segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dificuldades da Vida Cristã




Em todas as cidades há muitos crentes solitários, tremendo de frio espiritual, agachando-se para evitar os que lhe desejam fazer bem. São pessoas feridas em seu espírito, surradas verbalmente desta ou daquela maneira pelos irmãos da fé. Veem-se indignas diante de Deus, e temem partilhar sua vida com outro ser humano, pois seriam condenadas e rejeitadas.

Isaías viu com perfeição o coração de Jesus, e o que ele viria fazer. Resumiu o caráter e o ministério de Jesus no capítulo 42:3 de sua profecia: “Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega...”. Os fariseus descartavam-se das pessoas que haviam falhado na vida, mas Jesus restaurava aquelas canas esmagadas, transformando-as em instrumentos musicais que tocavam seu cântico da graça.

A nossa aceitação diante de Deus e da igreja não depende do nosso desempenho e do nosso comportamento.; mas sim do amor ÁGAPE de Deus.Ele está levando-nos a ver que o modo de caminhar ao seu lado não é mediante uma lista de regras impostas de fora, mas mediante a vida interior e os apelos do Espírito Santo.

Não havia perdão na lei de Moisés para o adultério, nem para o assassinato, de modo que a lei o condenava sem misericórdia. O povo espalhava intrigas, dizendo que Deus o havia posto fora.

Entretanto, Davi enxergava além de todas as condenações, viu Deus, e ousou crer que o Senhor o amava infinita e eternamente. Foi esse o amor que Davi apelou ao escrever: “Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões.” (Sl 51:1).

No versículo 11: “Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito.” Davi sabia que Deus não o tinha jogado fora, e que o Espírito Santo ainda estava nele. Não importava o que as pessoas diziam: Davi descansava naquele Deus cujo amor não o lançara fora.

Você está magoado, solitário, cheio de sentimentos de culpa?

Você precisa entender que falhou, mas tendo falhado, que Deus diz que o aceita e o ama. Antes de a graça de Deus transformar nossos erros em forças, é preciso que respondamos através do arrependimento e a fé.

O arrependimento é simplesmente a mudança de nossa mente a nosso respeito, e de nossas ações. Significa que admitimos a Deus que estamos errados, e voltamo-nos a ele. Se escolhermos o caminho do pecado, recusando-nos a reconhecer o pecado, não podemos esperar a redenção dos nossos fracassos, mas apenas uma composição de desespero.

A fé reage ao amor de Deus e seu perdão, que nos pertencem, na obra redentora de Jesus, quando ele morreu e ressuscitou. Fora de Cristo só existe desespero por causa do fracasso.

O cristão contempla suas derrotas e erros, e volta-se para o perdão total de Deus e para a obra redentora de Cristo, que agora mora dentro dele. A fé ousa afirmar que Deus transforma os buracos negros de nossa vida nos alicerces de seu edifício mais lindo.



Cristo não vive e não se expressa no mundo de desejos e sonhos, mas em nossa história real, presente. Nossos erros e fracassos não o expulsam! Ele transforma todas as coisas negativas da vida em expressões de resposta positiva dele mesmo. Ele não diz: “Que teria acontecido se...” mas pergunta: “Que faremos agora?”.

O evangelho não é apenas mensagem de perdão, mas de esperança, de que Deus transformará o pior no melhor. Diz-nos o evangelho que Deus agora está operando em nossa situação, como somos, onde estamos, a fim de dar glória ao seu nome.

Deus não se mostra indulgente para o pecado, e tampouco interrompe seu plano, reclamando: “Ah! Se ele houvesse visto onde eu queria chegar!”. “Rendei Graças ao Senhor, porque a sua misericórdia dura para sempre” (2 Cr. 20.21)

Transcrito por Litrazini
http://www.kairosministeriomissionario.blogspot.com.br/

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Aula 12 – AS DORES DO ABANDONO


Texto Básico: 2Timóteo 4:9-18

“Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca”(Sl 68:6)

INTRODUÇÃO

Estamos estudando neste trimestre a respeito das aflições do justo; uma série de Aulas que tentam explicar por que passamos por aflições. Na primeira Aula vimos que, enquanto estivermos neste mundo, as aflições são inevitáveis na vida do crente.

Nesta Aula, estudaremos os efeitos que o abandono ocasiona na vida do servo de Deus. O abandono é uma das piores experiências pelas quais um ser humano pode passar. Pense em um soldado sendo abandonado para morrer em um campo de combate; ou um pastor, que depois de dedicar toda sua vida à uma igreja, ser abandonado por ela na sua velhice; ou ainda um bebê sendo deixado de lado por sua própria mãe. Pasmem, esses incidentes acontecem com frequência e que não estão distantes de nós. Nem Jesus escapou do abandono; antes de ser crucificado, foi deixado de lado por todos os seus discípulos. O nosso consolo é saber que Deus não nos deixa só. O Senhor nos enviou o Espírito Santo justamente para nos consolar e nos guiar em todas as coisas (João 14:16).

I. O ABANDONO FAMILIAR

A família em nossos dias vem sofrendo os mais duros ataques por parte do Diabo. Vícios no lar, infidelidade dos cônjuges, alto índice de divórcio, drogas, violência doméstica e abandono de filhos são alguns dos exemplos mais comuns dessa ação diabólica. Satanás sabe muito bem que se atingir a família, atingirá a sociedade como um todo, bem como ao maior projeto estabelecido por Deus para salvação da humanidade, que é a Igreja. Certamente a manutenção da instituição familiar constitui-se no maior desafio que se nos apresentam nos dias de hoje, no presente século. O adversário de nossas almas tem atacado violentamente a família, porque sabe que, uma vez atingida a família, a um só tempo, estará destruída tanto a sociedade, quanto cada um dos integrantes da família.

O comportamento humano é construído sobre os alicerces lançados na família. Entretanto, a cada dia fica mais difícil encontrar famílias saudáveis. É comum famílias desestruturadas que não cuidam dos seus próprios integrantes, não lhes suprindo as mais básicas necessidades. Muitas das vezes abandonam seus ente queridos nos momentos em que mais precisam de amparo. Paulo adverte que “se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel”(1Tm 5:8).

Este tópico da nossa lição fala em especial de três situações de abandono na família:

1. Na doença. A sentença divina sobre o homem, por causa do seu pecado, atingiu diretamente a questão da saúde. A terra foi maldita e, como algo maldito, traria infelicidade, incômodo e aborrecimento para o homem(ler Gn 3:17). A natureza passou a colaborar para um crescente desequilíbrio do organismo humano, desequilíbrio que levaria, mais cedo ou mais tarde, à extinção da atividade, com a degeneração do organismo, que estaria fadado a se desfazer, voltando a ser pó, o mesmo pó que o Senhor havia tomado para formar o homem. Ninguém, portanto, está imune às doenças, nem mesmo os filhos de Deus.

Quando a doença chega, todos precisamos de ajuda das pessoas da família. Mas, infelizmente, o que se tem visto é o abandono nesses momentos mais necessários; abandonam o doente à própria sorte, demonstrando assim uma atitude impiedosa e anticristã, uma verdadeira ausência de amor a Deus e ao seu próximo. Uma pessoa que não demonstra amor ao seu próximo, que vê, como amará a Deus que nunca viu?(1João 4:20).

2. No vício. O Diabo sempre teve interesse em devorar o ser humano através de seus ardis (1Pe 5:8). As drogas de um modo geral têm sido usadas por Satanás para destruir o ser humano, tanto jovem, adolescentes, adultos, as famílias constituídas. O desejo dele é a preservação da humanidade fora dos planos da salvação de Deus.

Muitos não suportam uma pessoa viciada conviver no seu mesmo ambiente social, por isso a abandonam à própria sorte, o que faz ainda mais piorar a vida dessa pessoa. Sem direção e desamparada, a pessoa viciada perde a noção de certo e errado e, para satisfazer o vício, é capaz de roubar e até matar. Alguns chegam até o suicídio, por se sentirem sozinhos e abandonados pelos amigos e pelos da família.

Lidar com viciado não é fácil, mas é nessa hora que a família precisa fazer-se presente e estar unida para ajudá-lo a livrar-se dos vícios. Todavia, a pessoa drogada deve aceitar, incondicionalmente, a mão amiga, quando esta oferece ajuda a qualquer custo.

Um dos maiores problemas a ser vencido, para a pessoa que usa qualquer substância química, é a dificuldade de amar o próximo, pois o amor ao seu ego, faz com que a pessoa fique cega para as pessoas que estão ao seu redor. Para ela só existe sua satisfação, custe o que custar e para quem custar. Desta forma, a pessoa dependente química ofende muito aqueles que a amam e deve se arrepender, pedindo a Deus que a lave com Seu precioso sangue, e também deve pedir perdão às pessoas ofendidas, que foram roubadas e que as deixaram sem dormir de preocupação, ferindo-as, humilhando-as, e deixando-as sem esperança em suas vidas pessoais devido a sua situação.

3. Na terceira idade. A chamada terceira idade é talvez o momento em que as pessoas mais precisam de assistência por parte dos seus familiares, em razão do esmaecimento das forças, com as consequentes doenças. Em nossa sociedade, muitas vezes, os idosos são desprezados; algumas famílias chegam a desampará-los por completo, colocando-os em casas de repouso ou asilos, sem nenhuma assistência familiar. A Bíblia relata que os mais velhos devem ser respeitados e ouvidos pelos mais novos (Js 23:1-2; Lm 5:12,14; Lv 19:12; Ex 20:12). O mandamento do Senhor de honrar o pai e a mãe continua válido para os dias atuais (Ef 6:1-3).

II. O ABANDONO EM SITUAÇÕES DIFÍCEIS

Existem muitas situações difíceis pelas quais podemos sofrer as consequências do abandono em nossa vida. Dentre elas o comentarista da lição destaca:

1. O Abandono no desemprego. O desemprego é um dos fatores mais drásticos que uma pessoa pode passar, principalmente aqueles que tem família para sustentar e com débitos pendentes de liquidação. Geralmente, nessas horas até mesmo aqueles que se diziam amigos desaparecem; até os familiares fogem, pois temem emprestar dinheiro e ouvir as lamentações do desempregado. A Bíblia ensina a amar o próximo e ajudá-lo nos momentos de necessidade(ver Lc 10:25-37). Creio que se formos fiéis ao Senhor ele não nos abandonará nesse momento difícil. Está escrito que “o Senhor não desampara os seus santos”(Sl 37:28).

2. Da amizade. A Bíblia nos mostra exemplos de amizade verdadeira, sincera e desinteressada, como a de Davi e Jônatas (1Sm 18:1), ou a de Rute e Noemi (Rt 1:8-18). É o desejo de todos nós ter uma amizade como essa. Mas é frequente as pessoas serem traídas por aqueles que pareciam grandes amigos. Até Paulo sentiu a dor do abandono de seus amigos mais chegados (cf 2Tm 4:16). Ele sentiu de perto o peso do abandono da amizade, num momento em que mais precisava de uma mão amiga. Já perto do fim da sua vida, preso em Roma, Paulo reclama a Timóteo do abandono de seus irmãos mais próximos. O texto básico desta Aula (2Tm 4:9-18) mostra claramente os sentimentos de tristeza e abandono que tomaram conta de Paulo nesse momento difícil. Paulo sabia que estava chegando perto do fim de sua vida, e pede a Timóteo que vá vê-lo depressa. Mais do que precisar da companhia de Timóteo, Paulo queria lhe ministrar um último ensinamento: mostrar a Timóteo como um cristão deveria morrer por sua fé. Em seguida, Paulo esclarece o porquê está sozinho: Demas o havia desamparado, amando as coisas do mundo; Crescente, Tito e Tíquico também estavam longe, provavelmente pregando o Evangelho; apenas Lucas tinha ficado com ele. E por isso Paulo pede a Timóteo que tome a Marcos e vá vê-lo (convém notar que este é o mesmo João Marcos, sobrinho de Barnabé, que Paulo recusou anos antes como companheiro, porque ele os tinha abandonado na viagem, mas agora ele era útil, e Paulo o reconheceu). Paulo relata a Timóteo o problema que teve com Alexandre, o latoeiro (provavelmente o mesmo blasfemador citado em 1Tm 1:20), para que Timóteo guarde-se dele. Paulo termina o relato dizendo que ninguém o assistiu em sua defesa, mas ele sentiu a presença do Senhor o amparando – “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto não seja imputado”(2Tm 4:16). Nota-se que Paulo se recusou a ficar amargurado por essa experiência. Sua oração pelos que o abandonaram é semelhante à oração de Estevão por seus assassinos: “Senhor, não lhes imputes este pecado”(At 7:60).

A Bíblia nos adverte a não abandonar o amigo – “Não abandones o teu amigo... (Pv 27:10). Devemos ser fieis, leais e amorosos – “Em todo tempo ama o amigo...” (Pv 17:17).

3. Da igreja. É dito por muitos que a igreja é a extensão do lar, da família. Um dos muitos modos de referir-se à igreja é como família de Deus. Entende-se que a família vive de relacionamentos, logo, como espaço para relacionamentos, precisa proporcionar um ambiente propício a que seus membros possam relacionar-se saudavelmente. Nós somos membros uns dos outros, então, devemos cuidar uns dos outros. Infelizmente, há igrejas que se esquecem de seus membros, não os visitam, não oram por eles e não lhes tratam as feridas. Até mesmo os missionários muitas vezes estão abandonados pelas igrejas que os enviaram, passando por diversas necessidades. Jesus disse que os falsos cristãos seriam caracterizados justamente pelo desamor e desprezo em relação aos desvalidos (Mt 25:31-46).

É hora de acordarmos para este problema; a igreja precisa tratar as carências dos seus membros. Somos um só corpo (1Co 12:12); se um membro padece, todo o corpo padece (1Co 12:26-27). Devemos cuidar e zelar uns dos outros, para que a igreja de Cristo desfrute perfeita saúde. Deus deseja que Seus filhos vivam em comunhão uns com os outros (Sl 133) e que os desvalidos, desfavorecidos e vitimados pela vida encontrem apoio, atenção e ajuda em Sua casa (Tg 1:27). Convém lembrar que Deus usa os crentes para consolar outros crentes, como fez com Tito em relação a Paulo (2Co 7:6).

III. O DEUS QUE NÃO ABANDONA

1. Na angústia. É justamente nos momentos de angústia e aflição que o ser humano sente-se esquecido por todos, inclusive pelos mais chegados. Quantas vezes nos sentimos sozinhos, angustiados e esquecidos pelos nossos amigos, parentes e pelos nossos irmãos em Cristo. Mas, mesmo nos momentos difíceis da vida, existe alguém que nunca nos abandona, Jesus.

Portanto, se a angustia bater no seu coração, lembre que você pode invocar o Senhor. O Salmo 50:15 diz: "invoca-me no dia da angustia, eu te livrarei, e tu me glorificarás". Foi assim que Ana alcançou a benção de ter um Filho (1Sm 1). Foi assim que Moisés alcançou os milagres nas horas mais difíceis. Foi assim que aconteceu com o cego de Jericó; ele gritava pedindo que Jesus tirasse dele aquela angústia, a cegueira física: “Jesus Filho de Davi, tem misericórdia de mim”; o Senhor atendeu o seu pedido, ele foi curado, física e espiritualmente. Jairo também foi até Jesus num momento de angústia, a sua filha estava morrendo; quando estava pedindo a misericórdia do Senhor, recebe uma má noticia: “não precisa mais incomodar o Mestre, ela[a criança] já morreu”. Em muitas das vezes você vai encontrar pessoas que querem incentivar você a desistir, mas não desista! Jairo mesmo recebendo a noticia da morte de sua filha confiou em Jesus e alcançou a benção. Somente em Deus encontramos refúgio e fortaleza nos momentos de angústia. Está escrito:“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia” (Sl 46:1).

É bom ressaltar que Deus nem sempre nos livra “da” angústia, mas “na” angústia. Ele não é o Deus da previsão e sim, da provisão. Não é o Deus da previdência e sim da providência. Ele não age antes, mas também não se atrasa. Ele disse: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”(Mt 28:20).

Seja qual for as tuas angústias ou problemas, continuem confiando em Deus. Ele nos livra “nos” problemas e “nas” angústias – “Ele me invocará, e eu lhe responderei; estarei com ele na angústia; livrá-lo-ei e o glorificarei” (Sl 91:15).

2. O amigo. O verdadeiro amigo é aquele que se dispõe a tomar a carga do outro, de colocar o seu próprio destino juntamente ao do outro, de compartilhar as agruras, as dificuldades e as adversidades. O amigo se conhece no momento das dificuldades, não no momento das vitórias e das realizações. Como diz Salomão, o amigo ama em todo o tempo (Pv 17:17a) e não pode abandonar o seu amigo (Pv 27:10).

Ser amigo é algo muito profundo e, em um modo geral, nunca teremos muitos amigos, pois é muito intensa a intimidade do amigo. Esta intimidade faz com que tenhamos, quase sempre, poucos amigos, mas não importa a quantidade, mas, sim, a qualidade desta amizade. Os amigos de Paulo não eram muitos(Cl 4:11), mas o suficiente para que o apóstolo não ficasse desamparado e prosseguisse o seu ministério.

Os amigos não são muitos, mas, mais importante do que isto, é saber que o crente, além de ter os seus indispensáveis amigos, tem um amigo que é mais chegado do que um irmão (Pv 18:24b), a saber, o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Jesus chamou Seus discípulos de amigos, em lugar de servos (João 15:15). Nós também temos esse privilégio. Ele é o amigo fiel, que não nos abandona na hora da angústia.

Ao morrer em nosso lugar, Jesus ofereceu a maior prova de amor e lealdade que um amigo pode dar (João 15:13). Cristo morreu na cruz do Calvário para que hoje tivéssemos direito à vida eterna. Para termos esse amigo fiel ao nosso lado, apenas precisamos aceitá-lo como Salvador pessoal. Ele tomou sobre Si nossas enfermidades e nossas dores (Is 53:4), inclusive as dores da discriminação e do abandono.

Abraão foi chamado de “amigo de Deus”(2Cr 20:7;Is 41:8; Tg 2:23). O fato de Abraão ser chamado de “amigo de Deus” já é suficiente para buscarmos seguir o seu exemplo, já que, como servos do Senhor Jesus, também somos reputados como seus amigos (João 15:15). Se Abrão é chamado amigo de Deus é porque tinha o mesmo sentimento de Deus, tinha uma profunda comunhão com o Senhor. Comunhão é o estado em que há uma comunidade de sentimentos, de propósitos, de ideias, ou seja, os sentimentos, os propósitos e as ideias de Abrão e de Deus eram iguais, eram idênticos, eram comuns. Disse Jesus: “Vós sereismeus amigos, se fizerdes o que eu vosmando” (João 15:14).

3. A sua Igreja. A igreja é um projeto exclusivamente divino, concebido, executado e sustentado por Deus. É por isso que podemos ter a certeza, e a história tem demonstrado isto, que nada pode destruir a Igreja. Durante estes quase dois mil anos em que a igreja tem participado da história da humanidade, muitos homens poderosos se levantaram contra a Igreja, tentaram destruí-la e não foram poucas as vezes em que se proclamou que a Igreja estava vencida. No entanto, todos estes homens passaram, mas a Igreja se manteve de pé, vencedora, demonstrando que não se trata de obra humana, mas de algo que é divino e contra o qual todos os poderes das trevas não têm podido prevalecer. Jesus prometeu que estaria com a Igreja, sempre: “eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos”(Mt 28:20). Ao revelar o Seu mistério, isto é, a Igreja, disse que a edificaria e que as portas do inferno não prevaleceria contra ela(Mt 16:18).

Jesus foi constituído Senhor sobre todas as coisas (Mt 28:18; Rm 14:9) e não deixaria de sê-lo com relação à sua Igreja, que Ele comprou com o seu próprio sangue (At 20:28). Tendo criado a Igreja, nada mais natural que seja o seu Senhor, o seu Rei, o seu Governante. Portanto, Jesus jamais abandona a Sua Igreja.

CONCLUSÃO

Na época do profeta Isaias, o povo de Israel experimentaram grande sofrimento e, por isso, se sentiam abandonado e esquecido por Deus. Mas Deus lhes deu a seguinte resposta: “Pode uma mulher esquecer-se também do filho que cria, que se não compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas, ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, me não esquecerei de ti”(Is 49:15). Esta resposta de Deus é a garantia divina a todo crente que passar por períodos de provação, ou até mesmo ser esquecido pelo seu ente querido. O amor de Deus por nós é maior do que a afeição natural que uma mãe amorosa dedica a seus filhos. Sua compaixão por nós nunca cessará, sejam quais forem as circunstâncias da nossa vida. Ele zela por nós com grande amor e ternura, e estejamos convictos de que Ele nunca nos abandonará. A evidência do grande amor de Deus é que Ele nos gravou nas palmas das suas mãos, de tal maneira que nunca nos esquecerá. As marcas dos cravos nas suas mãos, estão sempre diante dos seus olhos como lembrança do grande amor que Ele tem por nós, e do seu cuidado. Portanto, ainda que a família e os amigos venham a abandonar-nos, Deus sempre nos acolherá. Ele está sempre ao nosso lado. Amém!



Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com

Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 51 – CPAD.



AS DORES DO ABONDONO


AS DORES DO ABONDONO

Texto Áureo = Deus faz que o solitário more em família; tira os cativos para a prosperidade; só os rebeldes habitam em terra estéril. (Sl 68.6).

Leitura Bíblica = Zacarias 1: 1; 8:1-3,20-23

9 - Procura vir ter comigo depressa.

10 - Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia

10 - Porque Demas, tendo amado o presente século, me abandonou e se foi para Tessalônica; Crescente foi para a Galácia, Tito, para a Dalmácia.

11 - Somente Lucas está comigo. Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério.

12 - Quanto a Tíquico, mandei-o até Éfeso.

13 - Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, bem como os livros, especialmente os pergaminhos.

14 - Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe dará a paga segundo as suas obras.

15 - Tu, guarda-te também dele, porque resistiu fortemente às nossas palavras.

16 - Na minha primeira defesa, ninguém foi a meu favor; antes, todos me abandonaram. Que isto não lhes seja posto em conta!

17 - Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças, para que, por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem; e fui libertado da boca do leão.

18 - O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém!

Introdução

A lição deste domingo aborta um tema de grande relevância na sociedade moderna. Diante do desafio do dia a dia, a igreja composta pelos membros e obreiros, devem estar atentos aqueles que por inúmeras situações podem ser abandonadas. O tema proposto requer de cada um de nós uma responsabilidade ainda maior com aqueles que podem se encontrar em situação de abandono.

Que o Espírito de Deus, de sabedoria a cada um dos seus servos para encontrar em nosso meio pessoas que necessitam de ajuda.

I. O ABONDONO FAMILIAR

A família é criação divina e, contudo uma obra de Deus. Quando criado por Deus o homem começou a sua trajetória na terra como solitário. Lembramos-nos do que disse Deus; “Não é bom que o homem esteja só”; (Gn 2.18). Deus viu a necessidade de o homem ter alguém com quem conversar dividir, conquistar etc. A necessidade não era apenas para permanência ou continuação da “espécie”, havia um pensamento divino sobre isso.

E disse Deus, não é bom que “este” homem esteja só. Na realidade o que Deus queria dizer, era que o homem não tem condição de estar só. O sentimento de solidão era a maior preocupação de Deus quando criou o homem e o fez habitar no seu jardim.

Contudo a criação divina não suportaria viver abandonado ou simplesmente incomunicável com outro semelhante. É comum ouvir que na criação o homem andava pelo Jardim de Deus, e observava todas as criaturas criadas por Ele, andarem com seus respectivos pares, isso é verdade. Na presciência divina aquilo que parecia normal, digamos assim, para Adão, não era normal para o SENHOR. A obra da criação só poderia ser completa e perfeita se nenhum item ficasse faltando. Surge a necessidade de se criar uma parceira ao homem, para que a solidão não o trouxesse o sentimento de abandono.

No mundo atual existem bilhões de pessoas que passam a maior parte de sua vida em uma sociedade onde a comunicação com outros semelhantes é considerada comum e normal. Alguns destes indivíduos, mesmo vivendo num mundo tão populoso vivem em estar em situação de solidão e abandono. Contudo não é o estar em meio a multidão, que nos torna mais ou menos solitários. É imprescindível que observemos algumas situações.

A= O auxilio familiar na ora da doença.É imprescindível que homem esteja atento aos seus familiares doentes. Não é raro ouvir que algumas pessoas foram abandonadas pelos seus familiares quando se encontram enfermas. Essas pessoas que muitas vezes estavam na igreja e participavam dos cultos, a partir do momento que se encontram enfermas, são esquecidas pelos “irmãos” e lembradas de vez em quando por um pedacinho de papel com os seguintes dizeres; “ o irmão... pede oração”. Quando muitas vezes ele precisa realmente é de uma visita do pastor, da dirigente do circulo de oração, ou de um membro qualquer que seja ele simplesmente precisa.

Quando entramos em uma tribulação, pois uma enfermidade se torna uma tribulação para quem esta passando por ela. Contudo a doença é agravada quando não se tem um apoio necessário. O sentimento de abandono pode agravar ainda mais.

B= O vicio na sociedade moderna tem se tornado um desafio tanto para as autoridades responsáveis, quanto paras famílias. As drogas prejudicam em primeiro lugar a vida de quem usa e como consequência lógica. Numa família estruturada onde os pais acompanham a criação dos filhos. Onde existe uma supervisão dos pais, com padrões básicos de perguntas como; onde estão? Com quem estão? Onde moram? Como são os pais deste “coleguinha”? e ai por diante, dificilmente sofreram com este problema.

Como servos do SENHOR, podemos não saber de muitas coisas, mas temos a mente de Cristo, e sabemos que quando orientamos os nossos filhos na direção certa, a obrigação de ensinar cabe exclusivamente sobre aos pais. Nos dias hodiernos a educação dos filhos tem passados para escolas e professores. Como professor sei que muitos que saem da faculdade não são aptos se quer para educar os seus próprios filhos. A escola existe para transmitir conhecimento, ensinar aos pequenos a ler, escrever etc. A educação propriamente dita é dada no seio familiar, deste a menor idade até a fase adulta.

Educar é uma tarefa árdua e exaustiva, e requer um esforço redobrado quando queremos que nossos filhos sejam fieis ao SENHOR. Uma família desestrutura, tem uma grande possibilidade de gerar filhos desestruturados, e com isso vítimas frágeis diante dos vícios.

C= Na velhice, a melhor idade é um momento crucial na vida de todo o ser humano que consegue alcança-la. A expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando nas últimas décadas. Estamos vivendo mais e melhor. Com o crescimento dos números de pessoas com mais de sessenta anos, surgiu uma preocupação pouco relevante nos séculos passados, que é o cuidado com os velhos.

A questão familiar já era uma preocupação nos tempos bíblicos, cuidar daqueles que cuidaram dos seus (Ef 6.1-3). Não é novidade em nosso meio, casos de pessoas idosos abandonados em asilos ou nas chamadas casas de repousos. Esses que na maior parte de suas vidas se dedicaram na criação dos filhos, hoje se encontram em situação critica de miséria e abandono. Vivemos no meio de uma geração corrupta e sem amor ao próximo, numa sociedade privada da dedicação e amparo.

Conheci um casal, destes onde um filho abandonou a mãe numa cada de repouso, porque a velhinha não “cabia em sua vida”. O que impressiona é a deslealdade a que submetem o ser humano. É claro que nem todos agem da mesma forma, ou se comportam igual. Existem aqueles que prezam pelo bem estar dos seus.

Contudo existem aqueles senhores e senhoras, que mesmos possuidores de cuidados pela idade que possuem, preferem viver muitas vezes em suas casas, onde criaram seus filhos. Estas pessoas que por sua particularidade, preferem viver em seus domicílios onde possuem “liberdade”.

Diante deste fato não se pode, principalmente em nosso meio, a desculpa de não sobrou tempo para visitar o pai, a mãe, um parente ou até mesmo um amigo. Precisamos estar atentos esta ocorrendo ao nosso derredor.

A igreja chamada “primitiva” tem muito a nos ensinar, quando por sua vez os apóstolos estavam preocupados com pregação da palavra, existia uma classe de pessoas desamparadas e isso acontecia dentro da igreja. “Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária”(At 6.1). Neste texto a palavra esquecida se aproxima do sentido abandonada. Na distribuição diária de alimentos que ocorriam entre os irmãos havia uma classe de pessoas que simplesmente não estavam fazendo parte do rol dos beneficiados. As viúvas esquecidas não tinham quem lutasse por elas, até aquele momento. Pense nisso, muitas vezes envolvidos em muitas ocupações esquecemos alguns que necessitam de um amparo.

II O ABANDONO EM SITUAÇÕES DIFICEIS.

A= O desemprego é um dos fatores sociais que mais trás consequência na vida de um ser humano. Diante do fato do desempregado, ter em sua maioria uma família pra sustentar, ele esta por sua vez sem o amparo do salário mensal. Por menor que seja este salário o individuo consegue organizar as suas dividas e contornar o mês sem muitos contratempos. Por outro lado o desemprego desencadeia uma série de consequências inimagináveis. Começa pela alta estima do individuo, que dependendo do grau de formação, e a idade, pode ser maior ou menor conforme cada pessoa.

Mas o fato de estar desempregado gera o transtorno financeiro, que além de prejudicar a vida cotidiana, prejudica a relação entre os que estão vivendo esta situação. Portanto o desemprego gera um grande desconforto entre os que passam por esta situação.

Muitas famílias entram em colapso por causa de uma demissão não esperada. E é neste momento que muitas vezes faltam os amigos, vizinho e até mesmos os parentes. E quando se trata de um lar cristão, os irmãos devem estar atentos às condição financeira (Gl 6.10).

É possível que muitos dos irmãos que passem por dificuldades financeiras podem ser esquecidos pela igreja. O abandono nesta situação pode gerar um trauma na vida espiritual destas pessoas.

B= A igreja deve ser o lugar onde o abandono deveria ocorrer com menor frequência. Mas isso é algo ainda a ser superado em muitos lugares. As reuniões que ocorrem na igreja, muitas vezes não se conseguem enxergar os problemas que cada irmão esteja passando. Mas estas pessoas em hipótese nenhuma podem ser abandonadas. Deve haver departamentos que cuidam destas pessoas dentro da casa do SENHOR. Quanto maior for a igreja, maior será o número de pessoas que podem se sentir abandonadas. Lembramos-nos das palavras de Jesus que disse; “Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me.” ( Mt 25.39)

III O DEUS QUE NÃO ABANDONA

Diferentemente da ação do homem em relação ao seu semelhante, encontramos um Deus que se preocupa com os seus. Diante de toda sorte de desfavores o nosso SENHOR sempre está presente. Encontramos nos textos bíblicos muitos personagens que por estarem na dependência exclusiva de Deus conseguiram suportar as angustias. O nosso SENHOR sempre aparece nos momentos mais difíceis, como foi no caso de Elias. O profeta que se encontrava numa situação de extrema dificuldade espiritual, num momento de crise ministerial ( 1 Rs 19), procurou com toda sua força uma saída para aquela situação.

Mas Deus sempre tem a resposta certa no momento certo. Deus esperou Elias ponderar todas as suas críticas, suas angustias, todos seus problemas (vers 14). A voz do SENHOR ecoou dentro da caverna; “o que fazes aqui Elias,” o profeta não teve uma resposta convincente. No momento em que Elias se sentia abandonado, o SENHOR se apresenta a ele como uma mensagem de animo, dizendo que deveria continuar a sua jornada, deveria sair da caverna (vers. 15).

Quantos que encontramos no decorrer da nossa vida, ou até nos mesmos, que possuem uma caverna para se esconder do mundo, dos problemas, das dificuldades. A caverna é o lugar onde o homem se encontra só, mais é nestes lugares que Deus se revela como o operador de maravilhas.

Quando o homem faz a vontade do nosso SENHOR, Ele próprio cuida com maior zelo daqueles que o temem (Sl 103.13). Por isso Ele sempre se apresenta para socorrer-nos mais complicados da nossa vida.

Concl
usão

A segurança divina garante ao homem uma sustentabilidade inigualável. No mundo podemos até mesmos estarmos só, mas nunca estaremos abandonado. Jesus certa vez disse; no mundo tereis aflições, mas devemos ter bom animo. Toda luta tem uma data marcada por Deus para terminar. Você pode estar saindo de uma situação difícil onde experimentou as mais complexas realidades. Contudo temos um Deus nos céus que sempre este pronto a socorrer-nos nos momentos mais difíceis.


Evang. Juarez Alves Pereira
Assembléia de Deus
Bairro Parque nova Dourados

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

CUIDADOS COM A ORAÇÃO




Não basta saber que temos que orar, não basta falar de oração, estudar sobre oração, temos que orar. – “Clama a mim e responder-te-ei e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas que não sabes” Jr. 33.3

Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira.

"Ao que lhe respondeu Jesus: Se podes! Tudo é possível ao que crê." Mc 9.23

Nossas orações devem ser feitas em nome de Jesus, ou seja, devem estar em harmonia com a pessoa, caráter e vontade de nosso Senhor -"E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei." João 14.13-14

A nossa oração deve ser feita segundo a vontade de Deus que, muitas vezes, nos é revelada pela sua palavra, que por sua vez deve ser lida com oração

" E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.", Mt 6.10

Para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes

"Perseverai na oração, vigiando com ações de graças."Cl.4.2;

O cristão deve orar em todo o tempo (1Ts 5.17) "Orai sem cessar." Ef 6:18 "com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos".

Não devemos nos preocupar com palavras

Jesus nos ensinou que é na simplicidade das palavras que nossa oração tem valor. Observe alguns conselhos dados por Jesus:

Não ficar repetindo palavras

“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos” Mt 6.7

Não precisamos falar muito, deixemos Deus também falar.

Orar sempre e em todo lugar – “Orai sem cessar” I Ts 5.17

Saber que Deus sempre está escutando a oração – “Bendito seja Deus, que não rejeitou a minha oração, nem desviou de mim a sua misericórdia” Sl 66.20

Toda oração deve alcançar os propósitos pelos quais Deus nos deu esta oportunidade de comunicar com ele:

Glorificar a Deus

Atos 16:25 diz: “...Mas a meia-noite, orando Paulo e Silas, cantavam hinos a Deus e os presos ouviam”. Como resultado disto houve um terremoto que até as correntes foram quebradas

Satisfazer nossas necessidades básicas

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” Hb. 4.16

Obter resposta de Deus para situações específicas

“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.” Mt. 7.7

Manter e aumentar nossa comunhão com Deus

“O caminho do ímpio é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento” Pv 15.8

Obter vitória sobre a tentação

“E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino…”Mt 6.13

Interceder pelo nosso próximo 

“Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações intercessões e ações de graças por todos os homens” I Tm 2.1


Por Litrazini.
Fonte:http://www.reflexoesevangelicas.com.br

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como Perdoar Quem nos Feriu?


Feridas podem apodrecer em infecções se não tratadas. Isso é exatamente como funciona a falta de perdão. Se continuarmos a deixá-la aberta, olhando para o ferimento, ela não será curada. Em vez disso, ela será continuamente exposta ao ar sujo, tornando-se ainda mais infectada. A infecção no reino espiritual é acolhedora para os espíritos imundos, que apodrecem a ferida ainda mais. Se algo não for feito, a pessoa acaba enfrentando assédio demoníaco e tortura, e torna-se uma pessoa amarga e infeliz.

Eu tenho uma ideia do que você pode estar dizendo agora: "Essa pessoa não tem nenhum indício que eles fizeram para mim! Eles não merecem nada! Muito menos meu perdão! Eles certamente não merecem o seu perdão, muito menos de Deus... mas nenhum de nós merecemos o que Jesus fez por nós também. Aqueles que mataram Jesus não mereciam nada, mas olhemos para o que Ele disse antes de morrer: Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem! Olhe à mercê profunda e rica do amor que Jesus tem para nós... nenhum de nós merece! Mas Ele nos ama pelo que somos, não pelo que temos feito. Ele queria um relacionamento conosco tanto que Ele deu a Sua vida por ele! Quando compreendemos o que Jesus fez por nós, torna-se muito mais fácil de transmitir essa graça para os outros.

Nós estaremos simplesmente libertando nossas almas da escravidão provocada pela falta de perdão. Você não está perdoando-os em seu benefício, mas para o seu próprio bem! Sua alma, não a deles, é o que está sendo realizada em cativeiro por causa dos sentimentos que você se permitiu abrigar. Por que você deve permitir que o que eles fizeram o mantenha em cativeiro? Eu não! Eu não deixaria esse veneno em meu coração, o entregarei ao Senhor para que com ele Deus cure minhas feridas.

Perdoar os outros às vezes é muito difícil, mas é essencial se você quiser sair da escravidão que te leva para baixo. Perdoar os outros lhe abre portas para que o Senhor começar a curar sua alma (cura interior). A falta de perdão impede que Deus nos perdoe também os pecados (Mateus 6:15), coloca-se um muro entre nós e a fonte de nossa cura.

O alto preço da falta de perdãoEu tenho visto tantas pessoas em escravidão espiritual, devido à falta de perdão. É uma fonte comum de assédio e escravidão demoníaca, como Jesus nos adverte em Mateus 18:23-35.

Mateus 18:34-35: E o seu senhor, indignado, e entregou-o aos verdugos, até que pagasse tudo o que lhe devia. Assim também meu Pai celeste deve fazer também vós, se vos de vossos corações não perdoa cada um a seu irmão.

Isso não é nada menos do que uma forte advertência literal que uma pessoa pode cair nas mãos de espíritos demoníacos para tormento e assédio se eles estão por dentro implacáveis e amargos. Eu já vi isso de novo e de novo, não é uma cena incomum encontrar uma pessoa assediada por demônios por causa de amargura em seu coração. Amargura também é conhecido na Bíblia como o veneno espiritual:

Atos 8:23: "Pois vejo que estás em fel (veneno) da amargura, e em laço de iniqüidade.

A falta de perdão não só dá demônios o direito ou a capacidade de nos atormentar, mas também impede que Deus; perdoe nossos pecados! Agora isso é sério, isso significa que quando clamamos a ajuda de Deus, mas tem falta de perdão em nossos corações, Ele olha para baixo e os nossos pecados estão diante dele. Jesus foi muito claro que, se quisermos ser perdoados, não podemos ser implacável para com os outros:

Mateus 6:15 - Mas, se não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

Além disso, a amargura é também um meio muito comum para um crente nascido de novo para tornar-se espiritualmente impura, isto é, poluído ou impuro espiritualmente:

Hebreus 12:15, Procurando diligentemente para que ninguém falha da graça de Deus, de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.

Observe "muitos" a palavra no versículo acima... este é um meio muito comum que as pessoas se contaminem e abrir-se para o assédio espiritual do inimigo.

Dar a Deus o que pertence a EleA falta de perdão é realmente tomar algo que pertence a Deus, e levando o assunto em nossas próprias mãos. A Palavra de Deus nos diz claramente que devemos permitir a Deus para trazer a Sua ira sobre essa pessoa, e deixar que Ele faça justiça:

Romanos 12:19, Amados, não vingar-se, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor.

A Palavra de Deus nos diz claramente que o que semeamos, vamos colher:
Gálatas 6:7: Não vos enganeis, de Deus não se zomba: pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará.

Falta de perdão, na verdade, é
A falta de perdão é na verdade uma forma de ódio contra outra pessoa. Se uma pessoa odeia alguém, é um sinal de que a pessoa está faltando amor em seu coração. Por quê? Eles não estão firmemente arraigados e alicerçados no amor de Cristo, e o amor de Cristo não está fluindo através deles. Tão simples como isso soa, é assim que funciona.

O que alguém pode ter feito contra nós é uma coisa, mas se você tomar a isca de Satanás de falta de perdão de coração, ele vai fazer muito mais mal do que eles. Você quer continuar a permitir que sua bagunça incomode ainda mais? Será que eles não já fizeram bastante dano? Permitir ressentimentos e se tornar amargo, é apenas fazer sua ferida se tornar ainda mais infectada espiritualmente. Diga honestamente a si mesmo: que bom que ele está me fazendo resistir a dor e amargura que o inimigo tentou plantar dentro de mim. Não seja tolo, a amargura é conhecida na Bíblia como o veneno espiritual:

Atos 8:23: Pois vejo que estás em fel (veneno) da amargura, e em laço de iniqüidade.

A razão por que Satanás quer que você segure a amargura, é porque ela é um veneno para a sua alma. Jesus disse que o diabo veio para roubar, matar e destruir. Satanás quer fazer isso com você. Não deixe ele fazer isso com você ... detê-lo morto em seus caminhos! Liberte-se desses sentimentos feridos, e deixe-os ir, deixe que se vá esse veneno de sua alma!

Deus os abençoe.


Autor: Wilma Rejane 
Divulgação: EstudosGospel.Com.BR 

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA – Aula 11


DESCOBRINDO O NOVO TESTAMENTO

HEBREUS E TIAGO


Texto Básico:Hebreus 1:1-4

“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem”(Hebreus 11:1).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo panorâmico do Novo Testamento, estudaremos nesta Aula a Carta aos Hebreus e a de Tiago. Hebreus é um documento magistral, escrito para os judeus que estavam avaliando Jesus ou lutando com esta nova fé. A mensagem deste livro é que Jesus é o melhor, supremo e suficiente Salvador. Embora o livro de Hebreus seja chamado de “Carta”(Hb 13:22), tem a forma e o conteúdo de um sermão. A Epístola de Tiago expõe as práticas hipócritas e ensina o correto comportamento cristão; confrontação, desafios e um chamado ao comprometimento lhe aguardam em suas páginas.

I. HEBREUS, A SUPERIORIDADE DE CRISTO

1. Autoria e destinatário.

a) Autoria. Evidências intrínsecas sugerem que o autor pertencia à segunda geração de cristãos (Hb 2:3) e que o livro teria sido escrito antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C. Sugestões quanto à atribuição da autoria a Paulo ou Lucas foram descartadas, principalmente porque o estilo grego difere em muito do correspondente aos textos destes dois autores. Segundo Lutero, Apolo teria sido o autor. Enquanto que outros, a creditaram a Priscila. O que sabemos é que, independentemente do nome do autor, quem a escreveu era muito bem familiarizado com o Antigo Testamento, em particular com o Pentateuco e os Salmos, pois 23 das 29 citações derivam diretamente desses livros. Também é evidente o fato de que o autor considera toda a revelação do Antigo Testamento como voltada diretamente para Jesus que cumpre, não somente profecias específicas, mas também a intenção das revelações mais antigas. Quem quer que tenha sido o autor, foi verdadeiramente tão mestre das Escrituras, que a reconheceu sob a ótica de Jesus Cristo.

b) Destinatário. A Epístola aos Hebreus é singular no Novo Testamento por muitas razões. Ela não começa como Carta, entretanto assim a termina e é claramente endereçada à Itália ou escrita lá (Hb 13:24) para um grupo específico, provavelmente cristãos hebreus. Se a Itália é o destino desta Carta, a perseguição sangrenta de Nero(64 d.C.) faz ela retroceder para, o mais tardar, meados de 64. É bastante provável que Hebreus tenha sido escrita entre 63 e 65 d.C. Presume-se que originalmente Hebreus se dirigia a uma pequena igreja que se reunia numa casa e, portanto, não tinha vínculo com uma congregação grande e famosa que mantivesse viva a tradição de sua origem e destino.

2. Conteúdo. Hebreus começa enfatizando que tanto a aliança antiga (judaísmo) quanto a nova (cristianismo) são religiões reveladas por Deus (Hb 1:1-3). Na seção doutrinária que se segue (Hb 1:4-10:18), o escritor mostra como Jesus é superior aos anjos (Hb 1:4-2:18), aos líderes religiosos (Hb 3:1-4:13) e sacerdotes (Hb 4:14-7:28). O cristianismo ultrapassa o judaísmo por ter uma aliança melhor (Hb 8:1-13), um santuário melhor (Hb 9:1-10) e um sacrifício suficiente pelos pecados (Hb 9:11-10:18).

Tendo estabelecido a superioridade do cristianismo, o escritor parte para as implicações práticas de seguir a Cristo. Os leitores são exortados a apegarem-se à sua nova fé, a encorajarem-se uns aos outros e aguardarem ansiosamente a volta de Cristo (Hb 10:19-25). São advertidos das consequências de rejeitar o sacrifício de Cristo (Hb 10:26-31) e lembrados das recompensas da fidelidade (Hb 10:32-39). Então, o autor explica como viver pela fé, citando exemplos de homens e mulheres fiéis na história de Israel (Hb 11:1-40), encorajando-os e exortando-os quanto ao cotidiano cristão (Hb 12:1-17). Esta seção termina comparando a antiga aliança com a nova (Hb 12:18-29). O escritor conclui com exortações morais (Hb 13:1-17), um pedido de oração (Hb 13:18,19), uma bênção e saudações (Hb 13:20-25).

3. Contexto e Tema. De modo geral, Hebreus trata da fantástica batalha que ocorre ao se trocar um sistema religioso por outro. Há a violenta ruptura dos antigos laços, os estresses e as tensões do afastamento e as enormes pressões exercidas sobre o renegado para voltar.

Nessa Epístola, porém, não se trata apenas do problema de deixar um antigo sistema por um novo de igual valor. Ao contrário, a questão era deixar o judaísmo por Cristo, e, como mostra o autor, isso envolvia substituir o intangível pelo tangível, o ritual pela realidade, o prévio pelo definitivo, o temporário pelo permanente; em suma, o bom pelo melhor. O problema também incluía trocar o popular pelo impopular, a maioria pela minoria, os opressores pelo oprimido. E isso precipitava muitos problemas sérios.

A Carta foi escrita para o povo de origem judaica. Esses hebreus tinham ouvido o evangelho pregado pelos apóstolos e os outros durante a primeira fase da Igreja e tinham visto os poderosos milagres do Espírito Santo que confirmavam a mensagem. Eles tinham respondido às boas-novas de uma das três maneiras:

1. Alguns creram no Senhor Jesus e foram genuinamente convertidos.

2. Ouros professaram tornar-se cristãos, foram batizados e assumiram seus postos nas igrejas locais.

Contudo, nunca nasceram de novo pelo Espírito Santo de Deus.

3. Outros ainda, indiferentes, rejeitaram a mensagem da salvação.

Esta Carta trata dos dois primeiros casos: os hebreus verdadeiramente salvos e os que nada tinham além de uma fachada de cristianismo. Quando um judeu deixava a fé de seus antepassados, era visto como vira-casaca e um apóstata, e muitas vezes era punido com uma ou mais das penas seguintes:

· privação do direito de herança pela família;

· excomunhão da congregação de Israel;

· perda de emprego;

· perda de bens;

· tormento mental e tortura física;

· ridicularização pública;

· prisão;

· martírio.

É evidente que sempre havia uma rota de fuga. Se esse judeu renunciasse a Cristo e voltasse ao judaísmo, seria poupado de novas perseguições. Como se lê nas entrelinhas desta Carta, podemos detectar alguns fortes argumentos usados para persuadi-lo a retornar à antiga fé:

· o rico patrimônio dos profetas;

· o proeminente ministério dos anjos na história do antigo povo de Deus;

· a associação com Moisés, o ilustre legislador;

· laços nacionais com Josué, o brilhante comandante militar;

· a glória do sacerdócio de Arão;

· o sagrado santuário que Deus escolheu para nele habitar entre seu povo;

· a aliança da lei concedida por Deus por meio de Moisés;

· os utensílios divinamente escolhidos no santuário e o magnífico véu;

· os serviços no santuário, especialmente o ritual do grande dia da Expiação (Yom Kippur, o mais importante dia do calendário judaico).

Podemos praticamente ouvir os judeus do século I apresentando todas essas glórias de sua antiga e ritualística religião e depois perguntando com desdém: "O que vocês, cristãos, tem? Nós temos tudo isso. O que vocês têm? Nada senão uma simples sala, uma mesa e pão e vinho sobre a mesa! Vocês querem dizer que deixaram tudo aquilo por isso?".

A Epístola aos Hebreus é realmente uma resposta à pergunta: "O que vocês tem?". Em uma palavra, a resposta é Cristo. Em Cristo, temos:

· aquele que é maior do que os profetas;

· aquele que é maior do que os anjos;

· aquele que é maior do que Moisés;

· aquele que é maior do que Josué;

· aquele cujo sacerdócio é superior ao de Arão;

· aquele que serve em melhor santuário;

· aquele que apresentou melhor aliança;

· aquele que é o antítipo dos utensílios típicos e do véu;

· aquele cuja oferta de si, feita uma vez por todas, é superior aos repetidos sacrifícios de bois e cabritos.

Assim como as estrelas perdem o brilho diante da glória maior do sol, também os tipos e a intangibilidade do judaísmo tornam-se insignificantes diante da glória superior da pessoa e da obra de Jesus.

Havia ainda o problema da perseguição. Os que professavam ser seguidores do Senhor Jesus enfrentavam oposição amarga e fanática. Para os verdadeiros cristãos, isso poderia conduzir ao desalento e desespero. Eles, portanto, precisavam ser encorajados a ter fé nas promessas de Deus, precisavam de perseverança em vista do futuro galardão.

Para os que eram apenas cristãos nominais, havia o perigo da apostasia. Após professar ter recebido Cristo, eles poderiam renunciar a ele completamente e retornar à religião ritualística. Isso era tão ruim quanto pisotear o Filho de Deus, profanando seu sangue e insultando o Espírito Santo. Para esse pecado intencional, não havia arrependimento ou perdão. Contra esse pecado, há repetidas advertências: Em Hb 2:1, ele é descrito como desviar-se da mensagem de Cristo; Em Hb 3:7-19, é o pecado da provocação, ou de endurecer o coração; Em Hb 6:6, é o cair ou cometer apostasia; Em Hb 10:25, é deixar de congregar-se; Em Hb 10:26, é o pecado deliberado ou voluntário; Em Hb 12:16, é mencionada a venda do direito de primogenitura por uma simples refeição; Finalmente, em Hb 12:25, é chamado recusa em ouvir aquele que está falando do céu. Mas todas essas advertências referem-se aos diferentes aspectos do mesmo pecado: a apostasia.

A mensagem de Hebreus é oportuna hoje como foi no primeiro século da Igreja. Precisamos ser constantemente lembrados dos privilégios e das bênçãos eternas que são nossas em Cristo. Necessitamos de coragem para perseverar, apesar da oposição e das dificuldades. E todos os que professam ser cristãos precisam ser alertados contra o retorno à religião de cerimoniais depois de ter provado e visto que o Senhor é bom.

II. TIAGO, OS PADRÕES DO HOMEM PIEDOSO
1. Autoria e destinatários.

a) Autoria. A maneira do autor se identificar simplesmente como “Tiago” (Tg 1:1), revela sua posição de destaque na obra. Tiago, meio-irmão de Jesus (Gl 1:19) e dirigente da igreja de Jerusalém, é geralmente tido como o autor. Seu discurso no Concílio de Jerusalém (At 15:13-21), bem como as descrições dele noutras partes do Novo Testamento (veja: At 12:17; 21:18; Gl 1:19; 2:9,12; 1Co 15:7) correspondem perfeitamente com o que se sabe dele como autor desta Epístola. O mais provável é que Tiago tenha escrito esta Epístola durante a década de 40 d.C. Segundo o historiador judaico Josefo, Tiago, irmão do Senhor, foi martirizado em Jerusalém, em 62 d. C.

O Novo Testamento faz menção de quatro pessoas com o nome de Tiago. Todos eles foram considerados possíveis autores desta Epístola, mas com diferentes graus de probabilidade:

1. Tiago, o apóstolo, filho de Zebedeu e irmão de João (Mt 4:21). Se o apóstolo Tiago fosse o autor, a aceitação da Carta não teria demorado tanto (cf. a seguir). Ademais, ele foi martirizado em 44 d.C., provavelmente antes da redação desta Epístola.

2. Tiago, filho de Alfeu (Mt 10:3). Exceto pela presença de seu nome nas listas dos apóstolos, é praticamente desconhecido. O fato de o autor referir-se a si mesmo como "Tiago", sem nenhum título distintivo, mostra que era bastante conhecido na época.

3. Tiago, pai de Judas (não o Iscariotes; Lc 6:16). Por ser ainda mais desconhecido, é razoável descartá-lo como autor da Carta.

4. Tiago, o meio-irmão do Senhor (Mt 13:55; Gl 1:19). Quase certamente é o autor. Era bastante conhecido, porém modesto, uma vez que não menciona seu parentesco com Cristo. Foi ele quem presidiu o Concílio de Jerusalém e passou os últimos dias de vida nessa cidade. Era conhecido como um cristão judeu zeloso, de estilo de vida extremamente austero. Em resumo, é lembrado peta história (Josefo) e pela tradição da igreja como cristão qualificado para escrever esta Epístola.

Tiago, que era um líder na Igreja de Jerusalém e que presidiu o Concílio de Jerusalém (At 15), é identificado em Gl 1:19 como “o irmão do Senhor”. Foi considerado um dos pilares da igreja, juntamente com Pedro e João (Gl 2:9). O Novo Testamento cita Tiago como um dos filhos de Maria, mãe de Jesus (Mt 13:55; Mc 6:3).

Tiago passou por uma transformação maravilhosa. Anteriormente, juntamente com seus irmãos, foi cético a respeito de Jesus durante seu ministério terrenal (João 7:5), mas foi convertido quando tornou-se uma testemunha ocular da ressurreição (1Co 15:7). O historiador da igreja primitiva Hegésipo identificou-o como “Tiago, o Justo”, testificando de sua extraordinária piedade, seu zelo pela obediência à lei de Deus e sua singular devoção à oração. Foi dito que os joelhos de Tiago se tornaram tão calejados por causa da oração que pareciam joelhos de camelo. Josefo registra que Tiago foi martirizado em 62 d.C. Eusébio diz que lhe bateram até à morte com uma clava depois de ter sido atirado do parapeito do templo; Hegésipo também registra que ele foi lançado do pináculo do Templo.

b) Destinatário. A Carta é dirigida às doze tribos que se encontram na Dispersão (gr. Diáspora), uma referência aos judeus de nascimento, pertencentes às doze tribos de Israel. Em decorrência do pecado de Israel, o povo fora expulso da terra natal e encontrava-se disperso entre as nações ao redor do Mediterrâneo. A primeira dispersão ocorreu quando as dez tribos (Reino do Norte - Samaria) foram levadas ao cativeiro pelos assírios, em 721 a.C. A maior parte desses cativos nunca voltou à pátria. A segunda dispersão teve lugar a partir de 605 a.C, em etapas, quando os habitantes do Reino do Sul (Judá) foram deportados para a Babilônia. Apenas um remanescente regressou à terra no tempo de Esdras e Neemias. O relato do dia de Pentecostes mostra que, naquela ocasião, havia em Jerusalém judeus devotos de todas as partes do mundo conhecido (At 2:4). Tais indivíduos poderiam ser chamados corretamente de judeus da Dispersão. Posteriormente, porém, ocorreu uma dispersão de judeus cristãos. Vemos em Atos 8:1 que os primeiros cristãos (a maioria de origem judaica) se espalharam pela Judéia e Samaria devido à perseguição promovida, entre outros, por Saulo de Tarso. Essa dispersão volta a ser mencionada em Atos, na passagem que diz que os cristãos se espalharam até a Fenícia, Chipre e Antioquia. É possível, portanto, que os leitores da Carta de Tiago fossem judeus dispersos durante um desses períodos de crise.

Apesar de não fazermos parte do público-alvo original da Carta, podemos aplicá-la a nós, pois todos os cristãos verdadeiros são estrangeiros e peregrinos neste mundo (Fp 3:20; 1Pe 2:11).

2. Contexto e tema. Tiago talvez tenha sido o primeiro livro escrito do Novo Testamento e, portanto, possui um tom claramente judaico. Não obstante, seus ensinamentos não devem ser relegados a uma época passada, pois são aplicáveis e ainda relevantes aos dias atuais.

A atualidade dos temas se deve ao fato de Tiago ter-se baseado em grande escala nos ensinamentos de Jesus no Sermão do Monte, como se pode ver claramente nestas comparações:

Tema

Tiago

Paralelo em Mateus

Adversidade

1:2,12; 5:10

5:10-12

Oração

1:5; 4:3; 5:13-18

6:6-13

Os bons olhos

1:8; 4:8

6:22,23

Riquezas

1:10,11; 2:6,7

6:19-21,24-34

Ira

1:19,20; 4:1

5:22

A lei

1:25; 2:1,12-13

5:17-44

Mera profissão 

1:26,27

6:1-18

A lei régia

2:8

7:12

Misericórdia

2:13

5:7

Fé e obras

2:14-26

7:15-27

Raiz e frutos

3:11,12

7:16-20

A verdadeira sabedoria

3:13

7:24

O pacificador

3:17,18

5:9

Julgar outros

4:11,12

7:1-5

Tesouros enferrujados

5:2

6:19

Juramentos

5:12

5:33-37

A Carta se assemelha a Provérbios no estilo irregular, intenso, vívido e difícil de esquematizar. A palavra sabedoria aparece reiteradamente.

Outra palavra-chave em Tiago é irmãos. Ocorre dez vezes e nos lembra que Tiago escreve para cristãos, embora pareça, ocasionalmente, dirigir-se também a incrédulos.

Em alguns sentidos, é a Carta mais autoritária do Novo Testamento, pois contém mais instruções do que todos os outros escritos. Encontramos, no curto espaço de cento e oito versículos, nada menos que cinquenta e quatro imperativos.

3. Conteúdo. Tiago começa sua Carta esboçando algumas características gerais da vida cristã (Tg 1:1-27). A seguir, exorta os cristãos a agirem de forma justa na sociedade (Tg 2:1-13). Após este conselho prático faz um discurso teológico sobre a relação entre a fé e as obras (Tg 2:14-26). Então mostra a importância de controlar a língua (Tg 3:1-12). Em Tg 3:13-18, Tiago distingue dois tipos de sabedoria: a terrena e a divina. Então encoraja seus leitores a abandonarem seus desejos maus e a obedecerem a Deus (Tg 4:1-12). Tiago reprova aqueles que confiam em seus próprios planos e posses (Tg 4:13-5:6). Finalmente, exorta seus leitores a serem pacientes uns com os outros (Tg 5:7-11), a serem diretos e objetivos em sujas promessas (Tg 5:12), a orarem uns pelos outros (Tg 5:13-18) e a ajudarem-se mutuamente a permanecerem fiéis a Deus (Tg 5:19-20).

CONCLUSÃO

A mensagem de Hebreus foi importante para os judeus cristãos e também é importante para nós hoje. À semelhança deles, precisamos perceber que Cristo é o nosso grande Sumo Sacerdote, Aquele para quem apontavam todo o rito e cerimoniais do judaísmo. Independente do que você esteja considerando como enfoque mais importante na vida, saiba que Cristo é superior. Ele é a revelação perfeita de Deus, o sacrifício final e completo pelo pecado, o mediador compassivo e compreensivo, e o único caminho para a vida eterna. Leia Hebreus e comece a enxergar a história e a vida sob a perspectiva de Deus.

A mensagem de Tiago denota maior ênfase à vida prática do cristão. Esta Carta poderia ser considerada um livro que orienta o viver cristão. Não é suficiente falar da fé cristã, Tiago diz; devemos vivê-la - “Meus irmãos, que aproveita se alguém disser que tem fé e não tiver as obras? Porventura, a fé pode salvá-lo?”(Tg 2:14). A prova da realidade da nossa fé é uma vida transformada. Leia, portanto, Tiago e torne-se uma pessoa que pratica a Palavra do Senhor (Tg 1:22-25).


Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento)
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA – Aula 10


DESCOBRINDO O NOVO TESTAMENTO

1 e 2 TIMOTEO, TITO E FILEMOM

Texto Básico:Tito 1:4-8

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”(2Tm 4:7).

INTRODUÇÃO

Dando continuidade ao estudo panorâmico do Novo Testamento, estudaremos nesta Aula as denominadas cartas pastorais e Filemom.

As cartas pastorais(1e2Timoteo e Tito) são orientações práticas do veterano apóstolo aos seus filhos na fé, Timóteo e Tito, ensinando-lhes a maneira certa de agirem à frente da igreja de Deus, como representantes do apóstolo e pastores do rebanho. As cartas pastorais trazem princípios práticos que orientam a igreja acerca do modo correto de proceder diante dos perigos externos e dos conflitos interiores. Muitas igrejas são assediadas por falsos mestres e assaltadas por falsas doutrinas. Outras têm suas energias drenadas em intérminos conflitos internos, que tiram o foco da igreja de sua verdadeira missão, que é adorar a Deus e fazer a sua obra. A igreja evangélica brasileira cresce espantosamente. Esse fenômeno tem sido estudado pelos grandes especialistas de crescimento de igreja. Porém, a igreja tem extensão, mas não profundidade. Tem número, mas não credibilidade. Tem desempenho, mas não piedade. Cresce vertiginosamente o número de igrejas que abandonaram a sã doutrina e abraçaram o pragmatismo com o propósito de crescer numericamente. Muitas igrejas parecem mais um supermercado que disponibilizam seus produtos ao gosto da freguesia. Pregam o que o povo quer ouvir, e não o que precisa ouvir. Falam para entreter, e não para levar ao arrependimento. Pregam palavras de homens, e não a Palavra de Deus. Sem dúvida, essas Epístolas são absolutamente oportunas e contemporâneas. Elas são totalmente necessárias ainda hoje.

A Carta a Filemom é a mais breve entre as cartas que formam a coletânea paulina. É pequena no tamanho e imenso no conteúdo. Ela aborda temas profundos, que nem toda uma enciclopédia poderia esgotar. Ela é endereçada a um homem leigo, Filemom. Está completamente ocupada com um incidente da vida doméstica. Talvez tenha sido uma das inumeráveis cartas pessoais do apóstolo escritas a seus amigos e irmãos para resolver questões pessoais. Contudo, para nós, essa Carta foi preservada, dentre ampla variedade de outras cartas do apóstolo, como um tesouro precioso. Em nenhum lugar a influência social do Evangelho é vista com tanta eloquência. Em nenhum lugar a nobreza do caráter do apóstolo transparece com tanto vigor quanto nesse incidente do veterano apóstolo rogando a favor de um escravo fugitivo, Onésimo.

I. 1 TIMÓTEO, INSTRUÇÕES A UM HOMEM DE DEUS

1. Data. Quase todos os conservadores concordam que 1Timóteo é a primeira Carta pastoral escrita, seguida de Tito e de 2Timóteo pouco antes da morte de Paulo, indica-se uma data entre 64 e 66 d.C., com base na informação de que Paulo foi liberado da prisão domiciliar no ano 61 d.C, o que possibilitou suas viagens. A Epístola foi provavelmente escrita na Grécia.

1. Contexto e Tema. O Tema de 1Timóteo é claramente apresentado em 1Tm 3:14-15: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te em breve; para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”. Paulo simplesmente declara que há um padrão de comportamento para a igreja de Deus e escreve a Timóteo para informá-lo disso.

Não é suficiente dizer "comporte-se!" a uma criança mal comportada se ela não sabe o que se espera de um bom comportamento. Primeiro deve-se contar a ela o que é bom comportamento. A primeira carta a Timóteo faz isso para com a "criança" de Deus no que se refere à Igreja de Deus.

A igreja de Deus precisa ser zelosa da doutrina e também da vida. Paulo escreveu a Timóteo, dizendo: "Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina..." (1Tm 4:16). A igreja de Éfeso era zelosa da doutrina e descuidada no amor (Ap 2:2-4). Precisamos subscrever a ortodoxia sem deixar de lado a ortopraxia. Precisamos de teologia boa e de vida santa.

2. Conteúdo. Nesta Epístola, Paulo transmite cuidados específicos que Timóteo deve proceder na Igreja de Éfeso. Um dos cuidados principais é que Timóteo lute com denodo pela fé e refute os falsos ensinos que estavam comprometendo o poder salvífico do Evangelho (1Tm 1:3-7; 4:1-8; 6:3-5,20,21). Paulo também instrui Timóteo a respeito das qualificações espirituais e pessoais dos dirigentes da igreja, e oferece um quadro geral das qualidades de um obreiro candidato a futuro pastor de igreja.

Entre outras coisas, Paulo ensina a Timóteo sobre o relacionamento pastoral com os vários grupos dentro da igreja, como as mulheres em geral (1Tm 2:15; 5:2), as viúvas (1Tm 5:3-16), os homens mais idosos e os mais jovens (1Tm 5:1), os presbíteros (1Tm 5:17-25), os escravos (1Tm 6:1,2), os falsos mestres (1Tm 6:3-6) e os ricos (1Tm 6:7-10,17-19). Paulo confia a Timóteo cinco tarefas distintas para ele cumprir (1Tm 1:18-20; 3:14-16; 4:11-16; 5:21-25; 6:20-21). Neta Epístola, Paulo exprime sua afeição a Timóteo como seu convertido e filho na fé, e estabelece um elevado padrão de piedade para a vida dele e da igreja.

II. 2 TIMOTEO, A DESPEDIDA DE PAULO
1. Data. Esta epístola foi escrita na prisão (o famoso Cárcere Mamertino em Roma, exibido até hoje aos turistas). Como cidadão romano, Paulo não poderia ser lançado aos leões nem crucificado, mas "honrosamente" decapitado com uma espada. Uma vez que ele foi morto quando Nero era imperador, falecido em 8 de junho do ano 68 d.C, é provável que a redação de 2Tímóteo tenha ocorrido entre o outono de 67 e a primavera de 68.

2. Contexto e Tema. O Tema de 2Timóteo é expresso com exatidão em 2:15: ”Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade”.

Em contraste com 1Timóteo, na qual se enfatiza a conduta coletiva e da congregação, nesta epístola é proeminente a responsabilidade e o comportamento individual. Pode-se definir esse tema como "responsabilidade individual na hora do fracasso coletivo".

Nesta Epístola, há muita falha coletiva na chamada Igreja de Deus. Era grande o abandono da fé e da verdade. Como isso afeta o cristão individualmente? Ele está dispensado de tentar manter a verdade e de viver uma vida santa? A resposta de 2Timóteo é um decidido Não! "Procura apresentar-te diante de Deus aprovado...". A situação do jovem Daniel na corte da Babilônia (Dn 1) ilustra isso. Em razão da prolongada perversidade dos israelitas, ele e muitos outros foram levados cativos a Babilônia por Nabucodonosor e privados de todas as manifestações exteriores da religião judaica: sacrifícios, ministério sacerdotal, adoração no templo etc. De fato, tudo isso foi logo suspenso quando, poucos anos depois, Jerusalém foi destruída e a nação inteira levada cativa. Teria Daniel, então, dito a si mesmo: "Também eu devo esquecer a lei e os profetas e me acomodar às práticas, aos padrões e à moral da Babilônia?". A história registra sua brilhante e entusiasmada resposta na notável vida de fé em circunstâncias aparentemente tão adversas.

Assim, a mensagem de 2Timóteo também é dirigida a cada filho de Deus que encontra hoje o testemunho da igreja coletiva muito diferente da simplicidade e da santidade do Novo Testamento, no qual teve sua origem. O filho de Deus ainda tem a responsabilidade de "viver piedosamente em Cristo Jesus" (2Tm 3:12).

3. Conteúdo. No capítulo 1, Paulo assegura a Timóteo o seu incessante amor e orações, e exorta-o a nunca transigir na fidelidade ao Evangelho, a guardar com diligencia a verdade e a seguir o seu exemplo.

No capitulo 2, Paulo incumbe seu filho espiritual a preservar a fé, transmitindo suas verdades a homens fiéis que, por sua vez, ensinarão a outros (2Tm 2:2). Admoesta o jovem pastor a sofrer as aflições como bom soldado (2Tm 2:3), a servir a Deus com diligência e a manejar corretamente a Palavra da verdade (2Tm 2:15), a separar-se daqueles que se desviam da verdade apostólica (2Tm 2:18-21), a manter-se puro (2Tm 2:22) e a trabalhar com paciência como mestre (2Tm 2:23-26).

Na capítulo 3, Paulo declara a Timóteo que o mal e a apostasia aumentarão (2Tm 3:1-9), porém, ele precisa permanecer sempre, e em tudo, leal às Escrituras (2Tm 3:10-17).

No capítulo 4, Paulo incumbe Timóteo de pregar a Palavra e de cumprir todos os deveres do seu ministério (2Tm 4:1-5). Termina, informando a Timóteo quanto aos seus assuntos pessoais, quando ele já encarava a morte, e instando com o pastor a vir logo ao seu encontro (2Tm 4:6-21).

III. TITO, A PRÁTICA DA FÉ
A Epístola a Tito enfatiza tanto a sã doutrina (Tt 2:1) quanto a prática da piedade (Tt 1:1) e das boas obras (Tt 2:14;3:14). John Stott alerta para o fato de estarmos vivendo sob a avassaladora influência da pós-modernidade, com seu subjetivismo e pluralismo, em que as pessoas têm aversão pela verdade e rejeitam peremptoriamente a concepção e até mesmo a possibilidade de existir verdade absoluta. Nesse contexto de relativismo doutrinário e moral, é maravilhoso entender que Paulo ordena a Timóteo e a Tito nada menos que dez vezes para ensinar às igrejas a sã doutrina, ou seja, a verdade absoluta (cf 1Tm 3:4; 4:6,11,15; 5:7,21; 6:2,17; Tt 2:15; 3:8).

1. Data. Devido à semelhança dos temas e da linguagem, os conservadores crêem que Tito foi escrito por volta do mesmo período ou um pouco depois de 1 Timóteo. De qualquer modo, o livro foi escrito entre 1 e 2Timóteo, e não depois de 2Tímóteo. Embora seja impossível fixar uma data exata, é provável que tenha sido entre 64 e 66 d.C. O lugar possível de origem é a Macedônia.

O livro de Atos termina dizendo que Paulo havia sido autorizado a alugar uma casa onde cumpria prisão domiciliar, junto à guarda pretoriana, em Roma. Essa prisão durou dois anos (At 28:30). Colocado em liberdade, Paulo visitou a igreja de Éfeso, onde deixou Timóteo incumbido de supervisionar as igrejas da Ásia Menor, seguindo em direção à Macedônia. Após alcançar o norte da Grécia, possivelmente escreveu sua primeira carta a Timóteo (1Tm 1:3). Quando chegou à ilha de Creta, lá deixou Tito para encorajar e orientar a liderança dos cristãos cretenses (Tt 1:5), partindo em seguida para Acaia, região sul da Grécia (Tt 3:12).

Na Macedônia, pouco antes de chegar a Nicópolis, Paulo possivelmente decidiu escrever essa carta de encorajamento a Tito. Quando, finalmente, alcançou Trôade (2Tm 4:13), é provável que tenha sido inesperadamente preso e novamente levado a Roma, jogado num frio e isolado calabouço e, pouco tempo mais tarde, logo após ter escrito sua segunda carta a Timóteo, terminou decapitado sob as ordens de Nero.

2. As principais ênfases da Carta. A carta de Paulo a Tito trata de vários temas fundamentais para a igreja. Dentre elas destacamos:

a) A organização das igrejas (Tt 1:5). Muitas coisas estavam fora de lugar nas igrejas de Creta. Tito foi deixado lá para colocá-las em ordem. Essas coisas incluíam o ensino da sã doutrina, a aplicação da disciplina, o combate aos falsos mestres e a instrução da sã doutrina aos crentes.

b) A liderança das igrejas (Tt 1:5-9). Paulo tinha uma solene preocupação com o governo da igreja. Uma igreja bíblica precisa ter líderes sãos na fé e na conduta. Paulo deixa claro que o objetivo supremo do governo da igreja é a preservação da verdade revelada.

c) O combate aos falsos mestres e às falsas doutrinas (Tt 1:10-16). A liderança da igreja precisa vigiar para que os lobos que estão do lado de fora não entrem; nem os lobos vestidos de peles de ovelha, disfarçados dentro da igreja, arrastem após si os discípulos (At 20:29-31). Esses falsos mestres podiam ser identificados por intelectualismo especulativo (Tt 3:9), espírito de exclusividade (Tt 2:11), ascetismo (Tt 1:15), licenciosidade (Tt 1:16), ganância (Tt 1:11), mitos e fábulas (Tt 1:14) e legalismo judeu, que exigia a circuncisão e promovia fábulas judias e mandamentos de homens (Tt 1:14) .

d) O ensino da sã doutrina (Tt 2:1). A igreja não deveria ficar apenas na defensiva, combatendo os falsos mestres, mas deveria sobretudo engajar-se no ensino da sã doutrina. Esta palavra "sã" é um termo médico e indica a doutrina que está livre de corrupção e enfermidade. É evidente que a falsa doutrina e o falso ensino ameaçavam a igreja cretense.

e) A promoção da ética cristã (Tt 2:2-10). Paulo dá orientações claras para os líderes e para os liderados. As prescrições apostólicas contemplam os idosos, os recém casados, os jovens e os servos. Não é suficiente ter doutrina sã, é preciso também ter vida santa. A doutrina sempre deve converter-se em vida. Quanto mais conhecemos a verdade, tanto mais deveríamos viver em santidade.

f) A prática das boas obras (Tt 2:11-14; 3:8,14). Não somos salvos pelas boas obras, mas demonstramos nossa salvação por meio delas. A salvação é pela fé somente, mas a fé salvadora nunca vem só; ela é acompanhada das boas obras. A fé é a causa; as boas obras são o resultado da salvação. As nossas boas obras não nos levam para o céu, mas nos acompanham para o céu (Ap 14:13).

g) A submissão às autoridades (Tt 3:1-11). A igreja de Deus é um lugar de ordem, e não de anarquia; de obediência, e não de insubmissão. Insurgir-se contra as autoridades instituídas por Deus é desafiar o próprio Deus que as instituiu. Assim, a fonte da autoridade não está nela mesma, mas em Deus.

IV. FELEMOM, A PRÁTICA DO PERDÃO CRISTÃO
Esta Carta é um manual de relacionamento. Trata de amor, perdão, restituição e reconciliação. Embora essa tenha sido escrita há quase vinte séculos, seus ensinos continuam vivos, atuais e absolutamente oportunos.

Essa breve carta está repleta de sabedoria. A abordagem de Paulo é cheia de ternura e sensibilidade. Ele não ordena, roga. Ele não critica, elogia. Ele não prevalece pela força da autoridade, mas pela eloquência da brandura.

1. Data. A carta foi enviada juntamente com a Epístola aos Colossenses (por volta de 60 d.C), ou seja, cerca de trinta anos após a ascensão de nosso Senhor.

2. O propósito da Carta. Paulo escreve essa carta para enviar Onésimo, o escravo fugitivo, agora convertido a Cristo, de volta ao seu senhor, Filemom. O Evangelho o havia libertado espiritualmente, mas não o dispensava de seus deveres sociais. O Evangelho não alforriou os escravos de seus deveres, mas quebrou suas algemas espirituais e os libertou para uma nova vida em Cristo. Não bastava a Onésimo estar arrependido de seu delito. A restituição era o passo seguinte a ser dado. E ambos, Paulo e Onésimo, decidiram por isso.

Possivelmente, Onésimo, além de fugir da casa de seu senhor, também havia subtraído alguns pertences de Filemom. Era duplamente culpado. Segundo a lei romana, ele podia ser preso, torturado e morto. Contudo, Onésimo fugindo da escravidão, encontra sua verdadeira liberdade em Cristo. Torna-se um novo homem. Agora, mesmo sob o jugo da escravidão, está verdadeiramente livre. Mesmo sendo útil a Paulo em Roma, o velho apóstolo resolve devolvê-lo ao seu dono. Antes, porém, roga em nome do amor, para que Filemom receba o escravo como a um irmão. Se antes Onésimo lhe parecia inútil, agora seria útil. Se antes ele era alvo de severa disciplina, agora deveria ser recebido como se fosse o próprio apóstolo Paulo em pessoa.

A tônica dessa carta é o perdão. Filemom deveria perdoar aquele a quem Deus já havia perdoado. Filemom não deveria punir aquele por quem Cristo já havia sido castigado na cruz. Filemom deveria receber como a um filho o escravo que o havia desonrado.

3. As principais ênfases de Filemom. A carta de Paulo a Filemom é uma jóia de raro valor. Há tesouros inestimáveis que devem ser explorados nessa pequena Epístola. Vamos destacar algumas de suas ênfases.

a) O poder do Evangelho. O Evangelho de Cristo é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Ele transforma o rico e o pobre; o escravo e o livre; o patrão e o empregado; o rei e o vassalo. O Evangelho rompe todas as barreiras, quebra todos os preconceitos, alcança todas as estratificações sociais e transforma o homem do palácio e também o da choupana, o da casa grande e também o da senzala.

O mundo ergue muralhas entre as pessoas, mas Jesus destrói esses muros. O mundo hoje divide e separa as pessoas pela cor de sua pele, pelo seu status social, econômico, cultural e religioso. Jesus veio ao mundo para derrubar a parede de separação. Ele abraçou aqueles que todos escorraçavam. Ele acolheu aqueles que todos expulsavam. Ele amou aqueles que todos repudiavam. Jesus tocou os leprosos, conversou com as mulheres, abençoou as crianças, recebeu os publícanos e pecadores e abriu a porta do reino até mesmo para as prostitutas. Jesus estendeu sua graça aos odiados samaritanos e trouxe esperança para os gentios.

O apóstolo Paulo mostra nessa Epístola, seguindo os passos do Mestre, que um rico senhor de escravos e um escravo fugitivo, convertidos a Cristo, são rigorosamente iguais perante os olhos de Deus. São membros da mesma família. Devem ser vistos como irmãos e amar-se como tal.

b) A igualdade do Evangelho. O Evangelho de Cristo alcança senhores de escravos e também os escravos. Transforma homens de fina estirpe e também os que procedem das classes sociais mais humildes. Na família de Deus, o senhor de escravos não é melhor do que os escravos. No reino de Deus todos são iguais. Eles são membros da mesma família, são irmãos. Filemom deveria receber Onésimo não mais como um escravo, mas como um irmão amado.

O Evangelho de Cristo não apenas torna as pessoas iguais, mas também as aproxima. Num tribunal secular, Filemom seria colocado de um lado e Onésimo do outro. De um lado estaria o patrão espoliado e do outro, o empregado ladrão. Porém, o Evangelho transforma os corações, as circunstâncias e aproxima aqueles que as leis humanas só poderiam separar. Por meio da fé comum em Cristo Jesus, Filemom e Onésimo são unidos. Deus ainda reconcilia pessoas apesar de suas diferenças e ofensas.

c) A providência do Evangelho. Onésimo fugia de seu patrão, mas não conseguiu fugir de Deus. Nessa fuga, ele é capturado por Deus e encontra o real sentido da vida. Nessa corrida rumo à liberdade, ele encontra o Evangelho de Cristo, que o liberta do pecado, sua escravidão mais opressiva.

d) A graça do Evangelho. O Evangelho de Cristo é maravilhoso. Não há casos irrecuperáveis para Deus. Não há poço tão fundo que o Evangelho não seja mais profundo. A graça é maior do que o nosso pecado. Onésimo roubou, fugiu, escondeu-se, foi capturado e encarcerado, mas quando pensou que havia chegado ao fim da linha Deus lhe abriu a porta da esperança. Não há casos perdidos para Deus. Não há casos irrecuperáveis para o Deus de toda a graça. Deus ainda continua transformando escravos em livres. Deus ainda continua encontrando os fugitivos para lhes trazer de volta ao lar; não como cativos, mas, como livres, filhos e herdeiros.

e) O Perdãodo Evangelho. A carta de Paulo a Filemom é um grande compêndio acerca do perdão. Aqueles que foram perdoados devem perdoar. Aqueles que foram libertados por Cristo devem despedaçar todo jugo. Aqueles que foram alvos da graça precisam ser canais dela. Aqueles que experimentaram o amor de Deus devem distribuir com generosidade esse amor. Filemom era amigo

de Paulo, mas também o senhor de Onésimo. Ele poderia punir Onésimo como um ladrão fugitivo. Porém, Paulo roga a Filemom que o receba não com punição, mas com perdão, como a um verdadeiro irmão na família da fé (v. 17).

f) A vitória do Evangelho. A carta a Filemom mostra de forma eloquente a vitória do Evangelho. O pecado afasta, o Evangelho aproxima. O pecado destrói relacionamentos, o Evangelho reconcilia. O pecado traz prejuízo, o Evangelho faz restituição. O pecado produz tristeza e decepção, o Evangelho promove alegria e contentamento. O pecado torna as pessoas prisioneiras, o Evangelho as faz livres.

CONCLUSÃO

O apóstolo Paulo foi um homem iluminado pelo Espírito Santo, e seus escritos devem ser considerados oráculos de Deus. A única função que os líderes da Igreja tem, hoje, é ensinar o que foi fornecido e selado nas Escrituras Sagradas.



Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Guia do Leitor da Bíblia – Lawrence O. Richards
Tito e Filemom(doutrina e vida, um binômio inseparável) – Rev.Hernandes Dias Lopes.
Comentário do Novo Testamento (1 e 2 Timóteo e Tito) – William Hendriksen.


Aula 11 – INVEJA, UM GRAVE PECADO


Texto Básico: 1João 2:9-15

“O coração com saúde é a vida da carne, mas a inveja é a podridão dos ossos”(Pv 14:30).

INTRODUÇÃO

A inveja significa antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos. É um pecado grave. Faz parte do rol das obras da carne exarado em Gl 5:19-21. “Carne” é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal. Aqueles que praticam as obras da carne não herdarão o reino de Deus(Gl 5:21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo(ver Rm 8:4-14).

Uma pessoa invejosa perturba-se com o sucesso dos outros. Não se alegra com o que tem, mas se entristece pelo que o outro tem. Um invejoso nunca é feliz porque sempre está buscando aquilo que não lhe pertence. Um invejoso nunca é grato, pois está sempre querendo o que é do outro. Um invejoso nunca tem paz porque sua mesquinhez é como um câncer que lhe destrói os ossos. Disse bem o sábio: “...a inveja é a podridão dos ossos” (Pv 14.30).

Conta-se a seguinte história sobre a inveja. “Uma serpente estava perseguindo um vaga-lume. Quando estava a ponto de comê-lo, o vaga-lume disse: ‘Posso fazer uma pergunta?’. A serpente respondeu: ‘Na verdade, nunca respondo a perguntas das minhas vítimas, mas, por ser você, vou permitir’. Então o vaga-lume perguntou: ‘Fiz alguma coisa a você?’. ‘Não’, respondeu a serpente. ‘Pertenço à sua cadeia alimentar?’, perguntou o vaga-lume. ‘Não’, ela respondeu de novo. ‘Então, por que você quer me comer?’, indagou o inseto. ‘Porque não suporto vê-lo brilhar’”.

O invejoso se queixa de tudo e de todos, acredita que não conquistará o que o outro possui, não reconhece as suas habilidades e talentos, pois está e vive focado no outro; portanto, torna-se um eterno insatisfeito.

Existem três tipos de inveja. O primeiro deles é a inveja autodestrutiva; é quando nos sentimos inferiores diante da aparência ou conquista de outras pessoas; quando nos sentimos incapazes e pobres por viajarmos de ônibus enquanto o nosso vizinho vai de automóvel, por exemplo.
O segundo tipo, o mais grave, é a inveja patológica, aquela que nos faz querer destruir aquele que invejamos. A primeira manifestação de inveja patológica está documentada na Bíblia, quando a perfeita comunhão de Abel com Deus leva Caim ao desespero e ao assassínio do próprio irmão.
O terceiro tipo é a inveja criativa que você sente e usa para conquistar o que deseja. Em vez de odiar o outro pelo que ele tem, tenta encará-lo como um exemplo a ser seguido. Por exemplo: um aluno conseguiu as melhores notas na disciplina; este tipo de inveja pode ajudar a melhorar as notas para superar o outro; estimula a se aprofundar nos estudos para conquistas de melhores empregos. Só que este tipo de inveja pode incorrer numa medida de insatisfação sem fim, numa busca infindável por bens; quanto mais tem mais quer; a medida da suficiência numa chega ao fim; é um eterno insatisfeito. Portanto, qualquer que seja o tipo de inveja é prejudicial a saúde espiritual do cristão, pois ela tem origem maligna. O invejoso não tem paz. Que Deus nos guarde!

I. A INVEJA NO PRINCÍPIO DO MUNDO
1. Inveja, um sentimento maléfico. A inveja é definida como uma vontade frustrada de possuir os atributos ou qualidades de outra pessoa. É o tipo mais antigo de pecado e afeta a saúde física, social e espiritual (Pv 14:30). De acordo com o Dicionário Vine, editado pela CPAD, a inveja “originou-se da fracassada tentativa de Satanás de usurpar os atributos divinos”. Ele permitiu que o orgulho e egoísmo dominassem seus pensamentos e ações, e logo o seu desejo foi o de ocupar o lugar de Deus. Ele queria ser maior que o Todo-Poderoso (Is 14:2-20), porém sua tentativa foi um fracasso e por causa disso foi determinado o seu destino: o lago de fogo e enxofre, ou seja, o inferno(Ap 20:10).

A pessoa que permite que a inveja se instale no coração desenvolve uma compreensão equivocada de si e dos outros e nutre um sentimento maléfico de crítica, ódio e perseguição. No princípio da humanidade, a inveja causou a primeira morte em nosso mundo: Caim matou seu irmão Abel(Gn 4:5). Precisamos vencer esses maus sentimentos e nutrir o coração com o verdadeiro amor que vem de Deus. Os que amam a Deus não podem abrigar ódio nem inveja.

2. Inveja, uma ação maligna. A inveja é um pecado com grande poder de dominação. Um pessoa dominada pela inveja está sempre propensa a praticar maldade, que é uma ação maligna.

Observe a advertência do Senhor para Caim: “Por que te iraste? E por que desmaiou o teu semblante? Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar”(Gn 4:6,7). Esta advertência do Senhor evidencia o perigo devido ao poder destrutivo e dominador da inveja. A consumação do homicídio não deixa dúvida. Uma pessoa tomada por inveja está vulnerável ao pecado, e dificilmente se livra de seu poder de dominação. O invejoso vai sendo tomado por uma série de outros sentimentos e atitudes, e esse descontrole pode levá-lo a praticar atos absurdos como no caso de Caim, que matou seu irmão. “A pessoa que pratica a maldade é naturalmente perversa e está sempre pronta a prejudicar e a ofender ao próximo”.

3. A inveja leva à maldade. Além de Caim, tomemos como outro exemplo a inveja de Saul. Embora tivesse, a princípio, uma disposição favorável a Davi, Saul se demonstrou depois muito hostil a ele, perseguindo-o com o propósito de o matar. Essa mudança não se deu de uma hora para outra, mas gradualmente, na proporção em que Saul nutria a inveja no coração. Aparentemente, o problema começou quando o aplauso popular desviou-se dele para Davi. Era-lhe muito pesaroso ver o nome de Davi em evidência, e o dele em aparente esquecimento. Por isso, passou a tê-lo como rival e inimigo. Esse problema sempre estará presente onde existirem pessoas com inveja.

De Saul podemos compreender que a inveja produz uma série de sentimentos ruins como: baixa autoestima, ódio, suspeita, medo, culpa e ira. A consequência disso foi o afastamento de Deus, que Saul infelizmente experimentou.

II. A INVEJA E SUA CONSEQUENCIA

1. Na vida de Caim. A família é o ambiente em que mais vivemos durante os primeiros anos de nossa vida, consequentemente é natural que nossos primeiros grandes problemas também aconteçam ali. As dificuldades que ocorrem no relacionamento entre irmãos são muitas e marcam muitas pessoas. Talvez a maior luta esteja exatamente relacionada a disputas, diferenças de oportunidades (ou de habilidade para aproveitá-las). A crise na família de Adão é um bom exemplo de inúmeros dramas familiares na história da humanidade.

Muitos conhecem a história dos irmãos Caim e Abel, filhos do primeiro casal da Terra, Adão e Eva. O resumo dos fatos é simples: Abel fez uma oferta aceitável ao Senhor, enquanto a oferta de Caim foi rejeitada. Isso trouxe profunda tristeza ao coração de Caim (Gn 4:2-5). Ele foi tomado por tamanha inveja que acabou por assassinar seu irmão. Entre a "concepção" do pecado e a prática de homicídio se deu algo realmente extraordinário, o próprio Senhor Deus foi ao encontro de Caim para adverti-lo do perigo iminente: "o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo"(Gn 4:7). Está escrito: “Pois, onde há inveja e sentimento faccioso, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tiago 3:16).

Talvez seja a hora de você fazer uma autoavaliação e observar se tem admirado ou sentido inveja do seu irmão ou do seu próximo.

2. Na vida dos irmãos de José. “E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era filho de sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores. Seus irmãos, pois, o invejavam”(Gn 37:3,11). “E os patriarcas, movidos de inveja, venderam a José para o Egito; mas Deus era com ele”(At 7:9).

José, aos dezessete anos de idade, teve um sonho e contou a seus irmãos. Ele lhes disse: "Estávamos nós atando molhos no campo e eis que o meu molho, levantando-se, ficou em pé; e os vossos molhos o rodeavam e se inclinavam ao meu molho". Responderam-lhe seus irmãos: "Tu, pois, reinarás sobre nós e deveras terás domínio sobre nós?". Por causa dos seus sonhos e das suas palavras o odiavam ainda mais.

Teve José outro sonho e o contou a seus irmãos, dizendo: "Tive ainda outro sonho; e eis que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim”. Os irmãos o odiaram por causa do sonho e seu pai repreendeu-o porque entendeu que, segundo o sonho, todos eles viriam a inclinar-se com o rosto em terra diante dele.

Os irmãos de José, totalmente envolvidos pela inveja, decidiram matá-lo (Gn 37:18) e o teriam feito se Ruben, o primogênito, não lhes tivesse demovido o intento (Gn 37:18-21). A presença de José os incomodava. Por isso, não sossegaram enquanto não deram um fim nele.

José perdeu, de um momento para outro, toda a sua posição privilegiada que tinha na casa de seu pai. Perdeu a “túnica de várias cores” e foi posto numa cova no deserto, uma cova vazia e sem água (Gn 37:24). Seus irmãos, insensíveis e cegos pelo ódio e pela inveja, comiam pão enquanto seu irmão estava a sofrer terrivelmente naquela cova. José estava só, abandonado pelos seus próprios irmãos. Em fim, venderam-no como escravo, por vinte siclos de prata a negociantes ismaelitas, que o levaram para ser vendido no Egito. Mas, será que os invejosos irmãos de José tinham paz? A história mostra que não.

A inveja desvia o foco, conduzindo a energia da pessoa para o lado errado. É um sentimento ambicioso que não lhe permite vislumbrar o que está à sua frente nem o que lhe pertence. Por conta disso, pode gerar vingança, crimes, violência, enganos e maus-tratos, tudo pelo desejo de possuir o que o outro tem, de querer estar no lugar dele.

3. Na vida de Acabe, rei de Israel(1Rs 21:1-19). Vivemos em um mundo competitivo e cheio de atrativos para nossos olhos. Se o conceito de inveja - "desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem” -, se aplicava bem para o caso de Caim, o conceito "desejo violento de possuir bem alheio" é bastante apropriado ao caso de Acabe. Nabote possuía uma vinha ao lado do palácio do rei Acabe (1Rs 21:1), e esse rei invejoso desejou ardentemente aquele bem. A sua mulher insana arquitetou a morte de Nabote a fim de atender a cobiça de Acabe.

Inveja quase que se mistura com cobiça, um dos pecados registrados entre os dez mandamentos (Êx 20:17). Inveja não anda só, porém sempre muito mal acompanhada. Os diversos textos que tratam de inveja geralmente a colocam na companhia da maldade, da soberba, da mentira, do cinismo e da morte. O desejo despertado pela inveja é tão poderoso que acaba por tornar-se ocupação única do invejoso. Acabe não desejava mais comer, ou fazer qualquer outra coisa (1Rs 2:4). A combinação de pecados relacionados à inveja produz um veneno tão poderoso que ameaça de morte tanto as pessoas à sua volta como o próprio invejoso.

Como no caso de Caim, o final da história foi o juízo de Deus sobre Acabe e sobre Jezabel. A cobiça do rei Acabe teve uma consequência ainda mais funesta do que toda a sua idolatria. Acabe e sua mulher Jezabel muito haviam irado o Senhor por causa da intensa idolatria e da quase substituição do Senhor por Baal como deus nacional do reino do norte. Entretanto, a morte de Nabote, planejada covardemente por Jezabel, motivada pela cobiça do rei Acabe, foi a “gota d’água” da ira de Deus. Por causa disto, Deus sentenciou toda a casa de Acabe à morte. Foi, portanto, a inveja e a cobiça o estopim da destruição de toda a grande e extensa família de Acabe (1Rs 21; 2Rs 10:1-14).

4. Na vida do crente. Quem tem inveja não consegue andar para frente, pois seu tempo é ocupado em tentar ser alguém que não é, em tentar impressionar seus pares, e até mesmo tentar privar o invejado daquilo que ele possui. Se falarmos de forma honesta, não há crente fiel que em algum momento de sua vida não tenha sentido desprazer pelo sucesso de outro crente. Isso pode acontecer como qualquer pessoa, pois ter nascido de novo não nos isenta de ser assaltados por sentimentos incompatíveis com nossa posição em Cristo. Nossa natureza humana está sujeita às propensões pecaminosas herdadas de Adão. A inveja é pecado, e de alguma forma, todos já tivemos um sentimento de desconforto por ver uma pessoa que tem mais talentos do que nós, que possui algo que desejamos ou que está em uma posição de destaque em que nós gostaríamos de estar. Isso faz parte da natureza humana. Entretanto, o crente não pode se deixar dominar por esse sentimento.

5. Um pecado que pode ser dominado. A maldade pode ser dominada. O próprio Deus insinua isso quando dá o conselho a Caim: “...mas sobre ele deves dominar"(Gn 4:7). Esse "maravilhoso conselheiro" informa à pessoa envolvida na atitude de inveja que é possível controlar o desejo indômito de praticar maldade, produzido pela inveja, e é tarefa humana (minha e sua) controlar essa situação. É muito importante que a pessoa acometida por inveja entenda o valor do seu papel na solução do problema. Ela precisa arrepender-se. Ela precisa ser ajudada a encontrar os motivos que a levaram a esse sentimento para poder superar os problemas e encontrar caminho de vitória. Não se trata de culpar os outros ou de julgar-se incapaz, mas de tomar para si a responsabilidade e, com a graça de Deus (e ajuda de alguém, quando necessário), encontrar o caminho mais adequado. No caso de Caim, ele fez a opção errada, chegando ao absurdo de matar seu próprio irmão. A consequência do ato foi o juízo de Deus sobre ele.

III. INVEJA NA IGREJA: ANANIAS E SAFIRA (At 4:36-5:11)
O casal Ananias e Safira é o mais notável indicador de que a inveja tem real penetração na comunidade da fé, causando sofrimento na Igreja do Senhor Jesus.

No princípio da Igreja muitos irmãos tomaram a decisão de venderem suas propriedades, trazendo o produto da venda aos apóstolos (At 4:32-35). Desse modo, ninguém passava por carência de produtos básicos de sobrevivência, pois os recursos eram distribuídos aos que tivessem necessidades. Uma das pessoas que compunham a igreja vendeu um campo e "depositou aos pés dos apóstolos" (At 4:36-37). O casal Ananias e Safira resolveu imitar a prática, porém não fez isso com o coração íntegro, mas com dolo e com a semente do engano (At 5:1-11). O caráter destrutivo dessa atitude movida pela inveja era evidente.

1. A inveja destrói o ambiente saudável da igreja. Mesmo levando em conta o registro da prisão de Pedro e João (At 4:1-22), pode-se dizer com segurança que a história inicial da igreja primitiva é bastante animadora até o final do capítulo quatro de Atos dos Apóstolos. O retrato que temos é de uma igreja com poder do Espírito Santo, sermões abençoados, muitas conversões e batismos, curas e uma belíssima comunhão dos salvos (veja At 4:32-35, novamente). O ambiente não poderia ser mais saudável.

O início do capítulo cinco de Atos é como uma tragédia lamentável. A morte espetacular de Ananias, e depois de sua esposa, Safira, abrem caminho para um tempo em que, ainda que continuasse o crescimento e a manifestação da graça de Deus, experimenta-se sofrimento de diversas formas: prisão e perseguição (At 5:17-18), murmuração entre os crentes (At 6:1), martírio (At 7) e dispersão (At 8:4).

2. A inveja destrói a vida abundante dos membros da igreja. Além do mal que se destina à comunidade, a inveja produz danos irreparáveis na própria pessoa do invejoso. Ananias e Safira surgem como pessoas crentes, capazes de desenvolver diálogo entre si, membros da comunidade da fé e proprietários de bens. Eram abençoados e alcançaram a condição de ser bênção na vida da igreja, mas acabaram tornando-se problema para a igreja e trazendo a morte para si. "Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte" (Pv 14:12).

Assim como nos casos de Caim e de Acabe, também no caso de Ananias e Safira o resultado foi juízo de Deus sobre cada vida. Isso serve de lição àqueles que ainda não se libertou desse sentimento maligno.

3. O invejoso pode ser ajudado. Em muitos casos, pessoas que frequentam nossas igrejas dão todos os sinais de que estão envenenadas pela flecha da inveja, mas poderiam ser ajudadas mediante um trabalho preventivo, ou até mesmo mediante a confrontação, como fez o Senhor a Caim. Uma boa conversa (em alguns casos, um bom acompanhamento) poderá ser útil a fim de evitar que a semente perigosa da inveja frutifique em árvore frondosa, com frutos venenosos.

A igreja deve planejar estudos bíblicos e trabalhar para que todos os crentes tenham boa saúde espiritual, e vivam de modo a honrar o nome do Senhor - isso significa viver longe da inveja.

CONCLUSÃO

Há pessoas que servem de modelo para nossa caminhada pessoal, mas se não vigiarmos nosso coração, tais pessoas acabam sendo alvo de inveja, e não de admiração. Analise suas emoções, aprenda a admirar e não invejar a prosperidade, o sucesso, ou qualquer feito alheio. As conquistas devem inspirar-nos. Para conquistar, é preciso ter vontade, coragem, força, energia, integridade e confiança, percorrendo o caminho até à vitória. Infelizmente, os invejosos só veem o final, não analisam o processo. Conscientize-se de que o contentamento e a gratidão nos ajudam a ser pessoas não invejosas (1Ts 5:18). Amém!



Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com
Referências Bibliográficas:
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Antigo Testamento).
Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Revista Ensinador Cristão – nº 51 – CPAD.
Reconhecer e vencer a inveja – Série Vida Cristã(Conflitos da Vida, editora Cristã Evangélica).