domingo, 25 de março de 2012

Toda Segunda-Feira...

Toda Segunda-Feira...:

Toda segunda-feira eu acordo cansado, levanto como umautômato da cama e faço tarefas corriqueiras com os olhos ainda fechados. Hácomo as repetições me enfadam, drenam minha energia, roubam minha alegria. Masé preciso seguir... Olho-me no espelho e repito comigo mesmo: “the show must goon!”.

Toda segunda-feira eu vou começar alguma coisa. Há semanasem que vou iniciar um regime, em outras vou passar a me exercitar e existemaquelas em que eu decidirei consertar certas coisas que estão precisando dereparo. Ainda bem que isto só acontece às segundas-feiras. Como disse OscarWilde “a vida é muito importante para ser levada a sério.”.

Toda segunda-feira eu vou terminar alguma coisa. Sim,segunda-feira, para mim, é o dia perfeito para as desistências. Eu penso emparar de me estressar tanto, mudar de profissão, de empresa, de “ministério”,passar apenas a escrever. Alguém certa vez me perguntou: “pastor, o senhor jápensou em desistir?”. E eu respondi: “sim... toda segunda-feira penso nisso eprometo a mim mesmo que vou parar”. Mas a “roda” continua girando, a “engrenagem”nunca se cansa, essa “coisa” tem um apetite infinito, só se sacia com a sepultura.

Toda segunda-feira eu me deparo com tudo o que ficou “entulhado”da semana anterior. Incrível, mas os problemas ainda continuam lá! Pendênciasde pagamentos, clientes insatisfeitos, funcionários inconformados, parceirosdesesperados, e minha mesa cheia de papéis. A agenda sinaliza a “brutalidade” dasemana que está por vir. São tantos compromissos que eu fico cansado só deolhar. Sexta-feira, todavia, todos terão sido cumpridos, ou, pelo menos, amaioria deles. Alguns me darão prazer, outros não. É a vida...

Toda segunda-feira o trânsito está pior que nos outros dias,o semáforo demora mais que de costume, o clima está mais quente. Por incrívelque pareça, é na segunda que o celular não dá sinal, o computador demora maispara funcionar, a internet cai, o rádio toca música ruim, a comida vem salgada,o café frio, há fumaça demais e paciência de menos. Piora quando chove... Aí é o caos.   

Toda segunda-feira eu me deparo comigo mesmo. Neste diagosto menos do que vejo do que em outros. Aqui estou eu e os meus 45 anos...Uma sensação de inutilidade, de vazio, de “fazer o quê?”. Nas segundas meusproblemas ficam maiores, meus defeitos piores, surgem todas as dores e elasparecem mais agudas que nos outros dias. De fato, na segunda seria melhor nãosair da cama, mas a vida me chama para cumprir a velha e pálida rotina.

Toda segunda-feira eu penso em fazer algumas coisas boas...Ligar para um velho amigo, visitar minha avó, comprar algo que me dê satisfação ouaté andar pela rua sem destino. Segunda-feira é o dia oficial dos prazeresimpossíveis, dos sonhos não realizáveis e das promessas feitas ao vento.

Toda-segunda-feira eu me lembro de Jeremias. Suas palavrassoam como um mantra em meus ouvidos: “as misericórdias do Senhor são a causa denão sermos consumidos; renovam-se a cada manhã.”. Acho que é por isso quecontinuo a fazer tudo que tem de ser feito depois da segunda. Sim, se nãohouvesse essa tão preciosa esperança, eu sucumbiria logo no começo da semana.

Bem, tudo isso acontece comigo as segundas-feiras. Talvezcom você seja em outro dia... Talvez você nem passe por nada disso, talveztenha chegado a um nível bem acima do meu, a um platô que almejo, quem sabe, umdia chegar... É que eu sou ser rasteiro, simplório, fragmentado. Queria mesmo era ser como o Drummond: “ser feliz sem motivo é a maisautêntica forma de felicidade.”. Mas, fazer o quê?

Obrigado, Senhor, pelas segundas-feiras! Obrigado por meacolher todos os dias da minha vida, sobretudo nestes em especial. Obrigado portornar tudo possível, até eu mesmo viável, e pela Tua Graça que acolhe oscaídos da existência, gente como eu, ou, quem sabe, gente como a gente...

Escrevi isso por que queria que você soubesse como me sinto,Senhor. Já que citei acima um profeta, terminarei, então, com um poeta:“bendito quem inventou o belo truque do calendário, pois o bom dasegunda-feira, do dia 1º do mês e de cada ano novo é que nos dão a impressão deque a vida não continua, mas apenas recomeça...”. Mário Quintana.

Boasegunda-feira para você!


Carlos Moreira

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