segunda-feira, 30 de abril de 2012

TERCEIRA CARTA A IGREJA EM PÉRGAMO






Pérgamo, situada junto ao rio Caico, a 25km do Mar Egeu, era uma importante cidade da Ásia Menor. Centro de várias religiões pagãs, possuía grandes templos, entre os quais havia um para Esculápio, o “deus da cura”, cujo distintivo constituía-se de uma serpente. Havia também naquela cidade um suntuoso templo para adoração do imperador romano. O Evangelho chegou a Pérgamo provavelmente no ano 54, quando Paulo a partir de Efeso, evangelizava a Ásia Menor (At 19.10). Na carta que Jesus envia à igreja, em Pérgamo, ele a adverte sobre um grande perigo que a ameaçava. O mesmo ocorre ainda hoje, e teremos grande proveito ao estudar este assunto.

Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do largo Vale do Rio Caico. Para os intérpretes históricos, a palavra “Pérgamo” leva outro sentido, isto é, ao invés de “torre” ou “castelho”, traduzem a palavra por “casada”. Historicamente, nos fins do primeiro, segundo e terceiro séculos, especialmente mediante o gnostissismo libertino, e, profeticamente, na época de Constantino, houve uma espécie de “casamento” entre a igreja e o estado. Sua suposta significação de “casada”: segundo se diz, deriva-se disso.

UMA IGREJA FUNDAMENTADA EM JESUS

A igreja em Pérgamo tinha como fundamento a salvação em Jesus Cristo.

1. Uma salvação total. Os crentes em Pérgamo experimentaram uma salvação radical. Foi realmente um grande milagre, pois conforme a palavra de Jesus, Satanás tanto habitava como tinha o seu trono naquela cidade (Ap 2.13). Pelo poder do Evangelho, os crentes haviam sido tirados do mundo (Jo 15.19), das trevas para a luz (At 26.18); libertos dos ídolos (1 Ts 1.9), das vaidades (At 14.15) e daquela geração perversa (At 2.40). De modo radical tinham rompido com o paganismo e se declarado seguidores de Cristo.

2. Uma posição definida diante do mundo. A igreja em Pérgamo tomara uma posição correta em relação ao mundo. As perseguições foram muito duras, e Antipas, um de seus membros, morrera (Ap 2.13). Todavia os crentes conservavam o nome de Jesus e não o negavam.
Somente quando há um rompimento total com os ídolos e o pecado, Deus se manifesta, poderosamente no meio dos fiéis (2 Co 6.14-18). Assim aconteceu em Pérgamo.

A PRESSÃO DO PAGANISMO CONTRA A IGREJA

O aparecimento de uma igreja, composta de membros anteriormente idólatras, fanáticos, mas que agora, convertidos ao Evangelho, procuravam conquistar outros para o lado de Jesus, representava uma derrota para o domínio totalitário de Satanás, naquela cidade.

1. Contra-ataque das forças do mal. As forças do mal fizeram um contra-ataque para forçar os crentes a voltar ao paganismo. Assim procedeu Faraó quando os israelitas saíram’ do Egito. Ele os perseguiu com todo o seu exército a fim de obrigá-los a voltar à escravidão (Êx 14.5-8).

Jesus revelou a estratégia do inimigo: “Quando o espírito imundo tem saído.., diz: voltarei para a minha casa de onde saí...” (Mt 12.43,44).

2. Os métodos de ataque do Maligno. Os métodos usados pelo inimigo contra a igreja em Pérgamo são os mesmos de sempre. Em primeiro lugar aplicou a arma da perseguição. Muitos foram mortos. Os crentes, porém, continuavam firmes, inabaláveis e intransigentes contra qualquer forma de influência pagã. Então Satanás empregou um método muito mais rigoroso, introduzindo doutrinas falsas através das quais abalou a resistência dos cristãos e diminuiu sua vigilância contra o pecado; as falsas doutrinas eram a de Balaão e a dos nicolaítas (Ap 2.14,15).

Tenho, todavia, contra ti algumas coisas (14): Apesar da perseverança dos cristãos em Pérgamo, haviam problemas graves ameaçando o bem-estar da congregação. Eles se mostraram tolerantes em relação a falsas doutrinas, especificamente dois erros citados nesta carta.

A DOUTRINA DE BALAÃO E A DOS NICOLAITAS

1. A doutrina de Balaão. Era uma doutrina perigosa, pois ensinava que a comunhão ou o relacionamento com os pagãos não fazia mal nenhum, insinuando, inclusive, que a maneira da viver do homem não desfaz o concerto com Deus. Este ensino eliminava a linha divisória entre a Igreja e o paganismo, levando os crentes a deixar o “caminho direito” (2 Pe 2.15). O Espírito Santo chamou-a de “doutrina de Balaão” porque tais ensinamentos coincidiam com o conselho dado aos israelitas por aquele religioso místico, que viveu em cerca de 1450 a.C. Ele seduziu o povo a participar das festas moabitas e, assim, cair em idolatria e prostituição (Nm 24.1-3).

A doutrina de Balaão foi a doutrina que Balaão ensinava, não apenas a doutrina sobre a pessoa de Balaão. Semelhantemente, a doutrina de Cristo não é apenas o ensinamento sobre a pessoa de Cristo. A doutrina de Cristo inclui o que Jesus ensinava. Considere a importância deste fato em relação a textos como Tito 2:10; Hebreus 6:1e 2 João 9. Se alguém for além do ensinamento dado por Jesus, não tem Deus.
Na igreja em Pérgamo, algumas pessoas agiam como Balaão. Incentivavam o povo a tolerar outras religiões, até participando da idolatria e da prostituição. A sua doutrina foi basicamente igual às idéias atuais de pluralismo (aceitação de diversas religiões como igualmente boas) e sincretismo (juntando duas ou mais religiões).

2. A doutrina dos nicolaítas. O fundador desta seita foi Nicolau, um dos sete diáconos de Jerusalém (At 6.5), que se desviou e começou a ensinar que não era necessário obedecer às proibições formuladas na reunião dos apóstolos em Jerusalém, quanto ao uso de coisas sacrificadas aos ídolos, como sangue, carne sufocada e fornicação (At 15.6,22-29). Segundo ele, havia tanta força na graça de Deus, que os atos dos homens não os afastariam dela. As mesmas idéias aparecem hoje, proclamando: “Isto não faz mal” (Ml 1.8), e “Os outros fazem também assim...”, etc.

Deus condena a tolerância de falsas doutrinas. Às vezes, os homens valorizamtanto a unidade entre pessoas (dentro de uma congregação ou até entre congregações diferentes) que desvalorizam a doutrina pura de Jesus. Toleram falsos ensinamentos e até práticas proibidas, como a imoralidade e a idolatria, mas insistem na importância de manter uma “igreja unida”. Se persistir nesseerro, o próprio Jesus trará o castigo. A unidade entre discípulos é importante, mas a pureza da palavra é mais importante do que a paz entre homens (Tiago 3:17). Uma igreja que serve a Jesus necessariamente rejeitará falsos mestres e suas doutrinas erradas.


3. Doutrinas que Deus abomina. Jesus disse que aborrecia a tais doutrinas (Ap 2.6,16). A Bíblia adverte para não recebermos a graça de Deus em vão (2 Co 6.1), nem convertê-la em dissolução (Jd v.4) ou dela nos privar (Hb 12.15). A graça de Deus se manifesta para fazer-nos renunciar à impiedade e a viver justa, sóbria e piamente (Tt 2.11,12). Somente os que perseverarem até o fim serão salvos (Mt 24.13).

UMA IGREJA CENSURADA PELO SENHOR

Apesar de algumas boas qualidades da igreja em Pérgamo, Jesus lança algumas censuras sobre ela.

1. Os seguidores de doutrinas falsas. Alguns dos membros da igreja em Pérgamo seguiam doutrinas falsas. Além de seguirem a doutrina de Balaão e dos nicolaítas, eles defendiam pontos de vista contrários à sã doutrina esposada por Jesus e seus apóstolos, e vivida pela igreja.

2. Contaminação no ministério da igreja. A situação era clamorosa. O próprio ministério da igreja estava afetado. Jesus escreveu ao anjo (o pastor) da igreja: “Tu tens lá os que seguem a doutrina de Balaão” (Ap 2.14). Jesus censurou o pastor por sua tolerância, diante do procedimento perigoso de alguns membros daquela igreja. O anjo da igreja fora.colocado à frente do rebanho, não só para presidir, mas, também, para admoestar (1 Ts 5.12), e devia ser zeloso pelo cumprimento da sã doutrina e aplicar a disciplina, caso os faltosos não tomassem uma atitude de acordo com a Palavra de Deus (Mt 18.18; 2 Ps 3.14).

3. Tolerância aos impenitentes. A tolerância do ministério para com os faltosos impenitentes abriu uma grande brecha. A igreja estava perdendo a sua força espiritual (Os 7.9; Jz 16.19,20), ocasionando um prejuízo incalculável. O mal se estava espalhando, porque um pouco de fermento faz levedar toda a massa (1 Co 5.8). A igreja corria perigo de não poder cumprir sua missão no mundo.

13. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.

1. “...O trono de Satanás”. No Apocalipse fala-se muito a respeito dele. As diversas denominações diabo, caluniador (Ap 2. 10; 12. 9; 12; 20. 2, 10), Satanás, adversário (Ap 2. 9, 13, 24; 3. 9; 20. 2, 7), definem- no em sua funcionalidade negativa, como: antiga serpente (Ap 12. 9; 20. 2), acusador de nossos irmãos (Ap 12. 10). No presente texto, fala- se do seu “trono”. Isto é, o lugar onde Satanás exerce autoridade, como se fora rei.

“A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos”), é usada no Novo Testamento com o sentido de “trono real” (Lc 1. 32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19. 28 e Lc 22. 30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou aos governantes humanos.

A possível referência atribuida ao “trono de Satanás” nesta passagem, pode ser (conforme alguns comentaristas) a COLINA que havia por trás da cidade, com 300 metros de altura, na qual havia muitos templos e altares dedicados com exclusividade à idolatria. Essa colina podia ser um monte ou o “trono de Satanás”, em contraste com o “Monte de Deus” (cf. Is 14. 13 e Ez 28, 14, 16).

1. Existe outra possível interpretação sobre o “trono de Satanás”. Vejamos a seguir: “A invasão da cidade de Pérgamo, é atribuída ao monarca Eumenes 11(197 a 159 d. C.). Foi esse rei (segundo Plínio) que criou uma biblioteca (em sentido técnico: Pérgamo, deriva-se de pergaminho) que chegou a atingir 200 000 volumes, e quem libertou Pérgamo dos invasores bárbaros.
Para comemorar, ergueu em honra a Zeus o “altar monumental” com 34 por 37 metros, cujas as fundações em ruínas, ainda podem ser vistas hoje. Esse altar pode ser “o trono de Satanás” do presente versículo.”

2. Ainda nos dias de Antipas. Nada se sabe de certo acerca desse personagem, exceto aquilo que poderia ser depreendido do texto em foco. As Escrituras não entram em detalhes sobre a biografia desta testemunha do Senhor na cidade de Pérgamo. A palavra grega para “testemunha” no dizer de G. Ladd, é martys, que mais tarde ficou coma conotação de mártir. Talvez neste contexto já tenha este significado.

Em 17.6 a mesma palavra é traduzida às vezes por “os mártires de Jesus”. O testemunho mais eficiente do cristão é ser fiel ao seu Senhor até à morte e ao martírio. Antipas foi uma delas!. Para aqueles que interpretam o livro do Apocalipse do ponto de vista histórico, acham que o antropônimo “Antipas”, no grego hodierno “Anti-pas”. Tratava-se da forma contraída de “Antipater”, que poderia ser traduzido à forma “Anti-papa”.

Assim, o seu nome pode ter sido profético, e significa: “Aquele que se opõe ao Papa”. Esta linha de pensamento aceita que as letras que formam a palavra “Antipas” tenham esse sentido. Para nós, este ponto de vista, não combina com a tese e argumento principal, razão por que Antipas foi morto antes do ano (96 d. e.), e o sistema papal só veio a existir séculos depois. Aceitamos ter sido Antipas um homem de origem Iduméria.

Este servo de Deus, uma vez convertido ao cristianismo em Jerusalém, sentindo a chamada de Deus, e em razão de ser conhecido pessoalmente do Apóstolo João, foi servir como bispo na cidade de Pérgamo. Existiam naquela igreja, segundo o texto divino, duas falsas doutrinas: (a) À de Balaão; (b) À dos nicolaítas. Antipas como sendo uma testemunha ousou desafiar sozinho e selar seu testemunho com seu próprio sangue opondo-se a este “sistema nocivo”. Semeão Metafrastes, diz que Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora.

O CAMINHO DA VITORIA SOBRE O ERRO

Jesus não só censurou a igreja em Pérgamo, mostrando-lhe os seus erros, como indicou-lhe o caminho da vitória.

1. Arrependimento. (Ap 2.16). Arrependimento significa uma nova tomada de posição, ou seja, uma mudança de mente diante dos erros cometidos’ Pedir perdão é firmar a decisão de não cometê-los novamente. A igreja devia, agora tomar atitude definitiva contra as doutrinas falsas que se alastravam entre seus membros. Jesus disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7). O Espírito Santo usa a sã doutrina como um prumo (Am 5.7,8) e descobre o que está torto e confirma o que está correto. Ele diz ainda: “Este é o caminho, andai nele” (Is 30.21). A doutrina aplicada com unção de Deus faz os crentes trilharem no caminho certo (Sl 101.6), porque “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

2. Ajuda aos que fraquejam. É de suma importância prestar ajuda aos que cambaleiam na fé. A nova tomada de posição da igreja inclui também a decisão de ajudar os que tropeçam na doutrina. Em primeiro lugar devemos, com mansidão e aptidão no ensino, ajudá-los para que voltem ao caminho direito (2 Tm 2.25,26; Ez 18.25-29). Porém, os que não querem deixar o seu erro, estão, conforme o ensino de Jesus, passíveis de disciplina (Mt 18.15-20).

A disciplina é um meio de ajudar os faltosos (2 Co 1.6,7) impondo-lhes o temor contra o pecado na igreja (At 5.11), assegurando nesta a presença de Deus (Js 7.12).

A atitude da igreja determina a atitude de Jesus para com ela. A Bíblia diz: “O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele. Se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará” (2 Cr 15 2). Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). E diz ago.. ra para a igreja em Pérgamo: “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti e contra eles batalharei...” (Ap 2.16). Jesus quer ficar com a igreja e usá-la para a vitória do Evangelho

Quem tem ouvidos, ouça (17): Como em todas as sete cartas, Jesus chama os ouvintes a darem a atenção devida a sua palavra.

Ao vencedor (17): Todas as cartas, também, incluem a promessa sobre a vitória. Aqueles que persistem até o final receberão a recompensa. Nesta carta, a bênção para o vencedor é descrita em duas partes:

● O maná escondido: Aqueles que recusaram qualquer participação na mesa dos demônios seriam sustentados pelo maná de Deus. Jesus é o maná dado pelo Pai (veja João 6:31-65). Ele sustenta os fiéis e lhes dá vida. A mensagem de Jesus continua oculta para os sábios deste mundo (veja 1 Coríntios 2:6-10).

● Uma pedrinha branca com um nome novo escrito: Um nome novo,freqüentemente, sugeria uma nova direção na vida, especialmente de uma pessoa abençoada por Deus (exemplos: Abrão > Abraão; Sarai > Sara; Jacó > Israel). Em Isaías 62:2-4, Desamparada e Desolada recebem nomes novos: Minha-Delícia e Desposada, mostrando a bênção de estar com Deus. Veja, também, 3:12. A pedrinha branca pode incluir vários significados, conforme os costumes da época. Pedras brancas foram usadas para indicar a inocência de pessoas acusadas de crimes; Jesus inocenta os seus seguidores fiéis. Pedras brancas foram dadas a escravos libertados para mostrar sua cidadania; os fiéis não são mais escravos do pecado, pois se tornaram cidadãos da pátria celestial (Filipenses 3:20). Foram usadas pelos romanos como um tipo de ingresso para alguns eventos; Jesus permite os fiéis entrarem na presença dele para o seu banquete (veja 19:6-9). Também foram dadas aos vencedores de corridas e aos vitoriosos em batalha. Os fiéis são vencedores que receberão o prêmio (2 Timóteo 4:7-8).

Conclusão
Devemos imitar a perseverança dos discípulos em Pérgamo, mantendo firme a nossa fé, mesmo se encararmos ameaças e perseguições. Ao mesmo tempo, não devemos negligenciar outras responsabilidades diante de Deus.
Servimos um Deus puro, e devemos manter e defender a doutrina pura que ele revelou. Qualquer doutrina que incentiva a idolatria ou a imoralidade vem do diabo. Procuremos o maná que vem de Deus para nos sustentar para sempre.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Lições bíblicas CPAD 1989

www.estudosdabiblia.net

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva

QUARTA CARTA A IGREJA EM TIATIRA




TIATIRA A IGREJA TOLERANTE

TEXTO ÁUREO = “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que saciedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiei com o infiel?” (2 Co 6.14,15).

VERDADE PRÁTICA = Qualquer manifestação espiritual que entre em contradição com a Palavra de Deus, é falsa.

TEXTO BIBLICO = Ap. 2: 18 – 29

INTRODUÇÃO

Satanás estava presente e ativo na Ásia quando Jesus enviou estas cartas às igrejas. Ele tinha sinagogas em Esmirna (2:9) e Filadélfia (3:9), e um trono em Pérgamo (2:13). Em Tiatira, ele tinha uma profetisa que incentivava as pessoas a conhecerem as “coisas profundas de Satanás”. Para servir a Deus num ambiente cheio da influência do diabo, o discípulo de Cristo teria que lutar e confiar em Deus, confiante da recompensa para os vencedores

Tiatira, era uma cidade localizada na Misia, região da Asia Menor, distante 80km de Smirna e considerada “santa” por causa do seu templo dedicado a Tyrinos, “deus do sol”. Na carta que Jesus enviou àquela igreja, Ele se referiu principalmente ao uso dos dons espirituais

A igreja em Tiatira (18): A cidade de Tiatira estava situada no caminho entre Pérgamo e Sardes. Atualmente, chama-se Akhisar (significa “castelo branco”), na Turquia. Lídia, a primeira pessoa convertida por Paulo na Europa, era de Tiatira (Atos 16:14), mas não temos mais nenhuma informação sobre esta igreja. O que sabemos da igreja vem das referências no Apocalipse.

A cidade de Tiatira era conhecida pela produção de púrpura, uma tinta usada em tecidos (veja Atos 16:14), além de roupas, artigos de cerâmica, bronze, etc. Havia em Tiatira grupos organizados de artesãos e profissionais, semelhantes às associações profissionais de hoje, mas com elementos religiosos de influência pagã. Como as outras cidades da época, Tiatira teve seus templos e santuários religiosos, incluíndo templos aos falsos deuses Apolo, Tirimânios e Artemis (uma deusa chamada Diana pelos romanos – veja Atos 19:34) e um santuário a sibila (orácula) Sambate. A importância de figuras femininas na cultura religiosa de Tiatira pode ter facilitado o trabalho de Jezabel, a mulher que seduzia os discípulos e incentivava a idolatria e a prostituição.

O Filho de Deus (18): Esta expressão aparece somente aqui no Apocalipse. É comum no Novo Testamento, especial-mente nos livros de João, como descrição de Jesus Cristo. Os servos fiéis são descritos, também, como filhos de Deus (veja 21:7; 1 João 3:1,2,10; 5:2; João 1:12; etc.) Aqui, a expressão obviamente se refere a Cristo.

Olhos como chama de fogo (18): Jesus tem olhos poderosos e penetrantes (veja 1:14; Daniel 10:6).
Pés semelhantes ao bronze polido (18): Ele tem força para castigar e até esmagar os seus inimigos (veja 1:15; Daniel 10:6).

UMA IGREJA ABENÇOADA PELO ESPÍRITO SANTO

A igreja em Tiatira havia experimentado muitas bên9ãos decorrentes da ação do Espírito Santo.

1. O cumprimento da promessa. Ela recebera o batismo com o Espírito Santo. No tempo dos apóstolos era comum os membros, em sua totalidade, serem batizados com o Espírito Santo (At 2.4; 8.15- 17; 10.44; 19.5,6), pois a promessa se referia a todos (At 2.39).

2. Os dons espirituais. O v. 19 do texto em estudo atesta que em Tiatira, os dons operavam, vigorosamente entre os crentes. Na igreja em Corinto, por exemplo, nenhum dom faltava (1 Co 1.7). Estas dádivas são oferecidas a todos os batizados com o Espírito Santo (1 Co 12.11), para o que for útil (1 Co 12.7) e para edificação da igreja (1 Co 14.3,12,26).

3. O uso correto dos dons. A igreja em Tiatira recebera a doutrina sobre o uso correto dos dons. Esse fato é evidenciado em que um bom número de membros reagiu e não aceitou o fanatismo que aparecera (Ap 2.24). Com este número de crentes fiéis e dispostos a manter a pureza da doutrina, Jesus podia contar.

EXAGEROS NO USO DOS DONS ESPIRITUAIS

Jesus mencionou uma mulher, membro da igreja, que havia recebido o dom de profecia, coisa inteiramente normal. Deus o dá a fim de que seja usado para edificação da igreja.

1. O perigo do orgulho. Aquela mulher, Jezabel, se deixou vencer pelo orgulho. Quando ela, no uso do dom, sentiu que Deus a abençoava, tornou-se orgulhosa. Jesus escreve que “ela se diz profetisa” (Ap 2.20). Ter o dom de profecia, não significa que alguém, por isto, seja “profeta”,’ que é um ministério da palavra, como apóstolo, evangelista, pastor, etc. (Ef 4.11). A Bíblia fala das quatro filhas do evangelista Filipe, as quais “profetizavam”. Logo em seguida é mencionado que “chegou da Judéia um profeta, por nome Agabo” (At 21.840). Observam-se aqui duas expressões distintas. As moças “profetizavam” e Ágabo era “profeta”. Em Tiatira, aquela mulher a si mesma chamava de “profeta”

2. Profecias da própria cabeça. Jezabel começou a inventar “profecias”. Ela “profetizava” dizendo que não era necessário obedecer às orientações dadas pelos apóstolos sobre a necessidade de os crentes se absterem de carne sufocada, sangue, prostituição e idolatria (At 15.20,28,29; Ap 2.20).
A Bíblia ordena que tudo deve ser examinado (1 Ts 5.21; 1 Co 14.29). Qualquer manifestação discordante da Bíblia é inteiramente falsa.

ANARQUIA NO USO DOS DONS ESPIRITUAIS

As “profecias” levianas começaram a seduzir os crentes para a idolatria e prostituição. Jesus disse que Jezabel tinha já “filhos” (Ap 2.23), isto é, seguidores, que estavam formando um grupo à sua volta. O Espírito Santo chamou aquela mulher “Jezabel” (Ap 2.20), certamente por causa da maneira como a esposa de Acabe, rei de Israel, seduzia o povo à idolatria e prostituição (1 Rs 16.30,31). Assim também aquela mulher estava causando estrago na igreja pelas suas “profecias”.

1. Jezabel e seu grupo. Jezabel formou um grupo em torno de si. Rodeada por um certo número de crentes fanáticos, Jezabel criticava a tantos quantos não “lessem por sua cartilha”, resultado que sempre acompanha o uso indevido dos dons (Mq 3.5).

2. Conseqüências do fanatismo. O fanatismo de Jezabel abriu a porta para manifestações demoníacas. Jesus mencionou que os seguidores de Jezabel até falavam “das profundezas de Satanás” (Ap 2.24). A Bíblia adverte sobre o perigo dos falsos profetas, que procuram enganar até os escolhidos (Mt 24.24). O erro de Jezabel abriu a porta para a operação de um espírito de impureza (Zc 13.2) pelo qual ela seduzia os membros da igreja para com ela se prostituírem. A Bíblia revela que existem, também, os espíritos de falsidade (Mq 2.1), de mentira (1 Ra 2.22), de adivinhações mentirosas (Ez 13.3-7). Os falsos profetas podem ser até portadores de contaminação de espiritismo e feitiçaria, embora “se encostem ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós?” (Mq 3.11). Eles usavam indevidamente,o “nome do Senhor” (Jr 29.23).

O SENHOR CENSUROU O ANJO DA IGREJA

1. Convém examinar as profecias. Deus havia ordenado que se examinassem as profecias. Já no Antigo Testamento Deus costumava chamar a atenção contra os profetas que falavam para seduzir o povo e afastá-lo do Senhor (Dt 18.22).

A Bíblia diz que estas coisas acontecem porque Deus quer provar o Seu povo e saber se este o ama de todo coração (Dt 13.3). No Novo Testamento Deus ordenou: “Examinai tudo. Retende ,o bem” (1 ‘1s 5.21). “Falem dois ou três profetas e os outros julguem” (1 Co 14.29). Tudo quanto é contrário à Palavra de Deus está debaixo da maldição (Gl 1.8,9).

Era realmente uma falta muito grave ter o anjo da igreja deixado de examinar em tempo as profecias que apareciam e se espalhavam na igreja. Deus ordenou o exame das profecias para. evitar que alguém, com autoridade de uma suposta manifestação do Espírito Santo, procurasse dominar o povo. “Ninguém vos domine a seu bel-prazer... estando debalde inchado na sua carnal compreensão” (Cl 2.18).

2. O perigo da omissão. A omissão do anjo da igreja em Tiatira foi causa de desordem, O fraquejar do pastor da igreja no tocante à manutenção da boa ordem, deu a Jezabel a oportunidade de fazer-se líder.

Em primeiro lugar devemos observar que ninguém, seja homem ou mulher, jamais se torna líder por ser portador de dons espirituais. A liderança na igreja é dada por Deus através dos ministérios, enquanto que a finalidade dos dons é a edificação da igreja (1 Co 14.3) e um meio para ajudar na ,obra (Ed 5.1,2). E, portanto, um sinal de fracasso quando um servo do Senhor deixa uma pessoa, que se diz profeta, dominá-lo pelas “suas revelações” (Jr 5.31).

Com todo o respeito devido às nossas irmãs portadoras de dons e dedicadas cooperadoras na obra, às quais Deus tem dado uma missão muito elevada e, também, usado de modo extraordinário, observamos que Deus não lhes deu a posição de líderes na igreja, coisa que le reservou aos homens por Ele chamados (1 Co 14.34; 1 Tm 2.12).

3. Responsabilizado o anjo da igreja. Jesus responsabilizou o anjo da igreja pelo estado em que a igreja se achava. Reinava um clima de tribulação (Ap 2.20). Muitos já se haviam desviado, outros estavam fanatizados e os crentes sinceros sofriam. O anjo da igreja abandonara as ovelhas diante do ataque do lobo (Jo 10.12,13). Que Deus nos guarde de semelhante falta...

OPORTUNIDADE PARA ARREPENDIMENTO

Jesus deu aos crentes desobedientes a oportunidade para se arrependerem. O arrependimento é uma nova tomada de posição resultante do reconhecimento do erro cometido, com pedido de perdão e uma sincera disposição de não mais errar.

1. Jezabel convidada a arrepender-se. Jesus chamou Jezabel a arrepender-se (Ap 2.21), mas ela endureceu o coração. Embora ela houvesse prejudicado tanto aos crentes, Jesus,, contudo, estava pronto a perdoá-la, dando-lhe uma nova oportunidade. Aqui nos lembramos da lição da casa do oleiro, no livro do profeta Jeremias. Quando o vaso se quebrou, o oleiro não jogou fora, mas fez do mesmo barro outro vaso (Jr 18.1-4).

2. Oportunidade ao grupo de Jezabel. Os seguidores de Jezabel foram também chamados ao arrependimento. Embora enganados até ao ponto de cometerem graves pecados, Jesus no seu amor lhes queria perdoar e restaurar. Importava somente reconhecerem seu erro e pedirem perdão. Assim, poderiam experimentar que “tudo se fez novo’ (2 Co 5.17).

3. O arrependimento do anjo da igreja. O anjo da igreja sentiu, com certeza, grànde arrependimento. Ele sabia que Jesus o considerava responsável por toda aquela tragédia. Ele, certamente buscou a Deus, entregando-se de novo para daí em diante, com mais cuidado, amor, sabedoria e firmeza, zelar pelo cumprimento da doutrina que lhe era confiada.

SAUDAÇÃO AOS CRENTES FIÉIS

Jesus enviou uma saudação especial para os crentes que não haviam seguido a Jezabel. Eles permaneceram fiéis à doutrina que haviam recebido. Com isto se pouparam de tribulações e deram um bom exemplo aos demais. Graças a Deus pelos crentes que agem como colunas na casa do Senhor (Ap 3.12), os quais, na hora da pressão não são levados em roda por todo o vento de doutrina (Ef 4.14).

1. “O que tendes, retende-o” (Ap 2.24,25). Fiquemos firmes! Ainda que alguns errem, os dons de Deus continuam sendo reais. Retenhamos, pois, a comunhão com a nossa igreja. Coisa nenhuma deverá nos afastar dela (Hb 10.25).

2. “Até que eu venha” (Ap 2.25). Jesus virá breve. Então tudo “o que o é em parte” (1 Co 13.10) será aniquilado. Por isto fiquemos sempre firmes e constantes, sempre abundantes. O nosso trabalho não é vão no Senhor (1 Co 15.58).

3. Todas as igrejas conhecerão... (23): O castigo divino tem vários propósitos. Um destes, obviamente, é o castigo dos culpados. Neste caso, Jesus prometeu matar as pessoas que praticaram a idolatria e a prostituição, caso não se arrependessem. Mas há um segundo motivo atrás deste castigo. A morte de alguns serviria de alerta para outros. As igrejas entenderiam que Jesus realmente sabe de tudo que acontece, e que ele julga retamente segundo as obras de cada um. Observamos a importância da disciplina divina para deter o pecado dos outros. Veja alguns exemplos: Acã (Josué 7; 22:20); Ananias e Safira (Atos 5:11); A correção pública de pecadores (1 Timóteo 5:20). Nós devemos aprender as lições dos pecados do passado, e considerar as conseqüências da desobediência.

4. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

1. “...o que o Espírito diz...”. O leitor deve observar que essa é uma expressão que figura em todas as cartas do Apocalipse, chamando a atenção dos leitores para a solene necessidade de darem atenção às palavras inseridas neste livro. “A mulher Jezabel e seus filhos prosseguirão tal como são, mas o “resto”, o remanescente, ouvirá” (Newll). “Que todo crente dê a mais estrita atenção a essa predição feita por Cristo, e que seja ela uma influência poder.sa sobre o nosso coração e  sobre a nossa vida”. Possuímos discernimento “espiritual” e a sensibilidade necessária para “dar ouvidos” ao que foi dito’? “...se ouvirdes hoje a sua voz (como diz o Espírito Santo), não endureçais os vossos corações” (Hb 3. 7-8). Esses são os “ouvidos” de que precisamos. Se os temos, então, que os usemos!!!.

Conclusão

Jesus vê tudo e faz uma distinção absoluta entre os servos de Satanás e os servos fiéis do Senhor. Para os que insistem em servir ao diabo, ele promete tribulação e morte. Para os discípulos dele, ele promete o dia de sua presença e o privilégio de reinar com ele sobre os inimigos.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

BIBLIOGRAFIA

www.estudosdabiblia.net

Lições bíblicas CPAD 1989

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva

QUINTA CARTA A IGREJA EM SARDES




A Igreja em Sardes --- vv. 1-6

O prefácio, mostrando: 1. A quem a carta foi dirigida: “... ao anjo que está em Sardes”, uma antiga cidade da Lídia, no pé do monte Tmolus, que foi considerada a principal cidade da Asia Menor, e a primeira nessa parte do mundo que foi convertida pela pregação de João; e, dizem alguns, a primeira que se revoltou contra o cristianismo, e uma das primeiras que foi colocada em ruínas, nas quais ainda está sem igreja ou ministério algum. 2. Por quem essa mensagem foi enviada:o Senhor Jesus, que aqui assume o caráter daquele “... que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas”, tomado do capítulo 1.4 , em que se diz que “... os sete Espíritos estão diante do seu trono”. (1) Ele tem os sete Espíritos, isto é, o Espírito Santo com sua diversidade de poderes, graças e operações; pois Ele é pessoalmente um, embora eficazmente vários, e aqui se pode dizer que é sete, que é o número das igrejas, e dos anjos das igrejas, para mostrar que para cada ministro, e para cada igreja, há uma dispensação e medida do Espírito dados para eles para que disso se beneficiem — um depósito de influência espiritual para que aquele ministro e igreja façam progresso, tanto para aumento quanto para continuação, cuja medida não é ordinariamente tirada deles até que o percam por uso inadequado.

Igrejas têm o seu estoque e fundos, assim como crentes individuais; e, por ser essa carta enviada a um ministério e uma igreja que está definhando, eles são convenientemente lembrados de que Cristo tem os sete espíritos, o Espírito sem medida e que é perfeito, a quem podem recorrer para reviver a sua obra entre eles. (2) Ele tem as sete estrelas, os anjos das igrejas; eles são estabelecidos por Ele, e prestam contas a Ele, o que os deve tornar fiéis e zelosos. Ele tem ministros a empregar; e influências espirituais para transmitir aos seus ministros para o bem da sua igreja. O Espírito Santo comumente age por meio do ministério, e o ministério não terá eficácia alguma sem o Espírito; a mesma mão divina segura a ambos.

O corpo dessa carta. Nela podemos observar que, ao passo que nas outras cartas Cristo começa com o elogio do que é bom nas igrejas, e depois prossegue para lhes dizer o que está faltando, aqui (e na carta a Laodicéia) Ele começa:

1. Com uma repreensão, e uma repreensão muita séria: “Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto”. A hipocrisia, e um declínio lamentável na religião, são os pecados de que essa igreja é acusada, por alguém que a conhecia bem, como também conhecia todas as suas obras. (1) Essa igreja tinha obtido uma grande reputação; tinha um nome, e um nome muito honroso, como igreja florescente, um nome de religião viva, de pureza de doutrina, de unidade entre os membros, de uniformidade na adoração, decência e ordem. Não lemos de nenhuma divisão infeliz entre eles. Tudo parecia bem, ao menos no que concerne à observação dos homens. (2)

Essa igreja na verdade não era o que aparentava na sua reputação. Tinham o nome de que estavam vivos, mas estavam mortos; havia uma forma de piedade, mas não o poder, um nome para viver, mas não o princípio da vida. Se não havia uma privação total de vida, mesmo assim havia um grande entorpecimento na sua alma e nos seus cultos, um grande entorpecimento do espírito dos seus ministros, e um grande entorpecimento nas suas ministrações, nas suas orações, nas suas pregações, nas suas conversas, e um grande entorpecimento no povo para ouvir; em oração, e em conversas; o pouco que ainda havia de vida entre eles estava, por assim dizer; expirando, prestes a morrer.

2. O nosso Senhor prossegue em dar a essa igreja em degeneração o melhor dos conselhos:“Sê vigilante e confirma o restante...” (v. 2). (1) Ele os aconselha a redobrarem a guarda. A causa de seu entorpecimento pecaminoso e de seu declínio era que tinham baixado a guarda. Sempre que baixamos a guarda, perdemos terreno, e por isso precisamos voltar novamente à vigilância contra o pecado, e Satanás, e contra tudo que é destrutivo para a vida e o poder da piedade. (2) Ele os aconselha a fortalecer as coisas que restaram, e que estão prestes a morrer. Alguns entendem isso como uma referência a pessoas; há alguns que haviam mantido a sua integridade, mas estavam em perigo de entrar em declínio com os outros.

E difícil manter-nos à altura da vida e do poder da piedade quando vemos um entorpecimento e um declínio gerais prevalecendo à nossa volta. Ou pode ser entendido acerca de práticas, como as seguintes: “.. . não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”, não estão à altura; há algo que falta nelas; há a casca mas não o cerne; há o esqueleto, mas não a alma — a sombra, mas não a substância.

Está faltando a coisa interior; suas obras são ocas e vazias; as orações não estão repletas de desejos santos, as esmolas e boas ações não estão repletas de verdadeira caridade; os sábados não estão repletos de devoção adequada da alma a Deus; não há afeições interiores correspondentes a atos e expressões exteriores.

Agora, quando falta algo ao espírito, a forma não pode subsistir por muito tempo. (3) Ele os aconselha a ponderar e a lembrar “.. . do que tens recebido e ouvido” (v. 3); não somente a lembrar o que ouviram e receberam, que mensagens tinham recebido de Deus, que sinais da sua misericórdia e favor para com eles, que sermões tinham ouvido, mas como eles tinham recebido e ouvido, que impressões as misericórdias de Deus haviam causado sobre a sua alma no começo, que afeições eles sentiram agindo sob a palavra e as ordenanças, o amor dos seus casamentos, a bondade da sua mocidade, o quanto o evangelho e a graça de Deus tinham sido bem-vindos para eles quando os receberam no início.

Qual é a bem-aventurança de que falavam então? (4) Ele os aconselha a guardar firmemente o que receberam, para que não percam tudo, e a se arre penderem sinceramente porque tinham perdido tanto da vida da religião, e tinham corrido o risco de perder tudo.

3. Cristo reforça o seu conselho com uma ameaça terrível no caso de ser desprezado:rirei sobre ti como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei (v. 3). Observe: (1) Quando Cristo abandona uma pessoa no que diz respeito à sua presença graciosa.
Ele vem a essa pessoa em juízo; e sua presença judicial vai ser terrível para os que pecaram e assim desperdiçaram a sua presença benevolente. (2) O tratamento judicial que vai dar ao seu povo decadente vai ser surpreendente; o seu entorpecimento vai mantê-los em segurança, e, a obtenção de uma visita irada de Crista a eles vai impedir ore- conhecimento dessa visita e o preparo para ela. (3) Uma visita de Cristo desse tipo vai ser para o prejuízo deles; Ele virá como um ladrão, para privá-los do que restou das suas alegrias e misericórdias, não por impostura, mas com justiça e eqüidade. tomando para si tudo que eles desprezaram.

4. O nosso bendito Senhor não deixa de dar a esse povo algum conforto e encorajamento:“No meio do juízo ele lembra da misericórdia (v. 4), e aqui: (1) Ele faz menção honrosa do remanescente fiel de Sardes, mesmo que pequeno: ‘..tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram suas vestes”; elas não tinham feito concessões à corrupção e à dissolução prevalentes nos dias e no lugar em que viviam. Deus nota, mesmo que seja um número pequeno, os que permanecem nele; e quanto menor em número, mais preciosos são aos olhos dele. (2) Ele lhes faz uma promessa muito generosa: comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso” — com vestes, as roupas brancas da justificação, e adoção e conforto, ou as roupas brancas da honra e da glória no outro mundo.

Eles andarão com Cristo nos agradáveis caminhos do paraíso celestial; e que conversa agradável vai haver entre Cristo e eles quando estiverem assim caminhando juntos’ Essa é uma honra adequada e apropriada à sua integridade, para a qual a sua fidelidade os preparou, e que de forma nenhuma é inconveniente que Cristo lhes confira, embora não seja uma dignidade legal, mas uma dignidade do evangelho que lhes é atribuída; não mérito, mas apropriabilidade. Mas os que andam com Cristo nas vestes puras da santidade real e prática aqui e se mantêm imaculados pelo mundo andarão com Cristo em vestes brancas de honra e glória no outro mundo; essa é uma recompensa adequada.

Chegamos agora à conclusão da carta, na qual, como antes, temos: 1. Uma grande recompensa prometida ao cristão vencedor (v. 5), e é em grande parte semelhante à que já foi mencionada: “O que vencer será vestido de vestes brancas”. A pureza da graça será recompensada com a pureza perfeita da glória. A santidade, quando aperfeiçoada, será a sua própria recompensa; a glória é o aperfeiçoamento da graça, diferente não em espécie, mas em grau. Agora, a isso é acrescentada mais uma promessa muito apropriada ao caso: “...de maneira nenhuma ris- curei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”.

Observe: (1) Cristo tem o seu livro da vida, um registro de todos os que herdarão a vida eterna. [11 O livro da eleição eterna. [2] O livro da memória de todos os que viveram para Deus, e conservaram a vida e o vigor da piedade em tempos maus. (2) Cristo não vai apagar os nomes dos fiéis desse livro da vida; os homens podem até estar alistados nos registros da igreja, como batizados, como os que fizeram uma profissão, como tendo um nome pelo qual viver, e esse nome pode chegar a ser apagado da lista, quando aparentemente não era mais que um nome, uni nome pelo qual vivei sem vida espiritual; esses com freqüência perdem também o nome antes de morrer, são tão abandonados por Deus a ponto de apagarem o seu próprio nome por sua maldade franca e grosseira.


Mas os nomes dos que são vencedores nunca serão apagados. Crista vai produzir esse livro da vida, e confessar os nomes dos fiéis que se mantêm em pé aqui, diante de Deus., e todos os anjos: Ele vai fazer isso como seu anjo, quando os livros forem abertos; Ele vai fazer isso como seu comandante e cabeça, conduzindo-os com Ele em triunfo ao céu, apresentando-os ao Pai: “Eis-me aqui, com os filhos que me deu o Senhor”. Como será grande essa honra e recompensa!

2. A exigência de atenção universal conclui a mensagem. Toda palavra de Deus merece atenção dos homens; aquilo que talvez pareça mais particularmente dirigido a um grupo de pessoas tem algo em si que é instrutivo a todos.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Comentário Bíblico Mathew Henry  - Novo Testamento Edição Completa

SEXTA CARTA A IGREJA EM FILADÉLFIA




A Igreja em Filadélfia -- vv. 7-13

Chegamos agora à sexta carta, enviada a uma das igrejas da Asia, em que observamos:

O sobrescrito, mostrando:

1. A quem foi diretamente dirigida: “... ao anjo da igreja que está em Filadélfia; essa também era uma cidade da Asia Menor, localizada nas fronteiras da Mísia e da Lídia, e obtivera o seu nome desse amor fraternal pelo qual era proeminente. Dificilmente podemos supor que esse nome lhe foi dado depois de ter recebido a religião cristã, e que foi assim denominada em virtude da afeição cristã que todos os crentes têm, e deveriam ter, uns pelos outros, como filhos de um Pai e irmãos de Cristo; mas antes, devemos supor que esse era o seu nome antigo, por conta do amor e da bondade que os cidadãos tinham e demonstravam uns pelos outros como uma fraternidade civil. Esse era um espírito excelente, e, quando santificado pela graça do evangelho, tornou-os uma igreja excelente, como de fato eram, pois aqui não se acha nenhuma falta nessa igreja, e, mesmo assim, sem dúvida, havia faltas nela de enfermidades comuns; mas o amor cobre essas faltas.

2. Quem assinou essa carta; o mesmo Jesus que é somente Ele o cabeça universal de todas as igrejas; e veja aqui que título Ele escolhe para se apresentar para essa igreja: “... o que é santo o que é verdadeiro o que tem a chave de Davi...”. Temos aqui a sua natureza pessoal: O que é santo e o que é verdadeiro, santo em sua natureza, e por isso não consegue ser outro do que verdadeiro à sua palavra, pois falou na sua santidade; e temos também sua natureza política: “...o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre”; Ele tem as chaves da casa de Davi, a chave do governo e da autoridade na igreja e sobre ela.

Observe: (1) Os atos do seu governo. [1] Ele abre. Ele abre uma porta de oportunidade para suas igrejas; Ele abre uma porta de proclamação aos seus ministros; Ele abre uma porta de entrada, abre o coração; Ele abre uma porta de admissão à igreja visível, estabelecendo os termos da comunhão; e Ele abre a porta de admissão à igreja triunfante, de acordo com os termos da salvação estabelecidos por Ele. [2] Ele fecha a porta.  Quando Ele que fecha a porta da oportunidade e a porta da proclamação, e deixa os pecadores obstinados na dureza do seu coração; Ele fecha a porta da comunhão da igreja para descrentes e pessoas profanas; e Ele fecha a porta do céu contra as virgens tolas que dormiram e desperdiçaram o seu dia da graça, e contra os obreiros da iniqüidade, por presunçosos e confiantes que fossem. (2)
A forma e a maneira em que Ele realiza esses atos, e isso é absoluta soberania, independente da vontade dos homens, e diante da qual o poder dos homens é irresistível: “... o que abre, e ninguém fecha e fecha, e ninguém abre”; Ele opera o querer e o efetuar, e, quando Ele opera, ninguém pode impedi-lo. Essas eram qualidades apropriadas a Ele, quando estava falando a uma igreja que tinha se empenhado em se conformar a Cristo em santidade e verdade, e que tinha desfrutado de uma porta larga de liberdade e oportunidade sob o seu cuidado e governo.

O tópico dessa carta, em que: 1. Cristo lhes traz à mente o que fez por eles: “...eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar’ (v. 8). Eu a abri, e a mantive aberta, embora houvesse muitos adversários. Aprenda aqui: (1) Cristo deve ser reconhecido como o autor de toda a liberdade e oportunidades de que suas igrejas desfrutam. (2) Ele toma nota e mantém a memória de quanto tempo já preservou sua liberdade e seus privilégios espirituais para eles. (3) Homens ímpios têm inveja das portas de liberdade de que desfruta o povo de Deus, e teriam prazer em fechá-las. (4) Se nós não provocarmos Cristo a fechar essa porta contra nós, os homens não poderão fazê-lo.

2. Essa igreja é elogiada: “...tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome” (v. 8). Nisso parece estar expressa uma suave censura: “Tu tens pouca força, uma pequena graça, que, embora não seja proporcional à larga porta de oportunidade que eu abri para ti, mesmo assim é verdadeira graça, que te manteve fiel”. A verdadeira graça, mesmo fraca, tem a aprovação divina; mas, embora Cristo aceite a pequena força, os crentes não devem descansar e ficar satisfeitos com o pouco, mas devem se empenhar para crescerem na graça, para serem fortes na fé, dando glória a Deus. A verdadeira graça, mesmo fraca, vai realizar mais do que os maiores dons ou o mais elevado grau de graça comum, pois vai capacitar o cristão a guardar a palavra de Cristo e a não negar o seu nome. A obediência, a fidelidade e a franca confissão do nome de Cristo são os frutos da verdadeira graça, e como tais são agradáveis a Cristo.

3. Aqui está uma promessa do grande favor que Deus iria conceder a essa igreja (vv. 9,10).Esse favor consiste em duas coisas: (1) Cristo iria subjugar os inimigos dessa igreja a ela. [1] Esses inimigos são descritos como os “.. que se dizem judeus”, mas que mentiam ao dizer isso — aspiravam ser o único povo singular de Deus, mas na verdade eram a sinagoga de Satanás. Assembléias que adoram a Deus em espírito e em verdade são o Israel de Deus; assembléias que ou adoram a falsos deuses, ou ao verdadeiro Deus de maneira errada, são a sinagoga de Satanás; embora professem ser o único povo de Deus, sua profissão de fé é uma mentira. [21 Sua sujeição à igreja é descrita: “...eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés”; não para prestar honra religiosa e divina à própria igreja, não ao ministério dela, mas serão convencidos de que estavam no erro, que esta igreja está certa e é amada de Cristo, e eles desejarão ser introduzidos na comunhão com ela para adorar o mesmo Deus da mesma maneira.

Como será efetuada essa grande mudança? Pelo poder de Deus agindo no coração dos seus inimigos, e por descobertas sinalizadoras do seu favor especial concedido à sua igreja: “...e saibam que eu te amo”. Observe que, em primeiro lugar, a maior honra e felicidade de que uma igreja pode desfrutar consiste no amor e no favor peculiares de Cristo. Em segundo lugar, Crista pode revelar esse seu favor ao seu povo de maneira tal que até os seus inimigos possam ver isso e ser forçados a reconhecê-lo.
Em terceiro lugar, isso vai amolecer pela graça de Cristo, o coração dos seus inimigos e torná-los desejosos de serem admitidos na comunhão com eles.

(2) Mais um exemplo do favor que Cristo promete a essa igreja é a graça perseverante nos tempos mais difíceis (v. 10), e isso vale corno recompensa por sua fidelidade em tempos passados.Aquele que tem se dará.

Observe aqui: [1] O evangelho de Cristo é a palavra da sua paciência. E o fruto da paciência de Deus para com o mundo pecador; coloca diante dos homens a paciência exemplar de Cristo em todos os seus sofrimentos pelos homens; chama os que o recebem ao exercício da paciência em conformidade com Cristo. [2] Esse evangelho deve ser guardado cuidadosamente por aqueles que dele desfrutam; eles devem viver à altura da fé, e prática, e adoração prescrita no evangelho. [3] Depois de um dia de paciência precisamos contar com uma hora de tentação; um dia de paz e liberdade do evangelho é um dia da paciência de Deus, e raramente está tão desenvolvido como deveria esta e por isso com freqüência é seguido de uma hora de aflição e tentação. [4] As vezes a provação é mais geral e universal; vem sobre todo o mundo e, quando é assim geral, comumente é mais breve. [5] Os que guardam o evangelho em tempos de paz serão guardados por Cristo na hora da tentação. Ao guardarem o evangelho, eles estão sendo preparados para a provação; e a mesma graça que os tornou frutíferos em tempos de paz vai torná-los fiéis em tempos de perseguição.

4. Cristo chama a igreja àquela tarefa para a qual Ele prometeu capacitá-la, que é: a perseverar, a guardar o que ela possuía. (1) A tarefa em si: “Guarda o que tens, a fé, a verdade, a força da graça, o zelo, o amor aos irmãos; tu foste tomado por esse excelente tesouro; guarda-o firmemente”. (2) Os motivos, tomados da rápida aparição de Cristo: “Eis que venho sem demora. Vê, estou para vir para aliviá-los nessa provação, para recompensar a sua fidelidade e para castigar os que se desviam; estes perderão a coroa à qual antes tinham direito, pela qual esperavam, e na qual se alegravam quando nela pensavam. Os cristãos que perseverarem receberão o prêmio dos que professavam a sua fé e apostataram,  estes que antes o esperavam”.

A conclusão da carta (vv. 12,13). Aqui:

1. Segundo a sua maneira comum, o Salvador promete uma recompensa gloriosa ao crente vitorioso, em duas coisas:  (1) Ele será uma “.. . coluna” magnífica no templo do meu Deus”; não uma coluna para dar sustentação ao templo (o céu não precisa desse tipo de escoras), mas um monumento da gratuita e poderosa graça de Deus, um monumento que nunca será deformado ou removido, como aconteceu com muitas colunas imponentes erigidas em honra a imperadores e generais romanos. (2) Nessa magnífica coluna haverá uma inscrição honrosa, como é comum nesses casos. [1]”... o nome do meu Deus”, em cuja causa o vencedor se engajou, a quem ele serviu, e por quem sofreu nessa batalha; “. .. e o nome da cidade do meu Deus”, a igreja de Deus, “...a nova Jerusalém, que desce do céu”. Nessa coluna serão registrados todos os serviços que o crente fez pela igreja de Deus, como ele defendeu os seus direitos, ampliou suas divisas, manteve sua pureza e honra; esse nome será maior do que o nome de Asiaticus ou Africanus; um soldado de Deus nas batalhas da igreja.


E então, mais uma parte da inscrição é: [2] O “...meu novo nome”, de Cristo, o Mediador, o Redentor, o comandante da nossa salvação; nisso vai se tornar evidente sob que bandeira esse crente vencedor se alistou, por exemplo de quem ele foi encorajado, e sob influência de quem combateu o bom combate, e saiu vitorioso.

2. A carta é encerrada com o pedido de atenção: “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”, como Cristo ama e valoriza o seu povo fiel, como ele elogia e como ele vai coroar a sua fidelidade.

Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Comentário Bíblico Mathew Henry  - Novo Testamento Edição Completa

SÉTIMA CARTA: À IGREJA EM LAODICÉIA




SÉTIMA CARTA: À IGREJA DE LAODICÉIA

14. “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”

1. “...Ao anjo da igreja”. O leitor deve observar que em todas as igrejas, a mensagem inicia-se com a expressão: “...ao anjo da igreja”, e concomitantemente, já estamos familiarizados com esses seres denominados de “anjos” (mensageiros), que no contexto divino são chamados de “estrelas” (cf. 1. 20; 2. 1, 8, 12, 18; 3. 1, 7, 14). Podemos deduzir daquilo que é depreendido, de (Cl 4. 12, 13), onde lemos: “Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servos de Cristo, combatendo sempre por vós em oração, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. Pois eu lhe dou testemunho de que tem grande zelo por vós, e pelos que estão em Laodicéia...”. Que Epafras, tenha sido pastor nesta igreja, é bem evidente, mas, não podemos afirmar que trinta anos depois, o mesmo ainda se encontrava ali.

1. LAODICEIA. O nome significa “Laodice” (em alusão a Laodice esposa de Antíoco II). Outros, porém, vêm nessa palavra grega o significado de “poko” e “juízo”, ou “costume”. Situação Geográfica: Laodicéia era uma cidade da província romana da Ásia Menor (hoje, atual porção da Turquia Asiática). A cidade recebeu este nome em alusão à esposa de Antíoco II (Theos), que tinha o nome de Laodice. “Já que Laodice era nome feminino, nos tempos do Novo Testamento, seis cidades receberam tal nome, no período helenista. Por essa razão, a Laodicéia do presente texto, era chamada de “Laodicéia do Lico”, isto é, conforme asseverava Estrabão; 578”, in loc(72). O trecho de Colossenses 4. 13-16 mostra-nos que, nos tempos de Paulo (talvez em 64 d. C.), Laodicéia já contava com uma igreja organizada e próspera.

2. Isto diz o Amém. Como já ficou demonstrado em comentário anterior a este, o Senhor Jesus, quando se apresenta a cada igreja, primeiro faz uma pequena introdução, depois prossegue. A palavra “Amém” veio sem tradução do hebraico para o grego e do grego para o português. Seu significado original traz a idéia de cuidar ou de edificar. O sentido derivado, que chegou até nós, traz a idéia de alguma coisa que é afirmada, ou confirmada positivamente; este é o seu sentido original. O termo é aplicado aqui à pessoa de Cristo, por ser Ele o sim de Deus em todas as promessas (cf. 2 Co 1. 19-20).

Neste livro do Apocalipse, o termo “Amém” envolve quatro usos distintos:

(a) O “amém” inicial, em que as palavras de quem fala são tomadas como palavras daquele que profere o “Amém” (cf. Ap 5. 14; 7. 12; 19. 4 e 22. 20). Nas páginas * do Antigo Testamento há instâncias desse uso em l Rs l.26; Jr 11.5 e 28.6,e ss.

(b) O “Amém” isolado, em que qualquer sentença suplementar fora eliminado. Talvez isso é o que se tem em Ap 5. 14, ver ainda tal uso, igualmente, em Dt 27. 15, 26 e Ne 5. 13, e ss.

(c) O “Amém” final, proferido pelo próprio orador (ver Ap 1. 6, 7; isso também se acha no Antigo Testamento, somente nas quatro divisões dos salmos, nos subtítulos, em SI 41. 14; 72. 19; 78. 52 e 106. 48, e ss.
(d) O “Amém” personificado, isto é, Cristo (Ap 3. 14), que talvez siga o mesmo, segundo se diz, fraseado de (Is 65. 16), “o Deus do Amém” ou “o Deus da Verdade”, conforme algumas traduções traduzem aquela passagem de Isaías.

15. “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente: ôxalá foras frio * ou quente!”.

1. “...nem és frio nem quente”. “Somos informados que Laodicéia não tinha suprimento de água própria, mas que tinha de ser servida por um aqueduto. Nesse caso, a água chegava morna. Os laodicenses se assemelhavam à sua água. O simbolismo fala sobre a indiferença “religiosa”, sobre a superficialidade, sobre a falta de resolução” (cf. Hb 8. 5 e 9. 23).

1. Três coisas marcantes devem ser analisadas na carta a igreja de Laodicéia: (a) O “tu és” da mornidão; (b) O “dizes” da autocomplacência (a igreja não tinha paixão nem emoção) e (c) O “és” da condenação infalível e terrível do Senhor. O Apóstolo Paulo, escrevendo aos colossenses cerca de 32 anos atrás, disse: “quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia...” Cl 2. la. Ele observou que o quente ali estava ficando “morno”. Cerca de trinta e dois anos mais tarde, isso se concretizou. A mensagem à igreja de Laodicéia é a última às sete igrejas da Ásia Menor. Das sete cartas, é a mais triste, sendo o contrário da carta a Filadélfia. Enquanto Filadélfia não tem coisa alguma de censura, esta não tem qualquer coisa de aprovação. Laodicéia era totalmente desagradável ao Senhor, e isso não por causa de seus pecados (tais como os repreendidos em Pérgamo e ‘Tiatira), mas por causa da sua apatia, seu indiferentismo. Deus quer que seus filhos sejam “fervorosos no espírito” (cf. Rrn 12. 11).

16. “Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te- ei da minha boca”.

1. “...és morno”. Em toda a extensão da Bíblia, a palavra “morno” é usada somente aqui. Três temperaturas são mencionadas neste versículo: “Frio”, “Quente” e “Morno”. Mas a intermediária foi considerada por Jesus Cristo a pior de todas elas, pois expressa apatia espiritual. Jesus predisse a primeira em (Mt 24. 12); Paulo falou da terceira em (Rm 12. 11), ver ainda (Sl 41. 1 e At 18. 25).

1. Vomitar-te-ei da minha boca. O estado de mornidão na criatura que aceita a Cristo e não o segue com sinceridade, é muito triste sob vários aspectos: (a) Fica “coxeando entre dois pensamentos...” (1 Rs 18. 21), à semelhança da “onda do mar”. Ver Tg 1. 6; (b) “O seu coração está dividido...”. Ver Os 10. 2a; (c) Ele serve ao Senhor: “...porém não com o coração inteiro”. Ver 2 Cr25. 2b; (d) “É um bolo que não foi virado”. Ver Os 7. 8b. São eles, em nossos dias, os que querem servir a Deus e as riquezas (Mt 6. 24), e por cuja razão ficam pendurados “entre o céu e a terra” como Absalão, o jovem ambicioso (cf. 2 Sm 18. 9). O resultado é ouvir do Senhor: “Vomitar-te-ei da minha boca”. O termo “vomitar” no grego é “emeo”, significa também “cuspir”. Desse termo é que deriva o vocábulo moderno: “emético”, um agente que causa vômito”. O organismo humano, não suporta substância morna; o Filho de Deus também não suportará crentes rotulados; só os que forem fiéis (cf. Hb 6. 4-8). Laodicéia em suma representa a igreja “morna” que Jesus “vomitará” no dia do arrebatamento. (Como contexto demonstrativo: Mt 25.10-12).

17. “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

1. “...Rico sou”. O poder absoluto corrompe! Isto pode ser analisado tanto no campo secular como no espiritual. Há criaturas que não se deixam mais admoestar; e vão a perdição (cf. Ec 4. 13). A experiência do servo de Deus deve está aquém da direção divina, pois sem ela jamais atingiremos o alvo (ver. Js 9. 1-14). O pastor de Laodicéia dizia consigo mesmo (à semelhança do fariseu): “Rico sou” (Cf. Lc 18. 11 e Ap 3. 17).

1. Estou enriquecido. O orgulho cegou-lhe os olhos da alma. Isto serve de advertência para todos: o orgulho é pecado (Pv 21. 4); mas dificilmente existe algo mais importante para o indivíduo carnal. Consideremos os pontos seguintes: (a) O orgulho é odioso para Cristo. Pv 8. 13; (b) Origina-se na justiça própria. Lc 18. 11; (c) Deriva da inexperiência espiritual. 1 Tm 3. 6; (d) Contamina o homem. Mt 7. 20, 22; (e) Endurece a mente. Dn 5. 20; (f) Impede a inquirição espiritual. SI 10. 4; (g) E uma das grandes características do diabo. 1 Tm 3. 6, e também dos ímpios. Rm1. 30; (h) Impede o aprimoramento espiritual. Pv 26. 12; (i) Os orgulhosos eventualmente serão humilhados por Deus. Is
2. 12; (j) O orgulho espiritual, segundo Paulo tornar-se-á muito comum nos últimos dias (2 Tm 3. 2). O anjo dessa igreja; tinha todas essas características em grau supremo.
18. “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e vestidos * brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas”.

1. “...unjas os teus olhos”. Transcrevemos aqui a oração feita por um justo para que Deus guardasse seus olhos da cegueira espiritual: “Põe colirio nos meus olhos, Senhor (Ap 3. 18). Eles são maus; e porque são maus, expõem-me o corpo a trevas mui perigosas (Mt 6. 23). Ajuda-me, ó Deus puro e santo, a erguê-los para Cristo Jesus, autor e consumador da fé (Hb 12. 2); a pô-los na brancura virginal dos lírios (Mt 6. 28); a elevá-los para os montes e depois olhar para o alto donde vem socorro (Sl 121. 1).

Não quero apenas ouvir-te a voz, Senhor, mas verte-te (Jó 42. 5). E como te verei com estes olhos? Aponta-me o Siloé (Jo 9. 7), em cujas águas possa remover o lodo restaurador dos meus olhos enfermos. Porque hei de prender, apavorado, meus olhos às forças desta vida, se, fitando o Senhor, possa caminhar sobre ondas revoltas sem perigo de naufragar (Mt 14. 29). Que consolo há em saber que os teus olhos repousam sobre os justos (1 Pd 3. 12)”. Se o pastor de Laodicéia tivesse feito essa oração, há muito que se teria arrependido. E sabido, segundo alguns historiadores que, em Laodicéia havia uma Escola de Medicina que fabricava um pó oftálmico. Mas a “Terra Frígia” (cinza da Frígia?) não curava a cegueira espiritual da Igreja.

19. “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: Sê pois zeloso, e arrepende.te

1. “.arrepende-te” Deus exorta através de Jesus “a todos os homens, e em todo o lugar que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo...” (At 17. 30a). Sobre o “arrependimento”, o Novo Testamento usa o termo grego “metanoia” por sessenta vezes. Essa palavra tem diversos* significados e diversas aplicações, sendo, porém, seu sentido primário: “uma mudança de parecer ou pensamento” para com o pecado e para com a vontade de Deus. O “arrependimento” é o primeiro aspecto da experiência inicial da salvação experimentada pelo crente, experiência essa que é chamada de conversão.
A conversão autêntica é uma parte essencial e a prova da regeneração. A regeneração é a obra de Deus no íntimo e a conversão é a exteriorização da salvação, por parte do homem, através do arrependimento e da fé. Pendleton dar a idéia de que a palavra: “arrependimento” e a tradução que tem, no Novo Testamento, abrange também o sentido primário de “reflexão posterior”, e, com sentido secundário, “mudança de pensamento” No presente versículo a exortação de Cristo, não é dirigida àqueles que estão sem salvação, mas aos que professam seguí-lo, e são tidos como pertencentes a Ele. Jesus não lhes diz “arrepende-te e sê zeloso. E sim “sê”, pois, zeloso e arrepende-te” Isto porque até diante de si próprios passavam por se terem arrependidos.

1. Eu re5reendo e castigo. (Contexto reflexivo). “A aplicação da disciplina pode ser em forma de.advertência pessoal (Mt 18. 15); visitação acompanhada (1 Co 4. 19-21; advertência pública (1 Tm 5. 20); comunicação escrita (2 Co 7. 8-10); exortação pessoal (Gl 6. 1 ARA); suspensão (2 Ts 3. 14, 15; Tt 3. 10); exclusão do rol de membros. Mt 12. 17b”.

20. “Eis* que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo”.

1. “...Eis que estou a porta, e bato”. A porta à qual Cristo bate é a porta da vida do indivíduo, da igreja, ou da comunidade.

1. “A famosa pintura de HOLMAN HUNT, em que Cristo aparece diante da porta, a bater, não mostra a maçaneta do lado de fora.

Quando Sir Noel Paton, pintou o famoso quadro representando o Rei coroado de espinho batendo à porta, foi censurado por que se esquecera de incluir a maçaneta na porta. Mas o célebre pintou de propósito omitira a maçaneta. E que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Um homem conhecido na cidade, levou, certa feita, seu filho pequeno, para ver esse quadro. O menino ficou ali pensando, por alguns momentos, e então perguntou: “Porque não abrem a porta?”. O pai respondeu que não podiam ouvi-lo batendo. O menino considerou a resposta por mais uns momentos mas não ficou satisfeito com a mesma. “Não”, disse o garoto? “é que estão ocupados no quartinho dos fundos, fazendo outras coisas, e nem sabem que Jesus está batendo à porta”. Nesta resposta há grande discernimento! Os crentes de Laodicéia viviam atarefados com seu comércio, com seus banquetes sociais, com suas riquezas introspectivas, e nem se quer ouviram Jesus bater e falar. O bater de Cristo, na vida, se verifica de muitas maneiras: no testemunho tranqüilo da oração, no sermão do pregador, na lição da escola dominical, na leitura da Palavra de Deus, mediante alguma tragédia, enfermidade, * mediante abalo, mediante a razão, mediante a vitória, mediante a perda, mediante a alegria, mediante a felicidade, mediante a dor, mediante a morte — a última e condundente maneira de Deus falar! (cf. Hb 1. 1).

21. “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono

1. “...no meu trono”. Até escritores pagãos e helenistas focalizaram essa idéia em seus escritos. O livro de 1 Enoque conta com certo número de referências similares a esta em foco.
O Eleito, o Messias, assentar-se-á em seu trono de Glória no porvir. Isso também pode ser comparado aos trechos de (Cl 3. 1; Hb 1. 8; ver: Fl 2. 9-11: Cristo está entronizado). E nas passagens de (Mt 19. 28; 25. 31 e Lc 22. 29) vê-se que Cristo será entronizado por ocasião de sua “Parousia” ou segunda vinda. As Escrituras nos dão a entender que, presentemente, Jesus não se encontra assentado no seu trono. Passagens como (Ap 3. 21 e 12. 5), reafirmam essa tese: “...seu filho (Jesus) foi arrebatado para Deus e para o seu trono”. Por isso, essa promessa de Jesus, é escatológica: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono (de Deus); assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono (de Deus)”. O trono de Cristo é o trono de seu Pai, Davi, durante o Milênio, em Jerusalém, Ele ocupará este trono. (2 Sm 7. 12, 13; Lc 1. 32; At 15. 14-18). Cristo não está atualmente nesse trono, mas à destra, segundo se diz, do Pai, no trono no céu, como o Grande Sumo Sacerdote de nossa confissão (cf. Mc 16. 19; Hb 4. 14).

22. “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

1. “...Quem tem ouvidos, ouça”. (O final). Pela última vez, no Apocalipse, temos, juntas, estas onze palavras: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. “O ouvir dos meus ouvidos... é ouvir em meditação a voz de Deus. (Cf. Jó 42. 5 e Sl 85. 8)”. Por cuja razão, nosso Senhor diz: “Vede pois como ouvis...” (Lc 8. 18a).

1. “As igrejas. A palavra “igreja” (gr. ekklesia) nasceu pela primeira vez dos lábios de nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 16. 18 e 18. 17, duas vezes). Nesse sentido ocorre por 119 vezes no Novo Testamento (só três vezes nos Evangelhos: Mt 16. 18 e 18. 17). Nessas 119 vezes em que o termo aparece, 109 vezes, surge no texto bíblico como igreja local, e encontramos cerca de 10 vezes no Novo Testamento a palavra Igreja com o sentido Universal. “Nestes primeiros capítulos (isto é, 1, 2 e 3) do Apocalipse encontramos a palavra “igreja” (singular) ou “igrejas” (plural) 19 vezes (cf. 1. 11, 20; 2. 1, 7, 8, 11, 12, 17, 18, 23, 29; 3. 1, 6, 7, 13, 14, 22, etc), mas agora, no presente versículo, ela desaparece, e só reaparecerá, no capítulo 22. 16. Durante o tempo da Grande Tribulação, a Igreja não estará na terra e, sim, com Cristo na recâmara celestial (cf. Ct 2. 17; Ap 3. 10).


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva