sábado, 5 de maio de 2012

A cultura caipira perde Tinoco


Foto: DIVULGAÇÃO
Se ganhasse um mísero real por cada disco vendido, os últimos dias de Tinoco teriam sido bem diferentes. Mas ele calou-se sobre o Ecad
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Por: JULIO MARIA - AGÊNCIA ESTADO
São Paulo, SP – Aquele dia era como se o caboclo soubesse que a marvada o esperava num canto qualquer, com o mesmo espírito estraga-prazeres que teve com o amigo Chico Mineiro naquela festa boa lá pelo sertão de Goiás. A bicha era tinhosa. Depois de Chico havia sido o mano Tonico. Ele não merecia aquela rasteira da morte, tombo mais besta na escada do prédio onde morava, em 1994. Só tinha 77 anos, um sorriso de moleque e uma doçura de mãe. 

A voz de Tinoco nunca mais foi a mesma pela simples razão de que não existia sozinha. Sem Tonico, Tinoco tinha meia voz. Podia ser Tião Carreiro a seu lado que não saía igual. Sem Tinoco, Tonico se sentiria da mesma forma. Antes de serem grandes, ainda quando eram João e José, o povo de Botucatu, no interior de São Paulo, dizia que os dois juntos tinham não duas, mas uma voz só. Ninguém conseguia explicar como aquilo acontecia. Eram irmãos, poderia ser carga genética. Mas se fosse só isso, por que outros irmãos não soavam da mesma forma?

Já que o trem da última viagem lhe dava sinais, que fosse em grande estilo. Tinoco, 91 anos, entrou como criança no Teatro Franco Zampari, em São Paulo, na quarta-feira, para gravar um especial do programa Viola Minha Viola, da TV Cultura, dedicado a ele por Inezita Barroso. Ali, parecia indestrutível. Sorria de tudo e fazia piadas com uma agilidade de pensamento que ia juntando os risos da plateia uns aos outros, tirada após tirada.

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