quinta-feira, 12 de julho de 2012

EDUCAÇÃO CRISTÃ CONTINUADA – AULA 03


JESUS E OS QUATRO EVANGELHOS

Texto Básico: João 1:1-19)

“Lâmpada para os meus pés é a tua Palavra, e luz para os meus caminhos”(Sl 119:105)

INTRODUÇÃO

Quatro Evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Eles descrevem a vida terrena do Senhor Jesus e o seu glorioso ministério entre os homens. Portanto, Jesus é o Homem principal e a razão de ser destes Evangelhos. Não há nenhum livro escrito que se compare com este compêndio, pois nunca houve homem como Jesus, cuja história estes livros relatam.

Os quatro evangelistas, escrevendo dos seus pontos de vista distintos, cooperam em nos apresentar um retrato abrangente, suficiente e comovente de Jesus como Messias de Israel e Salvador do mundo(Evangelho segundo Mateus); Servo do Senhor e Amigo de pecadores(Evangelho segundo Marcos); Filho de Deus e Filho do homem(Evangelho segundo Lucas). O objetivo explícito do quarto Evangelho(Evangelho segundo João) é igualmente aplicável ao dos outros três: “Mas este foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo,o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome”(João 20:31).

I. UM EVANGELHO EM QUATRO NARRAÇÕES

Quatro Evangelhos, mas um só objetivo; quatro evangelhos, mas harmoniosos entre si; quatro livros, mas um único Evangelho, o Evangelho de Jesus Cristo. Somente estes quatro Evangelhos receberam reconhecimento por cristãos ortodoxos por quase dois mil anos. Vários hereges escreveram livros que chamavam de evangelhos, mas se tratava de veículos grosseiros para promover alguma heresia, como o gnosticismo.

Muitos, especialmente pessoas do meio artístico, apreciam o paralelo proposto entre os quatro evangelhos e os quatro símbolos de Ezequiel e de Apocalipse: o leão, o boi(ou bezerro), o homem e a águia. Eles, porém, têm sido comparados com os evangelhos de formas bem variadas por diferentes cristãos. Se há algum valor nesses atributos, como são chamados na arte, o Leão se enquadra melhor em Mateus, “O Evangelho real do Leão de Judá”. O Boi, como animal de carga, enquadra-se bem em Marcos, “O Evangelho do Servo”. O Homemé definitivamente a figura chave de Lucas, “O Evangelho do Filho do Homem”. A Águia é um atributo de João como um emblemade sua sublime visão espiritual.

1. O valor dos quatro relatos. Por que quatro evangelhos? Por que não cinco, para harmonizar com os cinco livros de Moisés e formar um Pentateuco Cristão? Ou por que não apenas um longo Evangelho, omitindo todas as repetições, permitindo a inclusão de outros milagres e parábolas? Provavelmente, a melhor explicação para a existência dos quatro evangelhos é que o Espírito Santo procura alcançar quatro grupos diferentes de pessoas – quatro grupos antigos que ainda hoje mantém correlação.

De fato, várias tentativas para “harmonizar” ou agrupar os quatro evangelhos remontam a Taciano, no século II, em sua obra Diatessaron(palavra grega para “por meio de quatro). Irineu teorizou que havia quatro evangelhos para harmonizar com os quatro cantos do mundo e os quatro ventos, visto que quatro é o numero da universalidade.

Originalmente, os quatro evangelhos são endereçados a grupos diferentes de leitores. Isso leva a ênfases diferenciadas na apresentação de Jesus:

Mateus é o Evangelho mais judaico. As citações do Antigo Testamento, os discursos detalhados, a genealogia de Jesus e o tom semítico em geral são observados até mesmo por um leitor iniciante.

Marcos,provavelmente escrevendo da própria capital imperial, almeja alcançar os romanos, e também milhões de pessoas similares que gostam mais de ação que reflexão. Seu Evangelho, portanto, é mais extenso em milagres e menos em parábolas e não precisa de nenhuma genealogia, pois qual romano se preocuparia com genealogias judaicas de um Servo atuante?

Lucas é obviamente o Evangelho para gregos e muitos romanos que amavam a literatura e a arte gregas e competiam com elas. Tais pessoas amam a beleza, a humanidade, o estilo cultural e a excelência literária. Dr. Lucas supre a todos esses. Um francês certa feita disse: Lucas é “o livro mais bonito do mundo” (Ernest Renan).

Espiritualmente, estaríamos bem mais pobres no nosso apreço pelo Senhor Jesus e pelo seu ministério sem a ênfase singular do doutor Lucas. O amor do Senhor e a oferta de Salvação para todos, não somente para os judeus, seu interesse especial por indivíduos, sim, e até pelos pobres e rejeitados são salientados. Lucas também concede ênfase intensa ao louvor (dando-nos exemplos dos consagrados “hinos” cristãos em Lucas 1 e 2), à oração e ao Espírito Santo.

João, é o Evangelho universal, com algo para todos. É evangelístico (João 20:30-31), mas também apreciado por pensadores cristãos pela profundidade. Talvez essa seja a chave: João é para a “terceira raça” – nome dado pelos pagãos aos cristãos primitivos, pois não eram nem judeus nem gentios.

O Evangelho de João contém o versículo mais conhecido do Novo Testamento: João 3:16, que Martinho Lutero chama de “o Evangelho em poucas palavras”.

Se o Evangelho de João fosse o único livro no Novo Testamento, mesmo assim proporcionaria alimento sólido (e leite) da Palavra para uma vida inteira de estudo e meditação.

2. Características principais das quatro narrativas. Vejamos algumas características que se destacam nos quatro evangelhos:

a) Os relatos dos Evangelhos são seletivos. Quem compara os quatro evangelhos do Novo Testamento percebe logo que os primeiros três são surpreendentemente semelhantes. Por isso são chamados de sinópticos. O quarto evangelho(segundo João) segue o seu próprio estilo de apresentação. Todavia, há uma característica comum entre eles: os seus relatos são seletivos, ou seja, não são listas exclusivas de tudo quanto Jesus disse e fez. Conforme observou João: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21:25).

“Dentre a multidão de eventos ocorridos durante a vida terrena de Cristo, cada autor sagrado, guiado pelo Espírito Santo, escolheu somente certos detalhes para serem incluídos em sua narrativa. Para exemplificar, a infância e a juventude de Jesus são passadas em silêncio, excetuando-se os treze versículos que Lucas devotou à esse período. A semana da Paixão, por outro lado, é descrita com grandes detalhes por todos os quatro escritores. Mateus, Marcos e Lucas incluíram muita matéria em comum. Mas João incluiu muitas coisas que nenhum dos outros três registraram. Todos esses fatos demonstram a seletividade das narrativas dos evangelhos”(Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

b) Os sinópticos e João são distintos nos seguintes aspectos:

b.1) No esboço: Os sinópticos têm uma estrutura simples nos seus evangelhos. Após o batismo de Jesus são relatados os fatos ocorridos na Galiléia. Depois segue um relato de extensões variadas sobre a viagem de Jesus a Jerusalém. Na terceira parte é contado o que se passou em Jerusalém. Essa mesma estrutura pode ser observada, por exemplo, nas seguintes passagens de Marcos: 1:14; 8:27; 10:1,32.

Em contraposição a isso o evangelho de João descreve várias peregrinações de Jesus da Galiléia a Jerusalém. A razão era, na regra, a comemoração das festividades judaicas de que Jesus participava com os seus discípulos em Jerusalém. Desses dados do evangelho de João se consegue calcular o tempo do ministério público de Jesus: em torno de três anos. A movimentação de Jesus entre a Galiléia e Jerusalém pode ser observada nos seguintes textos: João 2:1,13; 3:22; 3:2,4-6; 5:1; 6:1; 7:1,10; 10.40; 11:7,54; 12:1,12.

b.2) Na escolha dos temas. Os sinópticos relatam uma quantidade significativa dos atos de Jesus, entre eles muitos milagres, principalmente curas. Em contraposição a isso o evangelho de João só contém sete relatos sobre atos de Jesus sendo que nenhuma expulsão de demônios. Três desses fatos são contados também pelos sinópticos: a purificação do templo, a cura do servo de um oficial do rei e a multiplicação dos pães para cinco mil pessoas.

b.3) Na apresentação dos adversários de Jesus. Os sinópticos descrevem os adversários de Jesus com as suas características e tarefas diferenciadas: fariseus e escribas, saduceus e sacerdotes. Na comparação com isso sobressai o fato de que no evangelho de João os oponentes de Jesus são denominados judeus. Se isso quer dizer o povo judeu todo, ou a liderança ou um grupo específico do povo, só pode ser descoberto pelo contexto.

b.4) Na forma da narrativa. Os evangelhos sinópticos contêm muitos relatos breves da vida de Jesus que frequentemente culminam com uma declaração marcante de Jesus. Os protagonistas da situação só são apresentados até o ponto em que contribuem para o objetivo da declaração do relato. O leitor não descobre nada mais sobre outros aspectos das suas vidas. Em contraposição a isso, o evangelho de João traz relatos detalhados de acontecimentos da vida de Jesus, como por exemplo o diálogo com a mulher Samaritana(João 4), a cura do cego de nascença (João 9) ou a ressurreição de Lázaro (João 11).

b.5) Na apresentação dos discursos de Jesus. Os quatro evangelhos contêm discursos de Jesus mais ou menos abrangentes. Nos sinópticos eles consistem em frases curtas e fáceis de serem guardadas. Trata-se na verdade de uma coletânea de declarações ou citações dos discursos de Jesus e não de discursos completos. No evangelho de João isso é diferente. Lá encontramos discursos que levam à reflexão e meditação. O leitor consegue se imaginar na posição do orador. Compare por exemplo Lucas 15:1-7 com João 10.

Nota-se também que nos sinópticos o estilo de oratória é direto, objetivo e linear, correspondendo assim ao pensamento grego. Já nos discursos de Jesus em João o desenvolvimento das ideias se dá em círculos, trabalhando com constantes repetições. Isso não quer dizer que sejam meras repetições. O que acontece é que um pensamento é repetido em outro nível para que possa ser melhor interiorizado. Para entender isso melhor é preciso pensar em uma espiral. É assim que se falava no dia-a-dia no oriente.

b.6) Na autodenominação de Jesus. Quando Jesus fala de si mesmo nos evangelhos sinópticos ele usa um título incomum. Ele se denomina Filho do Homem, ou Homem. O Filho do Homem é o conceito-chave para a compreensão de Jesus nos sinópticos. No Evangelho de João, também, se fala do Filho do Homem. No entanto, mais importantes são as autodenominações Filho de Deus, ou Filho. O quarto Evangelho nos proporciona uma visão especial sobre o relacionamento único entre Deus e Jesus.

Em um sentido bem real, esses não são quatro “evangelhos”, mas um único Evangelho - uma história das Boas Novas sobre o Filho de Deus que veio salvar pecadores.

II. LUGARES ONDE JESUS VIVEU E MINISTROU

1. A terra da Palestina no Novo Testamento. A Palestina estava dividida em 5 principais regiões: Galiléia; Samaria; Decápolis; Judéia e Peréia. Veja o mapa de Israel no tempo de Jesus.

Por exiguidade de espaço neste subsídio, vamos apenas comentar as mais destacadas no ministério de Jesus: Galiléia, Samaria e Judéia. Antes, porém, quero fazer algumas considerações a cerca do termo Palestina.





a) O termo Palestina. Este termo é raramente usado no Antigo Testamento, e quando é usado, refere-se especificamente à área costeira a sudoeste de Israel ocupada pelos filisteus. É a tradução da palavra hebraica “Pilisheth”. O termo nunca é usado para se referir a toda a área de Israel. Antes que Israel se estabelecesse na terra, seria geralmente correto dizer que a área costeira a sudoeste era denominada Filístia (o Caminho dos Filisteus, ou Palestina), enquanto que as áreas centrais mais altas eram denominadas Canaã. Tanto os cananeus quanto os filisteus haviam desaparecido como povos distintos pela época do cativeiro de Judá em Babilônia (586 a.C.), e já não mais existem.

No Novo Testamento, o termo Palestina não é usado nenhuma vez. O termo Israel é essencialmente usado para se referir ao povo de Israel, em vez de se referir à Terra. Contudo, em pelo menos duas passagens, Israel é usado para se referir à Terra: “...um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e disse-lhe: Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino. Dispôs-se ele, tomou o menino e sua mãe e regressou para a terra de Israel” (Mt 2:20-21); “Quando, porém, vos perseguirem numa cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel, até que venha o Filho do Homem” (Mt 10:23).

A primeira passagem aconteceu quando José, Maria e Jesus retornaram do Egito para Israel; e a segunda refere-se à proclamação do Evangelho por toda a Terra de Israel. O anjo que falou a José, Mateus e Jesus usam o termo Israel com referência à Terra Santa, embora esse termo não fosse reconhecido pelas autoridades romanas naquela época.

Fica claro, então, que a Bíblia nunca usa o termo Palestina para se referir à Terra Santa como um todo, e que os mapas bíblicos que se referem à Palestina no Antigo e no Novo Testamento são, na melhor das hipóteses, imprecisos, e, na pior das hipóteses, são uma negação consciente do nome bíblico de Israel.

b) Origem do termo “Palestina”. Como foi que o mundo e a Igreja adotaram o hábito de chamar a terra de Israel de “Palestina”? Quando Tito destruiu Jerusalém no ano 70 d.C., o governo romano cunhou uma moeda com a inscrição Iudea Capta, querendo dizer “a Judéia foi capturada”. O termo “Palestina” nunca foi usado nas designações romanas antigas.

Foi apenas quando os romanos aniquilaram a segunda revolta dos judeus contra Roma, liderada por Bar Kochba, em 135 d.C., que o imperador Adriano aplicou o termo “Palestina” à Terra de Israel. Adriano, como muitos ditadores de seu tempo, percebeu o poder da propaganda política dos termos e dos símbolos. Ele substituiu os santuários do Templo Judeu e do Sepulcro de Cristo em Jerusalém por templos a deidades pagãs. Ele mudou o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina, e mudou o nome de Israel e da Judéia para Palestina. A escolha do termo Palestina por Adriano foi proposital, não acidental. Ele tomou o nome dos antigos inimigos de Israel, os filisteus, latinizou o termo para Palestina, e aplicou-o à Terra de Israel. Ele esperava apagar o nome de Israel de todas as memórias. Desse modo, o termo “Palestina”, da forma que foi aplicado à Terra de Israel, foi inventado pelo inveterado inimigo da Bíblia e do povo judeu, o imperador Adriano.

É interessante observar que os filisteus originais não eram, de forma nenhuma, do Oriente Médio. Eram povos europeus do Mar Adriático próximo à Grécia. Deve ter dado prazer a Adriano usar esse termo helenista para a terra dos judeus. De qualquer modo, o termo original “palestinos” não tem absolutamente nada a ver com os árabes.

2. GALILÉIA E JUDÉIA.

2.1) GALILÉIA. O nome regional da parte norte de Israel, que foi a cena da meninice de Cristo e do princípio de seu ministério. Segundo o “Novo Dicionário da Bíblia”, a Galiléia consistia essencialmente de um planalto, cercado por todos os lados, menos ao norte, por planícies – as terras costeiras, a planície de Esdrelom e o vale do Jordão. De fato, trata-se do extremo sul das montanhas do Líbano, sendo que a terra se divide em dois níveis diferentes do norte para o sul, atravessando toda a área. O nível mais alto formava a Galiléia Superior,quase inteiramente a 1.000 metros acima do nível do mar; no Novo Testamento era uma área coberta de florestas e esparsamente habitada. O nível mais baixo formava a Galiléia Inferior, entre 500 e 700 metros acima do nível do mar, porém caindo de forma impressionante até mais de 200 metros abaixo do nível do mar, no lago da Galiléia.

É a área da Galiléia Inferior que se refere a maioria das narrativas contidas nos evangelhos. Bem regada por ribeiros que fluíam das montanhas do norte, e possuindo consideráveis extensões de terras férteis nas bacias de pedra calcárea entre suas colinas, era uma área densa e prosperamente povoada. Exportava azeite de oliveira e cereais, além de peixes apanhado no seu famoso lago.

Essa, portanto, foi a região em que Cristo cresceu – Em Nazaré, nas colinas de pedra calcárea da Galiléia Inferior. Graças à sua posição, era atravessada por diversas rotas principais do império romano, e portanto, estava longe de ser uma região rural e atrasada. Sua agricultura, pesca e comércio proveram para Cristo Sua base cultura, e são refletidos em Suas parábolas e em Seu ensinamento.

A Galiléia proveu os principais discípulos de Cristo, e seu denso crivo de povoados formou o primeiro campo missionário dos mesmos.

a) Cidades Importantes da Galiléia:

· Corazim - Cidade Impertinente (Mt 11:21).

· Cafarnaum - Jesus cura um endemoninhado (Mc 1:23-28); Jesus cura um paralítico na cama (Lc 17:26); Jesus paga tributo (Mt 17:24).

· Caná - Jesus principia os seus sinais e maravilhas – transforma água em vinho por oacisão de uma casamneto (João 2:1-11).

· Nazaré - Primeira rejeição (Lc 4:16-30); Segunda rejeição (Mt 13:54-58; Mc 6:1-6).

· Naim - Jesus ressuscita o filho da viúva (Lc 7:11-17).

· Magdala - Cidade natal de Maria Madalena (Lc 8:2).

· Gadara - Libertação de dois endemoninhados e afogamento dos porcos gadarenos (Mt 8:28-34).

b) Outros acontecimentos importante, no ministério de Jesus, na região da Galiléia:

- Jesus é ungido pela mulher pecadora (Lc 7:36-50).

- É determinada a missão dos doze (Mt 9:35-38).

- Morte de João Batista (Mt 14:1-12).

- Jesus prediz a sua morte e ressurreição (Mc 9:30-32).

2.2) JUDÉIA. O termo Judeia refere-se, em primeiro lugar, à área da Palestina a sul de Samaria ocupado pela antiga Judá; em segundo lugar, a toda a terra dos judeus com várias fronteiras. No Novo Testamento, a Judeia refere-se geralmente à área sul de Samaria (cf. Mt 2.15; Mc 3:7, 8; At 9:31; etc.), embora, às vezes, possa abranger algo mais. Por exemplo, vemos Herodes, que reinou sobre toda a Palestina, ser apelidado de “rei da Judeia” (Lc 1:5).

“No distrito da Judéia estavam localizadas as cidades de Belém, onde Jesus nasceu, e Jerusalém, cenário de muitos dos mais cruciais acontecimentos da Sua vida. Perto de Jerusalém ficava a aldeia de Betânia, lar de Maria, Marta e Lázaro, o qual Jesus ressuscitou dos mortos (João 11:1,32-44). Não muitos quilômetros dali ficava Jericó, onde Jesus curou o cego (Marcos 10:46-52). Durante o Seu ministério, Jesus fez diferentes viagens a Jerusalém e às aldeias próximas. Esteve presente nas grandes festividades judaicas anuais, celebradas em Jerusalém. Foi em Jerusalém que Jesus foi julgado, crucificado e sepultado (Lucas 22-23). Após a Sua ressurreição Jesus apareceu a dois dos Seus seguidores, no caminho para Emaús, a cerca de onze quilômetros de Jerusalém (Lucas 24:13-27). Posteriormente, Jesus instruiu os Seus discípulos acerca do seu futuro ministério, conduzindo-os na direção de Betânia. Foi então que Ele foi arrebatado para o céu, desaparecendo diante das suas vistas. E os discípulos regressaram a Jerusalém para esperar pela prometida descida do Espírito Santo (Lucas 24:36-53)”(Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

3. SAMARIA, DECÁPOLIS E OUTRAS CIDADES.

a) SAMARIA. “Samaria é o nome histórico e bíblico de uma região montanhosa do Oriente Médio, constituída pelo antigo reino de Israel, situado em torno de sua antiga capital, Samaria, e rival do vizinho reino do sul, o reino de Judá. Atualmente situa-se entre os territórios da Cisjordânia e de Israel. A cidade de Samaria foi tomada pelos assírios em aproximadamente 722 a.C.

A província da Samaria compreendia primeiramente todo o território ocupado pelas dez tribos revoltadas, as quais se reuniram sob o governo de Jeroboão. Estendia-se desde Betel até Dã, e desde o mar Mediterrâneo até à Síria e Amom. Este território foi diminuído pela inclusão das tribos de Simeão e Dã no reino de Judá - pelas conquistas de Hazael (2Rs 10:32), de Pul e Tiglate-Pileser (2Rs 15:29 - 1Cr 5:26), e finalmente pelas vitórias de Salmaneser (2Rs 17:5,6).

Depois deste último foi Samaria terra de completa desolação (2Rs 17:23-21:13), sendo depois repovoada por estrangeiros durante os anos do cativeiro (2Rs 17:24 - Ed 4:10).

A cidade de Samaria, capital das dez tribos, era uma praça forte, semelhante à de Jerusalém. Estava situada a meio caminho do Jordão ao Mediterrâneo, ao oriente da planície de Sarom, no alto de um monte oblongo, alcantilado de uma parte, e facilmente protegido pela outra.

Foi edificada por Omri, rei de Israel, que comprou o monte de Samaria a Semer por dois talentos de prata (1Rs 16:24). os reis empreenderam muitas obras na cidade de Samaria para a tornarem forte, bela, e rica. Acabe construiu uma casa de marfim (1Rs 22:39) - e o profeta Amós descreve a cidade como sendo a sede do luxo e efeminação (Am 3:15 – 4:1,2).

A vida de Acabe e a sua morte, e também o culto a Baal, acham-se relacionados com a cidade de Samaria (1Rs 16:32-22:38 - 2Rs 10:1 a 28 - 2Cr 18). Foi ali que, o profeta Eliseu exerceu o seu ministério (2Rs 5 – 6:1 a 20-7). Por duas vezes foi cercada a cidade de Samaria, mas sem resultado, pelos sírios (1Rs 20:1 a 34 - 2Rs 6:24-7:20), sendo tomada mais tarde, depois de um cerco de três anos.

Nos tempos do Novo Testamento, a província de Samaria estava situada entre a Judéia e a Galiléia (Lc 17:11). Foi atravessada por Jesus Cristo (João 4:4 a 43), e, em parte, muito cedo recebeu a luz do Evangelho (At 8:5 a 25) ”(fonte: Wikipedia.org).

O povo da região costeira da Samaria era descendente das dez tribos do reino do norte, ou Israel, que se tinham misturado por casamento com gentios. Tinham edificado o seu próprio templo, no Monte Gerizim. Embora já não existisse nos dias de Jesus, o seu sítio era considerado sagrado.

Os samaritanos, conforme eram chamados os habitantes de raça mista dessa região, eram desprezados pelos judeus da Palestina. Muitos judeus nem sequer cruzavam a Samaria nas suas viagens. Jesus, porem, por muitas vezes ministrou aos habitantes desse distrito. No seu notável diálogo com a mulher samaritana no poço de Sicar, Ele não permitiu que a controvérsia entre os judeus e os samaritanos se tornasse o principal ponto de discussão. Pelo contrário, chamou a atenção para Si mesmo, como o Messias (João 4:1-42)(Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

b) DECÁPOLIS. A nordeste da Galileia estavam os distritos de Decápolis e Basã. Decápolis era uma associação de cidades gregas (Decápolis significa “dez cidades”) fundadas por Alexandre o Grande. Jesus visitou essa área (Marcos 7:31-35). Ele ministrou em Gadara (também chamada Gergesa ou Gerasa), onde curou um endemoninhado (Mc 5:1-20; Lc 8:26-39). Também esteve na cidade de Cesareia de Filipe (Mt 16:13-20).

c) PEREIA. Quase todos os habitantes de Peréia eram judeus, embora ali também vivessem gentios. Com frequência, a Peréia é referida nas páginas do Novo Testamento como a terra além do Jordão. A caminho de Jerusalém pela última vez, Jesus atravessou essa região, ensinando nas suas vilas e cidades (Mc 10:1-45; Mt 19:1-20:28) (Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).

III. OS ENSINAMENTOS DE JESUS.

Lucas, ao sintetizar o ministério terreno de Jesus, no início do livro de Atos dos Apóstolos, disse que Jesus, na Terra, veio “fazer e ensinar” (At:1:1), numa outra prova bíblica de que o ensino foi um dos pilares de todo o ministério terreno de Cristo. Foi Ele quem ordenou aos discípulos: "Ide, ensinai todas as nações [...] ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado" (Mt 28:19, 20).

Ao contemplarmos o ministério de ensino de Jesus, vemos quão grande importância o Senhor deu ao ensino, importância esta que não temos visto em nossas igrejas locais, em que as Escolas Bíblicas Dominicais, via de regra, são reuniões pouco frequentadas e as mais prejudicadas pelas atividades cotidianas. Ao vermos que Jesus, uma vez no templo, procurou aproximar-se dos doutores e que a única atividade que desempenhou antes de Sua unção pelo Espírito foi o ensino, como podemos nos conformar com a atual letargia que vive a Igreja no ensino das Escrituras? Que Deus tenha misericórdia de nós e que busquemos ter a Jesus como Mestre único de nossas vidas.

Linhas gerais dos ensinamentos de Jesus.

Jesus foi o maior professor que já viveu. No entanto ele era muito mais que isso. Como Filho de Deus, os seus ensinamentos eram a verdade. Sua missão era instruir aos outros como conhecer a Deus. Sua mensagem principal era que Deus queria nos amar e nos conhecer. Ele ensinava enquanto andava com os seus seguidores. Ele ensinou de um barco, de um monte, de uma casa e do templo. Ele ensinava em sermões, mas ele preferia usar uma história ou uma parábola.

a) Pilares do Ministério de Jesus: Pregação e ensino. Ao retornar da tentação no deserto, Jesus iniciou seus ensinos nas sinagogas (Lc 4:15). Ao mesmo tempo em que começava a pregar (Mt 4:17; Mc 1:15), também começou a ensinar. Pregação e ensino são os dois pilares indispensáveis do ministério de Jesus e devem ser o da Igreja até a volta do Senhor.

b) Jesus só começou o seu ministério de ensino após ser ungido pelo Espírito Santo no seu batismo. Embora Jesus fosse a própria Palavra e, como tal, não houvesse quem pudesse trazer a revelação completa de Deus, a transmissão deste conhecimento, que é o ensino propriamente dito, somente foi possível porque Jesus, enquanto homem, como já o sabemos, havia sido ungido pelo Espírito Santo no seu batismo.

Jesus nos deixa bem claro em seu ministério, o ensino da Palavra exige, em primeiro lugar, a unção do Espírito de Deus. O que o povo de Nazaré admirou no ensino de Jesus não foi tanto o fato de ter achado, com facilidade, a passagem no livro de Isaías (o maior de todos os rolos das Escrituras hebraicas), mas, sim, o fato de que, em sua exposição, havia “palavras de graça que saíam de sua boca” (Lc.4:22).

c) O tema dos ensinos de Jesus era um só: a Palavra de Deus (João 12:47-50). O ensino de Jesus é, em primeiro lugar, o ensino da Palavra de Deus. Sempre encontramos Jesus ensinando o que havia nas Escrituras, o que estava escrito por determinação de Deus. O ensino de Jesus é das “coisas de cima”, é algo que está centrado exclusivamente na Bíblia. Afinal de contas, são as Escrituras que testificam a respeito dEle (João 5:39).

d) Jesus ensinava com Inteligência Espiritual. Jesus dava às Escrituras o sentido divino, porque o Espírito de Deus nEle estava. As palavras que saíam de sua boca eram “palavras de graça”, ou seja, palavras que vinham com poder, como resultado de uma intimidade entre Deus e o ensinador. É neste ponto que se revela a inteligência de Jesus, uma inteligência que, seguindo os padrões atuais dos estudiosos, poderiam denominar de “inteligência espiritual”.

e) Jesus ensinava com “autoridade”(Mt 7:29). Jesus apresentava um poderoso fator que distinguia o seu ensino de todos os outros mestres de seu tempo: ensinava com autoridade.

O que causava admiração nas pessoas não era o que Jesus ensinava, pois a maioria dos seus ensinos já era do conhecimento do povo, mas o fato de que Ele, ao contrário dos escribas e fariseus, tinha um testemunho de vida condizente com o que ensinava. Jesus vivia o que ensinava, o grande diferencial entre seu ensino e o dos demais mestres, daí porque seu ensino tinha “autoridade”.

Uma das grandes características dos ensinos religiosos dos dias de Jesus era, precisamente, a dissintonia entre o que era falado e o que era vivido. A maior crítica que Jesus fez aos fariseus, tidos e havidos como os “mais santos” do período era o fato de que ensinavam mas não viviam o que ensinavam (Mt.23:3,4). Jesus, ao contrário, primeiro praticou para depois ensinar (At 1:1) e, por isso, seu ensino tinha autoridade. Só Ele cumpriu a Lei(Mt 23:8,10).

f) O ensino de Jesus era acessível a todo povo. Ao contrário dos “sabichões” dos nossos dias, não queria demonstrar conhecimento, mas tinha por missão fazer com que Deus fosse compreendido pelo povo. Para tanto, tinha de se fazer entendido pelo povo, povo que, no mais das vezes, era iletrado e sem qualquer escolaridade (ainda que os judeus, em comparação com os demais povos, estavam acima da média daquela época).

Utilizando-se de circunstâncias da vida de seus ouvintes, permitia-lhes enxergar as “coisas de cima”, as realidades espirituais que, se fossem ensinadas em sua profundidade e dificuldade, estariam acima da capacidade de qualquer doutor, como Jesus deixou claro em seu diálogo com o “mestre de Israel” Nicodemos (João 3:9-12). Conquanto, e neste diálogo isto fica bem claro, Jesus estivesse, em termos intelectuais, acima de qualquer letrado, de qualquer intelectual da época, fez questão de se fazer entender pelos mais simples e pequeninos, a quem o Espírito, aliás, se revelou antes que aos sábios e entendidos (Mt 11:25).

g) Jesus ensinava por Parábolas. Parábola é usada como método de ensino para revelar verdades desconhecidas com base em verdades e fatos conhecidos. Eram histórias retiradas do cotidiano, do dia-a-dia dos seus contemporâneos, cuja profundidade é mostrada com elementos absolutamente triviais e simples. Elas são uma das mais eloquentes demonstrações da “simplicidade que há em Cristo” (2Co 11:3). Nunca Jesus fez uso de história fantasiosas, de coisas complexas, de enigmas que exigissem capacidade invulgar para decifra-los. Usava figuras, ou pessoas que todo povo conhecia, tal como a figura de um Semeador que saiu a semear; da Semente que caiu na boa ou na terra ruim; de um Pastor que perdeu uma ovelha; de um Filho que abandonou a casa de seu pai; de uma Moeda perdida por uma mulher; de um vestido novo que não podia ser remendado com pano velho; de um Pescador jogando sua rede para pescar; de um Construtor que construiu sua casa sobre a areia; dezenas de historias e de figuras sobejamente conhecidas. Ao contemplarmos as parábolas de Jesus, devemos sempre lembrar que o ministério do ensino na Igreja deve ser exercido com simplicidade, pois não será a complicação, a erudição excessiva que conferirá profundidade ao ensino, e as parábolas são a prova disto.

CONCLUSÃO

Sem Jesus Cristo os quatro Evangelhos seriam apenas um compêndio histórico de fatos. Não teriam o poder transformador que ao longo dos tempos tem demonstrado na vida de milhões de pessoas. Jesus é o tema principal deste compêndio. Os seus ensinos nele contidos influenciam sobremaneira o caráter das pessoas e modificam o comportamento do mais vil pecador, transformando-o numa nova criatura. Portanto, ler e estudar, de forma devocional, este compêndio da Palavra de Deus é mais lucrativo para a vida do ser humano do que o acúmulo de todo conhecimento existente nos livros seculares, pois a Palavra de Deus é viva e eficaz e luz que mostra o caminho certo a seguir rumo à Formosa Jerusalém Celestial.

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Elaboração: Luciano de Paula Lourenço – Prof. EBD – Assembléia de Deus – Ministério Bela Vista. Disponível no Blog: http://luloure.blogspot.com


Referências Bibliográficas:

Bíblia de Estudo Pentecostal.
Bíblia de estudo – Aplicação Pessoal.
O Novo Dicionário da Bíblia – J.D.DOUGLAS.
Panorama do Novo Testamento – ICI, São Paulo, 2008).
William Macdonald – Comentário Bíblico popular (Novo Testamento).
Comentário Bíblico NVI – EDITORA VIDA.
Ev. e Dr. Caramuru Afonso Francisco - O Ministério de Ensino de Jesus.


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