quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A bem aventurança do perdão




O perdão de pecados fala daquele estado de graça alcançado no momento em que o pecador penitente decide por confiar em Jesus, aceitando a Sua obra na cruz como o preço da redenção individual. O perdão se constitui no marco zero da nossa caminhada para alcançar a estatura de varão perfeito (Ef 4.13).

I. O TRÍPLICE ASPECTO DO PERDÃO.


A ideia de perdão, na Bíblia, tem muito maior alcance e significado do que aquele que costumeiramente temos em mente. Dependendo da raiz donde deriva o termo, perdão significa: “deixar”, “soltar”, “cancelar”, “remir”, “desobrigação”, “cancelamento”, “remissão” e “não levar em conta”.

Para melhor compreendermos a doutrina bíblica do perdão e a bênção que significa para a nossa vida de salvos, devemos levar em consideração o seguinte:

O Perdão é uma Concessão Divina (Sl 32.2). – Na Bíblia são abundantes as passagens que falam de Deus como o perdoador de pecados (Dt 29.20; 2Rs 24.4; Jr 5.7; Lm 3.42). Davi disse a sua própria alma: “É Ele (Deus) quem perdoa todas as tuas iniquidades…” (Sl 103.3). Os judeus tinham a consciência de que ninguém mais, senão Deus podia perdoar pecados (Mc 2.7). João, o apóstolo amado, diz que Deus está pronto para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça, mediante Jesus Cristo (1Jo 1.9).

Deste modo quando o perdão é obtido, deve ser recebido com gratidão ao Senhor e tratado com respeito e admiração. Uma vez que como pecadores, só merecemos o castigo, o perdão é graça admirável.

Paulo diz que jamais poderemos obter a absolvição de nossos pecados pelos méritos de nossas próprias obras, mas unicamente pela graça divina (Ef 2.8-10). Deste modo, buscar o perdão divino como algo meritório, significa rejeitar a provisão graciosa de Deus, que diz: “Ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Is 1.18).

O Perdão é Alcançado Mediante o Arrependimento (At 3.19). – O arrependimento é condição indispensável para se alcançar o perdão divino. O arrependimento é uma forma de expressão do entristecimento do pecador por causa de seus pecados. É uma forma de “desespero” que lança o pecador nos braços do único que pode lhe ajudar – Deus.

Face a iminente manifestação do reino de Deus, João Batista pregou aos seus contemporâneos: “Arrependei-vos….” (Mt 3.2). De igual modo Jesus inaugura a era da graça, dizendo: “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1.15). A era da proclamação do Evangelho foi inaugurada com as seguintes palavras de Pedro: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (At 3.19).

O arrependimento deve levar o penitente à confissão, ainda que nem sempre a disposição de confessar seja resultante do verdadeiro arrependimento. Note, por exemplo, Saul. Foi um dos homens que mais confissão fez a Deus no passado, mesmo assim nunca permaneceu em pé diante de Deus, tendo, inclusive, morrido no seu pecado, por lhe faltar o verdadeiro arrependimento.O hábito de confissão, sem o verdadeiro arrependimento, tende a transformar-se em cinismo e completo abandono do favor divino.

O Perdão Cancela a Culpa (Cl 2.13,14). – Paulo diz que quando estávamos mortos em nossos pecados e na incircuncisão da nossa carne, Cristo nos vivificou juntamente com Ele, perdoando nos “todas as nossas ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suar ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.13,14).

A compreensão do cancelamento da culpa, através do perdão, deve conduzir-nos à compreensão da doutrina da justificação apresentada sob duplo aspecto: o cancelamento da dívida do pecado na “conta” do pecador, e o lançamento da justiça de Cristo em seu lugar (Rm 3.24,-26).

Conta-se que Martinho Lutero, certa ocasião, defrontou-se com o diabo que o acusava da culpa de pecados grosseiros. Após abrir alguns pergaminhos nos quais estavam registrados os pecados de Martinho Lutero, disse este a Satanás: “Satanás, te esqueceste de acrescentar no final que o sangue de Jesus, o Filho de Deus, me perdoou de todos estes pecados”.

Esta é a certeza que todo o crente perdoado deve ter – de que todo o pecado passado já foi perdoado e a culpa do mesmo cancelada e removida para sempre. Já não há porque viver sob o tormento das acusações do diabo.

BÊNÇÂOS DECORRENTES DO PERDÂO (Sl 32.7-11).
Muitas são as bênçãos alcançadas pelo crente, decorrentes do perdão divino. Dentre essas se destacam as seguintes:

Abrigo (Sl 32.7). – Perdoado dos seus pecados confessados, disse Davi acerca de Deus, o seu perdoador: “Tu és o lugar em que me escondo; tu me preservas da angústia; tu me cinges de alegres canto de livramento”. Deus promete abrigo seguro, junto ao seu coração, àquele que anda em retidão na sua presença (Sl 24.3,4). Cf Pv 18.10 com 2Sm 22.3,51).

Instrução (Sl 32.8). – Só o homem perdoado pode gozar do privilégio de ser entregue aos cuidados e instruções do Senhor. Nascido do Espírito, ontem, hoje e sempre o crente perdoado sabe que pode confiar na direção de Deus para com a sua vida (Jo 3.8).

Inteligência (Sl 32.9). – O cavalo e a mula precisam de cabresto para ser puxados; o crente, porém, é conduzido pela voz interior da mente de Cristo que nele habita (1Co 2.13). Ler 1 Jo 2.27.

Confiança (Sl 32.10). – É extremamente confortador saber que, numa época quando as instituições seculares estão a fracassar e as promessas humanas a falhar mais e mais, podemos exercer confiança no Deus eterno, pronto a cumprir a sua palavra fielmente. (Jr 1.12; compare com Pv 23.18).

Regozijo (Sl 32.11). – A alegria no Senhor, como um estado de alma, chama-se “regozijo” ou “gozo”. É um privilégio exclusivo do homem e da mulher perdoados. É um estado de alma só experimentado por “aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto…” (Sl 32.1). O crente deveria jamais esquecer do imerecido perdão divino. O perdão alcançado em Deus fecha as portas que ficam detrás de nós, enquanto abre de par em par as portas do porvir. (Sl 116.12-14).

Pr. Adilson Faria Soares
http://www.kairosministeriomissionario.com/


Fonte:http://www.reflexoesevangelicas.com.br
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