domingo, 22 de abril de 2012

O que a Bíblia tem a dizer sobre marcar datas proféticas?



O que Jesus ensinousobre marcar datas?
Nosso Senhor foi bem enfático ao ensinar sobre Suavolta. Em pelo menos cinco passagens (sete, se forem incluídas passagensparalelas), Jesus advertiu os discípulos e crentes contra marcar datas. Mas,como já vimos, em toda a história da Igreja houve uma quantidade incrível deespeculações relativas a datas.
Jesus enfatizou a profecia e o entendimento delanos Seus ensinamentos. Ele não evitou nem descartou sua relevância; fezexatamente o oposto. Ele enfatizou a importância da profecia para entendermosSua vida e Seu ministério. Mas também explicou que há alguns aspectos do futuroque não podem ser conhecidos com precisão. Sua volta é certa, mas o momentoexato não. Jesus entendia a vontade humana de conhecer o futuro, mas nãopermitiu que Seus seguidores caíssem nas tentações dos videntes:
  • Mateus 24.36: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Marcos 13.32 é uma passagem paralela idêntica).
  • Mateus 24.42: “Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor”.
  • Mateus 24.44: “Por isso ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá”.
  • Mateus 25.13: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora”. (Marcos 13.33-37 é uma passagem paralela.)
  • Atos 1.7: “Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridade”.
Essas passagens são proibições absolutas de marcardatas. Alguns estudiosos de profecia disseram que estes versículos ensinam queera impossível saber a data na igreja primitiva, mas que nos últimos diasalgumas pessoas saberão. Outros estudiosos disseram que estes versículosensinam que ninguém sabe o dia nem a hora, exceto aqueles que forem capazes dedescobri-los usando algum esquema cronológico. Ambos estão absolutamenteerrados! A data da volta de Cristo é uma questão de revelação de Deus. Eledecidiu não revelar isso nem para Cristo durante Sua humanidade em Sua primeiravinda (Mateus 24.36). Se o Pai não o revelou ao Filho na Sua humanidade, porque alguém pode crer que o Pai lhe revelaria isso? Jesus deixa bem claro:“Não!”
O que mais a Bíbliaensina sobre profecias?
O ensinamento de Cristo é reforçado também emoutras partes das Escrituras. Em 1 Tessalonicenses 5.1-2, Paulo reafirma aspalavras de Jesus com relação à incerteza da hora da Sua volta: “Irmãos, relativamente aos tempos e às épocas, nãohá necessidade de que eu vos escreva; pois vós mesmos estais inteirados comprecisão de que o dia do Senhor vem como ladrão de noite.”
Por isso ficaitambém vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homemvirá.
Algumas pessoas acreditam que há passagens naBíblia que ensinam que os crentes poderão saber a data da volta de Cristo.Examinaremos algumas dessas passagens para mostrar como aqueles que defendem amarcação de datas usaram os vários versículos de forma errada em suastentativas de conseguir legitimidade para suas posições. A Bíblia não contémcontradições internas. É errado pensar que as Escrituras dizem que “ninguémpode saber”, mas também afirmam que algumas pessoas conseguirão descobrir.
A primeira passagem ocasionalmente citada é Lucas21.28: “Ora, ao começaremestas cousas a suceder, exultai e erguei a vossa cabeça; porque a vossaredenção se aproxima.” Algumas pessoas ensinaram que essapassagem implica uma permissão para marcar datas. Mas indicadores contextuaisimportantes são esquecidos em tal argumento. Estes indicadores incluem o fatode que a passagem se refere aos crentes judeus durante a futura tribulação desete anos, que, logo antes da segunda vinda de Cristo, devem vigiar,não marcar datas, enquanto passam pelo período final de severaperseguição. Isso não está relacionado a marcar datas durante a atual era daIgreja, já que está relacionado a eventos durante a tribulação de sete anos.Quando a tribulação começar, será possível saber a hora da vinda de Cristo.Mas, isso não tem nada a ver com os crentes hoje que estão vivendo durante aera da Igreja (não na tribulação). A era da Igreja termina com o arrebatamento,que é um evento sem sinais. Então não há maneira de ligar, especificamente,eventos da nossa época com os da tribulação para marcar uma data. Devemosvigiar e esperar a volta do nosso Senhor no arrebatamento justamente porque nãopodemos marcar datas.
Uma segunda passagem citada algumas vezes é Hebreus10.25b: “antes, façamosadmoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.” Alguns ensinam que isso implica que os crentes podem ver ou saber que “odia” (a segunda vinda) está se aproximando. Enquanto alguns interpretam “o dia”como uma referência à segunda vinda, achamos que o contexto imediato e ocontexto do livro de Hebreus indicam uma advertência aos crentes judeus antesda destruição de Jerusalém e do templo em 70 d.C. Trata-se de uma advertênciapara não voltarem para o judaísmo (i.e., apostatarem) já que o futuro próximocontinha apenas castigo para os judeus que rejeitaram Jesus como seu Messias.Então “o dia” não é uma referência à segunda vinda mas sim à destruição de Jerusalémpelos romanos em 70 d.C. Se essa passagem realmente se refere à segunda vinda,uma vez mais, não haveria base para ligar um fator específico que sirva paramarcar a data da segunda vinda. A afirmação geral “tanto mais quanto vedes queo dia se aproxima” não quer dizer que saberemos especificamente quando Ele vem,assim como alguém que vê a chegada de uma tempestade e não sabe a hora exata emque vai chover no lugar onde está.
Quando a tribulaçãocomeçar, será possível saber a hora da vinda de Cristo. Mas, isso não tem nadaa ver com os crentes hoje que estão vivendo durante a era da Igreja.
Uma terceira passagem que às vezes é mencionada é 1Tessalonicenses 5.4:“Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que estedia, como ladrão, vos apanhe de surpresa.” Ensinava-se, combase nessa passagem, que os crentes saberiam a data “do dia” [i.e., “o dia doSenhor” (veja 1 Tessalonicenses 5.2)] para não serem pegos de surpresa. Masesta interpretação atribui o sentido errado ao ensinamento de Paulo. Paulo estádizendo que os tessalonicenses não serão surpreendidos porque estão preparadospelo fato de serem crentes. O Senhor cuidará de todos os crentes (acreditamosque através do arrebatamento pré-tribulacional), de forma que, ao contrário dodescrente que estará despreparado e será pego de surpresa, o crente estarápreparado.
Que perigo existeem estudar profecias e marcar datas?
Não há perigo em estudar profecias. Na verdade, nãopodemos ignorar as profecias e o estudo correto da Bíblia, mas não podemos cairna armadilha de marcar datas. A Bíblia ensina claramente que a Palavra de Deusé suficiente para tudo o que precisamos a fim de vivermos uma vida que agrade aCristo (2 Timóteo 3.16,17; 2 Pedro 1.3,4). Isso significa que se algo não érevelado a nós na Bíblia, não é necessário para cumprir o plano de Deus emnossas vidas. A data da volta de Cristo não é dada na Bíblia, então, apesar doque algumas pessoas possam dizer, não é importante conhecê-la para agradar aDeus. O Senhor disse a Israel: “Ascoisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus; porém as reveladas nospertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas aspalavras desta lei” (Deuteronômio 29.29). Adata da vinda de Cristo não foi revelada; é um segredo que pertence somente aDeus.
Já que a Bíblia proíbe marcar datas, o que ensina?Muitas das mesmas passagens que proíbem marcar datas nos instruem sobre o quefazer até que o Senhor volte. Por exemplo, Mateus 24.42 não só adverte: “porque não sabeis em que dia vem o nosso Senhor”, mas também exortaos crentes a “vigiar”. Mateus 24.44manda os crentes “ficaremapercebidos” porque “à hora em que nãocuidais, o Filho do homem virá.” E também Mateus25.13 nos exorta a vigiar “porque não sabeiso dia nem a hora.”
O alerta ao qual os crentes são chamados não é demarcar datas, mas de esperar o Salvador (já que não sabemos quando Jesusvoltará). Devemos ficar alertas, ao contrário dos descrentes que ficamdormindo, em relação às coisas de Deus. Devemos ficar alertas a fim de vivermospiedosamente até o Senhor voltar porque estamos na noite escura desta eramaligna, que exige uma vigilância ativa contra o mal.
O alerta ao qual oscrentes são chamados não é de marcar datas, mas de esperar o Salvador.
Se a Igreja soubesse o dia ou a hora doarrebatamento, a iminência, a posição que os crentes pré-tribulacionistas têmem relação ao arrebatamento, seria destruída. A iminência bíblica ensina queCristo pode, mas não precisa, vir a qualquer momento. Isso também significa que não há sinais que precisam ser cumpridos para o arrebatamento acontecer. Então, Cristo poderia literalmente vir hoje ou neste exato momento ouinstante. Todas as tentativas de marcar datas destróem essa iminência. Sealguém ensinasse que o arrebatamento aconteceria num dia, mês, ou anoespecífico, então isso significaria que Cristo não poderia vir antes dessadata. E, assim, o arrebatamento não poderia ser iminente, já que Cristo nãoviria até essa data específica. A iminência é importante porque geralmente estárelacionada a mandamentos de vida santa. Por isso, marcar datas também tem umimpacto negativo na ética.
Ao mesmo tempo que marcar datas é claramenteproibido na Palavra de Deus, acreditamos que é válido entender que Deus estápreparando o cenário para Seu grande programa do fim dos tempos. O que issosignifica? Como mencionamos anteriormente, o arrebatamento é um evento semsinais, então é impossível identificar sinais específicos que indiquem suaproximidade. É por isso que todas as tentativas de datar o arrebatamentoaplicaram erroneamente à Igreja passagens relacionadas ao plano de Deus paraIsrael. Um exemplo deste erro seria dizer que as festas de Israel (i.e., RoshHashanah) estão relacionados com a marcação da data do arrebatamento comoobservado acima. Mas, já que a Bíblia descreve os participantes, os eventos, eas nações envolvidas na tribulação final, podemos ver a preparação de Deus paraos últimos sete anos das setenta semanas de Daniel para Israel.
Por exemplo, o fato de que Israel foi restabelecidocomo nação e agora controla Jerusalém é uma indicação forte de que a era daIgreja está chegando ao fim (Isaías 11.11-12.6; Ezequiel 20.33-44; 22.17-22;Sofonias 2.1-3). Mas isso só pode ser uma indicação geral, já que nenhumcronograma é dado especificamente para a atual preparação do cenário. Nãopodemos saber com certeza que somos a última geração antes do arrebatamentoporque Deus pode resolver “preparar o cenário” durante os próximos 100 anos oumais. O Dr. Walvoord diz corretamente:
Não há base bíblicapara marcar datas para a volta do Senhor nem para o fim do mundo... Osintérpretes estão percebendo cada vez mais uma correspondência surpreendenteentre a tendência óbvia dos eventos mundiais e o que a Bíblia previu séculosatrás.[1]
Jesus Cristo voltará! É nossa responsabilidadeestar preparados para essa volta e para proclamar a salvação que Ele oferece, afim de que outros também estejam preparados.(Thomas Ice e Timothy Demy - http://www.chamada.com.br)




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