SENHOR por ele? Então, respondeu um dos servos do rei de Israel e disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias” (2Reis 3:11)

INTRODUÇÃO


Nesta Aula vamos falar um pouco acerca do legado do profeta Elias! Ele foi um homem que deixou seu legado na história bíblica como um gigante espiritual; foi um servo de Deus de profunda convicção espiritual e consciente de sua missão profética. Aprendemos com ele que os homens de Deus bem-sucedidos em seus ministérios são aqueles que tem o coração disposto a servir. Elias serviu a Deus com integridade e deixou uma herança para as gerações posteriores, e seu legado foi visto na pessoa de Eliseu, em atitudes, milagres e espiritualidade. O teólogo norte-americano A.W.Tozer disse certa vez que “nada morre de Deus quando um homem de Deus morre!”.

A fé, as nossas atitudes, o nosso relacionamento com Deus e o compromisso com a sua Palavra são o maior patrimônio que podemos passar às gerações seguintes. O apóstolo Paulo, ao final da carreira, fez menção de sua fé como algo zelosamente guardado no coração. Era a sua preciosa herança para os que viriam depois (2Tm 4:7). Que contribuição estaremos deixando nessa área vital de nossas relações com Deus? Que perspectivas nossos filhos e netos terão da fé ao olharem a nossa história? Eles nos verão como pessoas que sempre souberam confiar em Deus e viverem inteiramente para Ele, ou como incrédulos, sem nenhum legado espiritual, cristão e humano?

I. O LONGO PERCURSO DE ELIAS

1. Uma volta às origens. O desafio de Elias e sua vitória sobre os falsos profetas se tornou noticia em todo o reino de Acabe. A rainha Jezabel ficou irada e prometeu vingança. Elias teve medo e fugiu com seu ajudante para Berseba onde deixou o rapaz e seguiu para o deserto, caminhando um dia inteiro. Ao encontrar uma árvore, sentou-se à sua sombra e desejou a morte: “E ele se foi ao deserto, caminho de um dia, e veio, e se assentou debaixo de um zimbro; e pediu em seu ânimo a morte e disse: Já basta, ó SENHOR; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais”(1Rs 19:4). O anjo do Senhor visita Elias e o alimenta por duas vezes. Com a força daquela comida caminhou por 40 dias e 40 noites. Nesse período a Bíblia não cita que Elias tenha parado em algum lugar para descansar, até chegar ao seu destino, o Monte Sinai. Porque ir ao Monte Sinai? Porque o Sinai era um lugar sagrado: ali Deus se revelou a Moisés (Ex 3); quando o povo em fuga do Egito teve sede, a rocha que ficava no monte Sinai deu água – “Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas, e o povo beberá” (Ex 17:6); foi o lugar onde Deus falava com Moisés (Lv 25:1); foi o lugar onde Deus entregou ao povo, através de Moisés, as placas da Lei. Portanto, se tinha um lugar para ouvi a voz de Deus, era no Monte Sinai. A distância era grande – cerca de, aproximadamente, 400 quilômetros, de Berseba até o Monte Horebe -, mas era necessário que Elias voltasse às origens da sua fé. Ele precisava desse momento a sós com Deus, do mesmo modo que ocorreu com Moisés no passado. Jesus, mesmo, quando nos falou da oração, disse que deveria haver um espaço para uma intimidade nossa com Deus, um "aposento em secreto" onde desfrutássemos de um momento a sós com Deus, algo que não somente ensinou, mas também praticou (Lc 22:39-41).

2. Uma revelação transformadora. Naquele momento à sós com Deus no Monte Horebe, Deus faz uma revelação extraordinária e que renovou sobremaneira o ânimo de Elias. Em primeiro lugar, Deus lhe falou que ele não era o único fiel sobrevivente. Elias quando achava que somente ele havia permanecido fiel a Deus, foi surpreendido com a notícia de que ainda havia sete mil que não haviam dobrado seus joelhos a Baal (1Rs 19:14,18). A idolatria anuída e supervisionada pelo casal real, Acabe e Jezabel, quase levou Israel à perda de usa identidade nacional, moral e espiritual, mas Deus tinha preservado um remanescente fiel; certamente, dentre desses sete mil estava Eliseu, que seria seu sucessor. Isso nos ensina que, quando formos tentados a pensar que somos os únicos fiéis que restam para realizar algo, não dedemos parar para nos lamentar. A autocomiseração diluirá o bem que porventura fizermos. Estejamos certos de que ainda que não os conheçamos, outros obedecem fielmente a Deus e cumprem seu dever.

Outra revelação surpreendente a Elias: ele seria sucedido por outro profeta; ele teria que ungir outro profeta em seu lugar (1Rs 19:16). Elias não questionou, simplesmente obedeceu. Este é um dos elementos do legado de Elias: a obediência. Elias nos ensina a necessidade de obedecermos a vontade e a direção de Deus. Sabemos que nesta vida tudo tem o seu tempo, por isso, chegou o dia em que o ministério de Elias encerrou-se. Como um líder fiel, obediente e íntegro diante do Pai Celeste, teve o cuidado de seguir a orientação divina na escolha do seu sucessor. O Senhor continua a falar em nossos dias, o problema é que nem todos desejam lhe ouvir, pois a voz de Deus pode frustrar alguns ideais pessoais.

Todo líder, de qualquer seguimento, um dia terá que deixar o cargo. Isso é um processo natural. Acontece que muitos pensam que são insubstituíveis, ou não querem "largar" a liderança para não perder status, vantagens, benefícios, privilégios etc. É aí que surgem os problemas. Alguns líderes evangélicos na atualidade tratam igrejas e convenções como propriedade particular, empresa ou negócio de família. Esquecem que a igreja tem um dono e o seu nome é JESUS. Pasmem, atualmente muitos líderes para se manterem no poder se utilizam de estratégias mundanas, utilizando-se de artifícios para vencer eleições em igreja e convenções, do tipo: compra de votos, oferta de cargos e benefícios, manipulação de urnas, traições, calúnias, processos na justiça comum, ordenação de obreiros sem vocação ministerial, etc.! Outros, usam e abusam do nepotismo, colocando parentes, familiares e bajuladores em cargos estratégicos, garantindo assim a manutenção do poder por meio de retaliações, ameaças e outras ações vergonhosas! Outros, alteram de maneira escandalosa o estatuto da igreja ou da convenção, buscando com isso a perpetuação do poder e dos privilégios! Tudo isso, e muito mais, vemos acontecer. É por estas e outras razões que Jesus falou: “Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas? E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:22,23).

Devemos ser cônscios de que todos temos um tempo definido por Deus para trabalhar para Ele. Quando formos desafiados por Deus a ser substituídos, não devemos imaginar que estamos sendo descartados, ou que Deus não nos quer mais em seu serviço. Além disso, as novas gerações precisam ter sua oportunidade de servir com seus talentos ao Senhor. O próprio Jesus deixou claro que seus seguidores fariam coisas maiores do que Ele mesmo fez, exceto a salvação, é claro (João 14:12). Se o Mestre deu o exemplo de humildade, porque não o podemos seguir?

Elias saiu no tempo certo, não resistiu diante da vontade de Deus (2Rs 2:11). Não tinha ao que se apegar (cargos, bens, dinheiro, status, etc.). Acredito que se nos dias atuais um carro de fogo, com cavalos de fogo, fosse enviado pelo Senhor para buscar alguns líderes, eles pediriam para não ir, ficariam somente para continuar desfrutando das honras humanas, do luxo e dos privilégios que conquistaram. Duvida?

II. ELIAS NA CASA DE ELISEU
“Partiu, pois, Elias dali e achou a Eliseu, filho de Safate, que andava lavrando com doze juntas de bois adiante dele; e ele estava com a duodécima. Elias passou por ele e lançou a sua capa sobre ele. Então, deixou ele os bois, e correu após Elias, e disse: Deixa-me beijar a meu pai e a minha mãe e, então, te seguirei. E ele lhe disse: Vai e volta; porque que te tenho eu feito? Voltou, pois, de atrás dele, e tomou uma junta de bois, e os matou, e, com os aparelhos dos bois, cozeu as carnes, e as deu ao povo, e comeram. Então, se levantou, e seguiu a Elias, e o servia” (1Rs 19:19-21).

1. A exclusividade da chamada. Deus faz seu convite a cada pessoa, homem ou mulher, independente de raça, cor, idade, ou posição social. No trabalho do Senhor, é Ele quem sabe verdadeiramente escolher a pessoa certa para a missão que Ele determinar.

Quanto à vocação de Eliseu, se dá no exercício laborioso de seu acostumado trabalho: lavrador. Pelotexto de 1Reis 19:19-21 percebe-se que Eliseu trabalhava nas terras de seu pai conduzindo doze juntas de bois quando Elias, por orientação divina, o escolheu para ser profeta em seu lugar. As doze juntas de bois usadas por Eliseu para arar a terra indicam que ele era uma pessoa de posses. Quando o texto diz que Eliseu “estava com a duodécima” significa que Eliseu trabalhava perto do 12º par.

Deus chama pessoas fieis, ocupadas, que tem consciência do custo da chamada e que sabem que o ministério profético é um servir. Não raro, a Bíblia nos apresenta profetas de Deus que tinham uma vida produtiva na sociedade, que contribuíam com seu trabalho. Por exemplo, Amós era boiadeiro quando foi escolhido por Deus para profetizar nos reinados de Uzias, em Judá, e de Jeroboão II, em Israel. Eliseu estava lavrando a terra quando foi chamado por Deus. O trabalho de Eliseu até então era voltado àqueles bois. Mas para seguir Elias, ele precisou desapegar-se de suas atividades, suas "normalidades" e tudo o que era comum em sua rotina externa e emocional. Mas ele não "recusou", nem "ignorou", nem "abandonou" nada. Eliseu imolouseu passado. Segundo o dicionário Aurélio, imolar significa sacrificar, matar. Ou seja, Eliseu matou os bois dos quais cuidava e quebrou os aparelhos que usava para conduzi-los. Não restava mais nenhum fragmento de sua velha vida. O ato de matar seus bois e quebrar os aparelhos que utilizava, demonstrava que ele assumia um forte compromisso de seguir Elias. Sem eles, não poderia retornar à sua vida de lavrador. Ele dependia agora apenas de Deus. Nada mais havia que o mantivesse amarrado à suas antigas atividades, pois tudo estava extinto; ele mesmo os havia extinguido. Isto é, se estivesse tudo bem ele continuaria seguindo e servindo Elias e honrando sua vocação, mas se estivesse tudo mal também seguiria e serviria Elias e honraria sua vocação. Agora ele estaria com Deus ou com Deus.Enfim, Eliseu entendeu que o ministério profético é um “servir”, por isso passou a servir a Elias. Rayond B. Dillard destaca que “o chamado de Deus para todos nós é a sinceridade ao comprometimento. Para alguns, isso significa deixar um negócio ou emprego para seguir uma vocação profissional no ministério. Para outros, significa servir dedicadamente em muitos diferentes empreendimentos. Seja qual for o nosso trabalho, quer no ministério ou num emprego, o chamado de Deus para o serviço e compromisso deve eclipsar todos os outros”(DILLARD, Raymond B. Fé em Face da Apostasia — o evangelho segundo Elias e Eliseu. Editora Cultura Cristã).

2. A autoridade da chamada. Além da exclusividade, aprendemos também que a chamada de Eliseu envolveu a autoridade que acompanhava Elias – “Elias passou por Ele e lançou a sua capa sobre ele” (1Rs 19:19). Este ato de Elias de “lançar a sua capa” foi entendido por ambos como um símbolo da transferência da liderança e do ministério. A capa era o mais importante artigo do vestuário que uma pessoa possuía. Era usada como proteção contra intempéries, como cobertor ou um lugar para se sentar. Às vezes era oferecida como garantia de uma dívida, ou rasgada em pedaços como sinal de pesar. Era também um símbolo de autoridade profética (2Rs 1:8; Zc 13:4; Mt 3:4). Elias lançou sua capa sobre os ombros de Eliseu, para mostrar que ele seria seu sucessor. Mais tarde, quando a transferência de autoridade foi concluída, Elias a deixou para Eliseu (2Rs 2:11-14).

É bom dizer que a sucessão não foi imediata. Houve um tempo entre o "lançar do manto" (1Rs 19:19) e o "cair do manto" (2Rs 2:14). Com Elias e Eliseu aprendemos que no processo sucessório não deve haver pressa. Tudo tem que ser no tempo de Deus. Wong(Liderando a Transição. São Paulo: Z3 Editora, 2012, p. 113) escreve: “Líderes precisam ser nutridos e precisam de espaço para crescer. Líderes mais velhos precisam dominar menos e delegar mais. Mais importante, os líderes precisam dar tempo àqueles sob seus cuidados. Elias e Eliseu pertenciam a uma era abençoada, onde o aprendizado acontecia com o professor e o estudante vivendo e trabalhando juntos. Sem a intervenção da alta tecnologia, eles estabeleciam um relacionamento de alto contato”.

Se os líderes atuais desejarem preparar a nova geração para os desafios do ministério, precisam investir nela agora. O aprendizado no ministério se dá através do ouvir, ver e fazer. É preciso capacitar e treinar, é preciso mentorear a nova geração.

III. ELIAS E O DISCIPULADO DE ELISEU

1. As virtudes de Eliseu. O relato de 2Reis 2:1-8 mostra algumas fases do discipulado de Eliseu. Era chegada a hora de Elias encerrar seu ministério e de Eliseu suceder-lhe. Contudo, primeiro Elias precisava visitar Betel, Jericó e o Jordão. Como servo fiel, Eliseu insistiu em acompanhá-lo a esses locais. Em Betel e Jericó, os discípulos dos profetas disseram a Eliseu que o Senhor levaria Elias, “elevando-o por sobre a cabeça” de Eliseu naquele dia. Isso tratava-se de uma referencia à prática de o discípulo se assentar aos pés de seu mestre e, portanto, de o mestre estar junto à cabeça do discípulo. Eliseu já sabia o que aconteceria e ordenou aos profetas: “calai-vos”. Não desejava falar sobre um assunto tão triste e sagrado. De Jericó, Elias e Eliseu foram ao rio Jordão. Cinquenta dos profetas os seguiram a certa distância. Quando Elias feriu as águas do Jordão com seu manto, elas se dividiram, e os dois profetas atravessaram em seco. Elias tinha vindo de Gileade, do lado oriental do Jordão, para começar seu ministério profético durante o reinado de Acabe (1Rs 17:1). No final do ministério, atravessou o Jordão novamente para voltar ao lado de onde saíra e ser levado para o Céu.

Quais são as virtudes que podemos destacar de 2Reis 2:1-8?

Em primeiro lugar, Eliseu demonstrou estar familiarizado com aquilo que o Senhor estava prestes a fazer (2Rs 2:1). Ele estava consciente de que algo extraordinário envolvendo o profeta Elias aconteceria a qualquer momento (2Rs 2:3) e que ele também fazia parte dessa história.


Em segundo lugar, Eliseu demonstrou perseverança quando se recusou a largar Elias. Ele fez questão de permanecer junto de Elias durante todo o tempo. Diferentemente dos “filhos dos profetas”, ele acompanhou seu mestre até o fim. Igualmente, o cristão autêntico, que diferencia-se neste mundo, segue Jesus de perto. Em Lucas 22:54, que trata da prisão de Jesus, lemos: “e Pedro seguia-o de longe”. Em seguida, o evangelista nos afirma das três negativas de Pedro para com Jesus. Hoje, muitos há que seguem Jesus de longe e o resultado disso é escândalo para o Evangelho. Se Eliseu tivesse seguido Elias de longe não teria sido o homem de Deus que foi. Somente os perseverantes conseguem chegar ao fim!

Em terceiro lugar, Eliseu provou ser um homem vigilante quando “viu” Elias sendo assunto aos céus! (2Rs 2:12). Quando os dois caminhavam juntos, Elias foi levado para o Céu. Eliseu teve o privilegio de testemunhar essa translação e, clamando disse: “Meu pai, meu pai”. Esta atitude demonstra o reconhecimento por parte de Eliseu de que Elias era o seu líder espiritual e o seu reverenciado predecessor.

A história da chamada de Eliseu e como se deu o seu discipulado deveria servir de padrão para os ministros hodiernos! Infelizmente a qualidade dos ministros evangélicos da atualidade tem caído muito e a fragmentação das Convenções e Concílios tem uma boa parcela de contribuição nesse processo. Geralmente o processo acontece pela disputa de domínio de determinado espaço ou território entre as lideranças, que não chegando a um consenso sobre as suas esferas de atuação, resolvem dividir de forma litigiosa determinado campo pastoral. Feito isso, a parte menor passa a consagrar ministros para que uma nova Convenção ou Concílio seja formado. É exatamente aí que as qualificações exigidas para a apresentação de um Ministro da Palavra, exaradas em 1Timóteo capítulo 3, costumam ser esquecidas. A consequência de tudo isso é: uma igreja local doente espiritualmente.

2. A nobreza de um pedido. Antes de ser assunto aos céus, Eliseu fez um pedido muito ousado, porém, bastante nobre: “Peço-te que haja porção dobrado do teu espírito sobre mim” (2Rs 2:9). Esta frase tem sido muitas vezes mal interpretada como um pedido para receber o dobro do Espírito que estava na vida de Elias, e os maiores milagres que ele realizou foram considerados como indicação dessa assertiva. No entanto, esse pedido estava baseado em Deuteronômio 21:15-17, onde a mesma expressão “porção dobrada” é aplicada àquilo que o primogênito recebia da herança de seu pai, ou seja, o filho primogênito recebia o dobro da herança que os demais (Dt 21:17). Eliseu estava pedindo que seu pai espiritual (Elias) fizesse dele o seu principal herdeiro do seu espírito profético, para, deste modo, ele executar a missão de Elias. A resposta de Elias era que não podia conceder esse pedido; somente Deus tinha o poder para tanto. Porém, se o Senhor permitisse a Eliseu presenciar a sua subida ao céu, então ele receberia a “porção dobrada” (2Rs 2:10). Deus atendeu ao pedido de Eliseu, sabendo que o jovem profeta estava disposto a permanecer fiel a Ele, apesar de toda a apostasia espiritual, moral e doutrinária nos dois reinos, de Israel e de Judá. Seu principal objetivo não era ser melhor ou mais poderoso que Elias, mas realizar mais para o Senhor. Se nossos motivos forem honestos, não precisamos ter medo de pedir grandes coisas a Deus. Quando pedimos ao Senhor grande poder ou capacidade é necessário que examinemos nossos desejos e livremo-nos de qualquer egoísmo que encontramos. Se desejarmos obter a ajuda do Espírito Sano, devemos estar prontos para pedir isso.

O dobro de milagres! Eliseu realizou do dobro de milagres de Elias. Este, sete; aquele, quatorze, exatamente o dobro da porção do profeta. Os 14 milagres de Eliseu são: (1) dividir as águas do Jordão (2Rs 2:14); (2) sanear uma fonte (2Rs 2:21); (3) amaldiçoar zombadores (2Rs 2:24); (4) encher os poços com água (2Rs 3:15,26); (5) multiplicar o azeite de uma viúva (2Rs 4:1-7); (6) predizer uma gestação (2Rs 4:17); (7) fazer voltar à vida um jovem morto (2Rs 4:32-37); (8) neutralizar veneno (2Rs 4:38-41); (9) multiplicar pães (2Rs 4:42-44); (10) curar a lepra de Naamã (2Rs 5:1-19); (11) amaldiçoar Geazi com lepra (2Rs 5: 20-27); (12) preparar armadilha para a força militar Síria (2Rs 6:8-25); (13) revelar um exército de anjos (2Rs 6:15-16); e (14) predizer o alívio para a sitiada Samaria (2Rs 6:24-7:20).

IV. O LEGADO DE ELIAS

1. Espiritual. Este gigante da fé nos deixou um rico legado espiritual que deve ser imitado por todos aqueles que cristãos dizem ser. Apresentamos abaixo algumas virtudes espirituais de Elias: um homem mui zeloso, e foi esse zelo que o fez ir até as ultimas consequências na sua defesa da adoração verdadeira (1Rs 18:1-36); um homem extremamente ousado, e isto é facilmente percebido quando ele enfrentou o rei Acabe e prediz a grande seca sobre Israel (1Rs 17:1); um homem possuidor de grande fé, e isto é facilmente perceptível no episódio do Monte Carmelo quando ele sozinho enfrentou os 450 profetas de Baal e os 400 do poste-ídolo Aserá, levando o povo de Israel a reconhecer que “só o Senhor é Deus”. Eliseu teve esse legado espiritual como herança.

2. Moral. Elias não era apenas um homem dotado de grande relevância espiritual, mas também portador de singulares predicados morais. Um padrão moral moldado pela Bíblia é a maior necessidade de um cristão, principalmente os que lideram, na casa do Senhor. As pessoas podem até achar que você não tem grandes habilidades administrativas, técnicas, ou pedagógicas, mas elas precisam ver que você é um homem ou uma mulher temente a Deus.Quando uma pessoa é salva existem evidências da sua salvação. Se alguém diz “eu sou salvo”, mas continua a mentir, roubar e viver imoralmente, é muito claro que não está salvo. Se você é salvo, sua conduta muda como evidência de que alguma coisa mudou no seu interior – no coração. Em 2Corintios 5:17 está escrito: “Se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Se não há uma mudança de conduta, então o coração não mudou.

Elias demonstrou que era um homem transformado, não somente portador de grandes virtudes espirituais, mas também de grandes valores morais. A forma como foi usado por Deus confrontando Acabe é um exemplo para todos os que são seduzidos a adular as lideranças ímpias. A percepção do que era certo, ou errado, do que era justo, ou injusto, era patente na vida deste grande profeta de Deus. Por isso ele teve autoridade espiritual e moral para repreender severamente o rei Acabe, quando este consentiu no assassinato de Nabote. Elias também foi um exemplo de obediência em relação à sua substituição; não teve receio de ser substituído por outra pessoa; não teve medo de Eliseu ser mais conhecido que ele, ou de ser mais "poderoso" nem de ter um ministério mais longo. Elias simplesmente obedeceu a Deus e "formou" Eliseu, deixando para Israel um profeta de grande quilate. Portanto, o profeta Elias é digno de ser imitado nestas duas esferas da vida – espiritual e moral -, que fazem o caráter do autêntico servo de Deus.

CONCLUSÃO

Eliseu não apenas herdou a primazia do poder do Espírito que operava em Elias, mas foi herdeiro também do seu caráter, de sua integridade e de sua fidelidade ao Senhor. O que os líderes atuais estão deixando para as novas gerações de líderes, para os nossos sucessores? O que eles estão fazendo por eles? Ainda são referenciais como Elias foi para Eliseu? Nossa “capa” é ainda desejada pelos mais jovens? Qual o nosso legado?

Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 53 – CPAD.
A Teologia do Antigo Testamento – Roy B.Zuck.
Comentário Bíblico Beacon, v.2 – CPAD.
Porção Dobrada – Pr. José Gonçalves – CPAD.