segunda-feira, 30 de abril de 2012

TERCEIRA CARTA A IGREJA EM PÉRGAMO






Pérgamo, situada junto ao rio Caico, a 25km do Mar Egeu, era uma importante cidade da Ásia Menor. Centro de várias religiões pagãs, possuía grandes templos, entre os quais havia um para Esculápio, o “deus da cura”, cujo distintivo constituía-se de uma serpente. Havia também naquela cidade um suntuoso templo para adoração do imperador romano. O Evangelho chegou a Pérgamo provavelmente no ano 54, quando Paulo a partir de Efeso, evangelizava a Ásia Menor (At 19.10). Na carta que Jesus envia à igreja, em Pérgamo, ele a adverte sobre um grande perigo que a ameaçava. O mesmo ocorre ainda hoje, e teremos grande proveito ao estudar este assunto.

Geograficamente, ocupava importante posição, próxima do extremo marítimo do largo Vale do Rio Caico. Para os intérpretes históricos, a palavra “Pérgamo” leva outro sentido, isto é, ao invés de “torre” ou “castelho”, traduzem a palavra por “casada”. Historicamente, nos fins do primeiro, segundo e terceiro séculos, especialmente mediante o gnostissismo libertino, e, profeticamente, na época de Constantino, houve uma espécie de “casamento” entre a igreja e o estado. Sua suposta significação de “casada”: segundo se diz, deriva-se disso.

UMA IGREJA FUNDAMENTADA EM JESUS

A igreja em Pérgamo tinha como fundamento a salvação em Jesus Cristo.

1. Uma salvação total. Os crentes em Pérgamo experimentaram uma salvação radical. Foi realmente um grande milagre, pois conforme a palavra de Jesus, Satanás tanto habitava como tinha o seu trono naquela cidade (Ap 2.13). Pelo poder do Evangelho, os crentes haviam sido tirados do mundo (Jo 15.19), das trevas para a luz (At 26.18); libertos dos ídolos (1 Ts 1.9), das vaidades (At 14.15) e daquela geração perversa (At 2.40). De modo radical tinham rompido com o paganismo e se declarado seguidores de Cristo.

2. Uma posição definida diante do mundo. A igreja em Pérgamo tomara uma posição correta em relação ao mundo. As perseguições foram muito duras, e Antipas, um de seus membros, morrera (Ap 2.13). Todavia os crentes conservavam o nome de Jesus e não o negavam.
Somente quando há um rompimento total com os ídolos e o pecado, Deus se manifesta, poderosamente no meio dos fiéis (2 Co 6.14-18). Assim aconteceu em Pérgamo.

A PRESSÃO DO PAGANISMO CONTRA A IGREJA

O aparecimento de uma igreja, composta de membros anteriormente idólatras, fanáticos, mas que agora, convertidos ao Evangelho, procuravam conquistar outros para o lado de Jesus, representava uma derrota para o domínio totalitário de Satanás, naquela cidade.

1. Contra-ataque das forças do mal. As forças do mal fizeram um contra-ataque para forçar os crentes a voltar ao paganismo. Assim procedeu Faraó quando os israelitas saíram’ do Egito. Ele os perseguiu com todo o seu exército a fim de obrigá-los a voltar à escravidão (Êx 14.5-8).

Jesus revelou a estratégia do inimigo: “Quando o espírito imundo tem saído.., diz: voltarei para a minha casa de onde saí...” (Mt 12.43,44).

2. Os métodos de ataque do Maligno. Os métodos usados pelo inimigo contra a igreja em Pérgamo são os mesmos de sempre. Em primeiro lugar aplicou a arma da perseguição. Muitos foram mortos. Os crentes, porém, continuavam firmes, inabaláveis e intransigentes contra qualquer forma de influência pagã. Então Satanás empregou um método muito mais rigoroso, introduzindo doutrinas falsas através das quais abalou a resistência dos cristãos e diminuiu sua vigilância contra o pecado; as falsas doutrinas eram a de Balaão e a dos nicolaítas (Ap 2.14,15).

Tenho, todavia, contra ti algumas coisas (14): Apesar da perseverança dos cristãos em Pérgamo, haviam problemas graves ameaçando o bem-estar da congregação. Eles se mostraram tolerantes em relação a falsas doutrinas, especificamente dois erros citados nesta carta.

A DOUTRINA DE BALAÃO E A DOS NICOLAITAS

1. A doutrina de Balaão. Era uma doutrina perigosa, pois ensinava que a comunhão ou o relacionamento com os pagãos não fazia mal nenhum, insinuando, inclusive, que a maneira da viver do homem não desfaz o concerto com Deus. Este ensino eliminava a linha divisória entre a Igreja e o paganismo, levando os crentes a deixar o “caminho direito” (2 Pe 2.15). O Espírito Santo chamou-a de “doutrina de Balaão” porque tais ensinamentos coincidiam com o conselho dado aos israelitas por aquele religioso místico, que viveu em cerca de 1450 a.C. Ele seduziu o povo a participar das festas moabitas e, assim, cair em idolatria e prostituição (Nm 24.1-3).

A doutrina de Balaão foi a doutrina que Balaão ensinava, não apenas a doutrina sobre a pessoa de Balaão. Semelhantemente, a doutrina de Cristo não é apenas o ensinamento sobre a pessoa de Cristo. A doutrina de Cristo inclui o que Jesus ensinava. Considere a importância deste fato em relação a textos como Tito 2:10; Hebreus 6:1e 2 João 9. Se alguém for além do ensinamento dado por Jesus, não tem Deus.
Na igreja em Pérgamo, algumas pessoas agiam como Balaão. Incentivavam o povo a tolerar outras religiões, até participando da idolatria e da prostituição. A sua doutrina foi basicamente igual às idéias atuais de pluralismo (aceitação de diversas religiões como igualmente boas) e sincretismo (juntando duas ou mais religiões).

2. A doutrina dos nicolaítas. O fundador desta seita foi Nicolau, um dos sete diáconos de Jerusalém (At 6.5), que se desviou e começou a ensinar que não era necessário obedecer às proibições formuladas na reunião dos apóstolos em Jerusalém, quanto ao uso de coisas sacrificadas aos ídolos, como sangue, carne sufocada e fornicação (At 15.6,22-29). Segundo ele, havia tanta força na graça de Deus, que os atos dos homens não os afastariam dela. As mesmas idéias aparecem hoje, proclamando: “Isto não faz mal” (Ml 1.8), e “Os outros fazem também assim...”, etc.

Deus condena a tolerância de falsas doutrinas. Às vezes, os homens valorizamtanto a unidade entre pessoas (dentro de uma congregação ou até entre congregações diferentes) que desvalorizam a doutrina pura de Jesus. Toleram falsos ensinamentos e até práticas proibidas, como a imoralidade e a idolatria, mas insistem na importância de manter uma “igreja unida”. Se persistir nesseerro, o próprio Jesus trará o castigo. A unidade entre discípulos é importante, mas a pureza da palavra é mais importante do que a paz entre homens (Tiago 3:17). Uma igreja que serve a Jesus necessariamente rejeitará falsos mestres e suas doutrinas erradas.


3. Doutrinas que Deus abomina. Jesus disse que aborrecia a tais doutrinas (Ap 2.6,16). A Bíblia adverte para não recebermos a graça de Deus em vão (2 Co 6.1), nem convertê-la em dissolução (Jd v.4) ou dela nos privar (Hb 12.15). A graça de Deus se manifesta para fazer-nos renunciar à impiedade e a viver justa, sóbria e piamente (Tt 2.11,12). Somente os que perseverarem até o fim serão salvos (Mt 24.13).

UMA IGREJA CENSURADA PELO SENHOR

Apesar de algumas boas qualidades da igreja em Pérgamo, Jesus lança algumas censuras sobre ela.

1. Os seguidores de doutrinas falsas. Alguns dos membros da igreja em Pérgamo seguiam doutrinas falsas. Além de seguirem a doutrina de Balaão e dos nicolaítas, eles defendiam pontos de vista contrários à sã doutrina esposada por Jesus e seus apóstolos, e vivida pela igreja.

2. Contaminação no ministério da igreja. A situação era clamorosa. O próprio ministério da igreja estava afetado. Jesus escreveu ao anjo (o pastor) da igreja: “Tu tens lá os que seguem a doutrina de Balaão” (Ap 2.14). Jesus censurou o pastor por sua tolerância, diante do procedimento perigoso de alguns membros daquela igreja. O anjo da igreja fora.colocado à frente do rebanho, não só para presidir, mas, também, para admoestar (1 Ts 5.12), e devia ser zeloso pelo cumprimento da sã doutrina e aplicar a disciplina, caso os faltosos não tomassem uma atitude de acordo com a Palavra de Deus (Mt 18.18; 2 Ps 3.14).

3. Tolerância aos impenitentes. A tolerância do ministério para com os faltosos impenitentes abriu uma grande brecha. A igreja estava perdendo a sua força espiritual (Os 7.9; Jz 16.19,20), ocasionando um prejuízo incalculável. O mal se estava espalhando, porque um pouco de fermento faz levedar toda a massa (1 Co 5.8). A igreja corria perigo de não poder cumprir sua missão no mundo.

13. “Eu sei as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita”.

1. “...O trono de Satanás”. No Apocalipse fala-se muito a respeito dele. As diversas denominações diabo, caluniador (Ap 2. 10; 12. 9; 12; 20. 2, 10), Satanás, adversário (Ap 2. 9, 13, 24; 3. 9; 20. 2, 7), definem- no em sua funcionalidade negativa, como: antiga serpente (Ap 12. 9; 20. 2), acusador de nossos irmãos (Ap 12. 10). No presente texto, fala- se do seu “trono”. Isto é, o lugar onde Satanás exerce autoridade, como se fora rei.

“A palavra “trono” (no grego hodierno, “thronos”), é usada no Novo Testamento com o sentido de “trono real” (Lc 1. 32, 52), ou com o sentido de “tribunal judicial” (cf. Mt 19. 28 e Lc 22. 30). Também há alusão aos “tronos” de elevados poderes angelicais, ou aos governantes humanos.

A possível referência atribuida ao “trono de Satanás” nesta passagem, pode ser (conforme alguns comentaristas) a COLINA que havia por trás da cidade, com 300 metros de altura, na qual havia muitos templos e altares dedicados com exclusividade à idolatria. Essa colina podia ser um monte ou o “trono de Satanás”, em contraste com o “Monte de Deus” (cf. Is 14. 13 e Ez 28, 14, 16).

1. Existe outra possível interpretação sobre o “trono de Satanás”. Vejamos a seguir: “A invasão da cidade de Pérgamo, é atribuída ao monarca Eumenes 11(197 a 159 d. C.). Foi esse rei (segundo Plínio) que criou uma biblioteca (em sentido técnico: Pérgamo, deriva-se de pergaminho) que chegou a atingir 200 000 volumes, e quem libertou Pérgamo dos invasores bárbaros.
Para comemorar, ergueu em honra a Zeus o “altar monumental” com 34 por 37 metros, cujas as fundações em ruínas, ainda podem ser vistas hoje. Esse altar pode ser “o trono de Satanás” do presente versículo.”

2. Ainda nos dias de Antipas. Nada se sabe de certo acerca desse personagem, exceto aquilo que poderia ser depreendido do texto em foco. As Escrituras não entram em detalhes sobre a biografia desta testemunha do Senhor na cidade de Pérgamo. A palavra grega para “testemunha” no dizer de G. Ladd, é martys, que mais tarde ficou coma conotação de mártir. Talvez neste contexto já tenha este significado.

Em 17.6 a mesma palavra é traduzida às vezes por “os mártires de Jesus”. O testemunho mais eficiente do cristão é ser fiel ao seu Senhor até à morte e ao martírio. Antipas foi uma delas!. Para aqueles que interpretam o livro do Apocalipse do ponto de vista histórico, acham que o antropônimo “Antipas”, no grego hodierno “Anti-pas”. Tratava-se da forma contraída de “Antipater”, que poderia ser traduzido à forma “Anti-papa”.

Assim, o seu nome pode ter sido profético, e significa: “Aquele que se opõe ao Papa”. Esta linha de pensamento aceita que as letras que formam a palavra “Antipas” tenham esse sentido. Para nós, este ponto de vista, não combina com a tese e argumento principal, razão por que Antipas foi morto antes do ano (96 d. e.), e o sistema papal só veio a existir séculos depois. Aceitamos ter sido Antipas um homem de origem Iduméria.

Este servo de Deus, uma vez convertido ao cristianismo em Jerusalém, sentindo a chamada de Deus, e em razão de ser conhecido pessoalmente do Apóstolo João, foi servir como bispo na cidade de Pérgamo. Existiam naquela igreja, segundo o texto divino, duas falsas doutrinas: (a) À de Balaão; (b) À dos nicolaítas. Antipas como sendo uma testemunha ousou desafiar sozinho e selar seu testemunho com seu próprio sangue opondo-se a este “sistema nocivo”. Semeão Metafrastes, diz que Antipas, o bispo de Pérgamo, foi colocado dentro de um boi feito de bronze, e a seguir foi aquecido ao rubro. Seu corpo foi literalmente, cozido, na chama abrasadora.

O CAMINHO DA VITORIA SOBRE O ERRO

Jesus não só censurou a igreja em Pérgamo, mostrando-lhe os seus erros, como indicou-lhe o caminho da vitória.

1. Arrependimento. (Ap 2.16). Arrependimento significa uma nova tomada de posição, ou seja, uma mudança de mente diante dos erros cometidos’ Pedir perdão é firmar a decisão de não cometê-los novamente. A igreja devia, agora tomar atitude definitiva contra as doutrinas falsas que se alastravam entre seus membros. Jesus disse: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7). O Espírito Santo usa a sã doutrina como um prumo (Am 5.7,8) e descobre o que está torto e confirma o que está correto. Ele diz ainda: “Este é o caminho, andai nele” (Is 30.21). A doutrina aplicada com unção de Deus faz os crentes trilharem no caminho certo (Sl 101.6), porque “a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

2. Ajuda aos que fraquejam. É de suma importância prestar ajuda aos que cambaleiam na fé. A nova tomada de posição da igreja inclui também a decisão de ajudar os que tropeçam na doutrina. Em primeiro lugar devemos, com mansidão e aptidão no ensino, ajudá-los para que voltem ao caminho direito (2 Tm 2.25,26; Ez 18.25-29). Porém, os que não querem deixar o seu erro, estão, conforme o ensino de Jesus, passíveis de disciplina (Mt 18.15-20).

A disciplina é um meio de ajudar os faltosos (2 Co 1.6,7) impondo-lhes o temor contra o pecado na igreja (At 5.11), assegurando nesta a presença de Deus (Js 7.12).

A atitude da igreja determina a atitude de Jesus para com ela. A Bíblia diz: “O Senhor está convosco, enquanto vós estais com ele. Se o buscardes, o achareis; porém, se o deixardes, vos deixará” (2 Cr 15 2). Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). E diz ago.. ra para a igreja em Pérgamo: “Arrepende-te, pois, quando não em breve virei a ti e contra eles batalharei...” (Ap 2.16). Jesus quer ficar com a igreja e usá-la para a vitória do Evangelho

Quem tem ouvidos, ouça (17): Como em todas as sete cartas, Jesus chama os ouvintes a darem a atenção devida a sua palavra.

Ao vencedor (17): Todas as cartas, também, incluem a promessa sobre a vitória. Aqueles que persistem até o final receberão a recompensa. Nesta carta, a bênção para o vencedor é descrita em duas partes:

 O maná escondido: Aqueles que recusaram qualquer participação na mesa dos demônios seriam sustentados pelo maná de Deus. Jesus é o maná dado pelo Pai (veja João 6:31-65). Ele sustenta os fiéis e lhes dá vida. A mensagem de Jesus continua oculta para os sábios deste mundo (veja 1 Coríntios 2:6-10).

 Uma pedrinha branca com um nome novo escrito: Um nome novo,freqüentemente, sugeria uma nova direção na vida, especialmente de uma pessoa abençoada por Deus (exemplos: Abrão > Abraão; Sarai > Sara; Jacó > Israel). Em Isaías 62:2-4, Desamparada e Desolada recebem nomes novos: Minha-Delícia e Desposada, mostrando a bênção de estar com Deus. Veja, também, 3:12. A pedrinha branca pode incluir vários significados, conforme os costumes da época. Pedras brancas foram usadas para indicar a inocência de pessoas acusadas de crimes; Jesus inocenta os seus seguidores fiéis. Pedras brancas foram dadas a escravos libertados para mostrar sua cidadania; os fiéis não são mais escravos do pecado, pois se tornaram cidadãos da pátria celestial (Filipenses 3:20). Foram usadas pelos romanos como um tipo de ingresso para alguns eventos; Jesus permite os fiéis entrarem na presença dele para o seu banquete (veja 19:6-9). Também foram dadas aos vencedores de corridas e aos vitoriosos em batalha. Os fiéis são vencedores que receberão o prêmio (2 Timóteo 4:7-8).

Conclusão
Devemos imitar a perseverança dos discípulos em Pérgamo, mantendo firme a nossa fé, mesmo se encararmos ameaças e perseguições. Ao mesmo tempo, não devemos negligenciar outras responsabilidades diante de Deus.
Servimos um Deus puro, e devemos manter e defender a doutrina pura que ele revelou. Qualquer doutrina que incentiva a idolatria ou a imoralidade vem do diabo. Procuremos o maná que vem de Deus para nos sustentar para sempre.


Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Lições bíblicas CPAD 1989

www.estudosdabiblia.net

Livro:- Apocalipse versículo por versículo – Severino Pedro da Silva
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