sexta-feira, 23 de março de 2012

Modismos

Modismos: * Araripe Gurgel












E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. (1CO 12:28). Mas faça-se tudo decentemente e com ordem. (1CO 14:40)






Meditando nesses versículos, podemos entender por que há tanto desacerto e tanta incoerência em boa parte do comportamento e das ações de muitos “líderes” atuantes hoje no meio dito evangélico.






São lobos espertalhões travestidos de líderes, que se aproveitam da forma como o sistema “funciona” e do modo como está organizado. São profissionais eclesiásticos que buscam primeiro e antes de qualquer coisa, seu próprio bem-estar e interesses pessoais, camuflados em discursos, como quem busca, propaga, defende e vive o Reino de Deus.






Querem tomar conta de tudo e organizam suas panelinhas também chamadas de “convenções”. São líderes que combatem qualquer coisa ou pessoa que possa colocar em risco a sua “liderança”.






Alardeiam toda novidade que aparece na praça, vão atrás de qualquer estratégia evangelística que esteja “dando certo”. Imitam e copiam descaradamente todo tipo de evento que dê retorno financeiro e atraia mais pessoas para sua "liderança". Chamam de “mover de Deus”, qualquer coisa que promovam.






É incrível como muitas pessoas, quando se tornam crentes, abrem mão da capacidade de pensar e se deixam ser manipulados.






Nesse contexto de “liderança”, qualquer pensamento que tenham... "o Espírito Santo me falou". Qualquer coisa que estejam querendo fazer... "Deus me mandou". Qualquer palavra que falam... "eu profetizo". E quando pensam alguma coisa sobre alguém?... tome “revelamento”... tome “profetada”.






Fazem questão de “se mostrar”... não podem pegar um microfone que começam a falar em línguas na frente de todo mundo, como que dizendo: vê como eu sou cheio?






Mas a Bíblia diz que: "...e, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois ou, quando muito, três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus." (1 CO 14:27,28).






Alguns pregadores (chamados avivalistas) usam e abusam das técnicas de manipulação de massas; gritam exageradamente durante muito tempo, até conseguir influir no emocional das pessoas; alteram velocidade do discurso, o tom de voz, etc... e enquanto não estiver todo mundo gritando, chorando, numa catarse coletiva, não sossegam, e depois dizem:"viu o que o Espírito fez?"






O Espírito Santo pode agir e fazer o que quiser, do jeito que quiser e manifestar-se das mais variadas formas. Ele é Deus, Ele é Soberano. Não estamos questionando o que o Espírito Santo faz, nem o jeito com que Ele faz. Só não podemos aceitar certas práticas dominantes, principalmente entre os pentecostais e neopentecostais, onde há como que uma necessidade urgente de demonstração externa de “poder”.






E tem muita gente que fica dependente desse tipo de “mover” e quando não estão “carregados” começam a ficar com medo de “estar perdendo a salvação”, a pensar que entristeceram o Espírito Santo e precisam rapidamente procurar algum retiro, convenção, encontro ou congresso onde possam “recarregar” a alma e voltarem cheios do Espírito Santo.






Cremos plenamente na atuação do Espírito Santo, cremos inclusive que o Espírito Santo pode se manifestar de maneira suave, tranqüila... enchendo-nos a alma de paz e levando-nos


a um quebrantamento profundo. Só não podemos aceitar “pentecostes fabricados” e provocados por profissionais do púlpito.






Está escrito na Palavra: "Por gente de outras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor". De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.






"Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão, porventura, que estais loucos?" (1CO 14:21-23).






É preciso ter cuidado com esse tipo de prática. É preciso ordem no culto. É preciso entender que o espírito do profeta está sujeito ao profeta e não se deixar levar pelas emoções e muito menos tentar manipular o sentimento dos outros.






É preciso cuidar para não escandalizar as pessoas que visitam as igrejas e chegam sedentas de Deus, mas acabam indo embora assustadas com o que viram, e pior, “não querendo aquilo”.






E essa necessidade de amedrontar as ovelhas para mantê-las sob controle? Parece aquela história do pão e circo. Ensina-se apenas o básico e não se dá alimento verdadeiramente sólido ao rebanho.






“Criam-se” “doutrinas”, regulamentos e regras que visam, antes de qualquer coisa, manter as rédeas curtas. Por que insistem tanto em tantas proibições e imposições humanas, baseadas em usos e costumes, a maioria delas sem nenhum embasamento bíblico?






Tais “pastores” manteem o rebanho o tempo todo envolvido com novidades, usos e costumes, de tal forma que não sobra tempo para cuidar do espírito, não crescem, ficando eternamente na dependência do “pastor”.






Não aprendem a exercer o seu direito de cidadãos do céu, não são ensinados a orar pelos enfermos ou por suas próprias enfermidades ("tem que chamar o pastor").. Morrem de medo de demônios, aprendem todas as regras, cumprem o que conseguem, mas são cristãos sem plenitude, dependentes, raquíticos espiritualmente.






Graças a Deus que, por outro lado, o Espírito Santo está fazendo cair as máscaras de tais “crentes” e provocando um verdadeiro mover entre aqueles que verdadeiramente teem sede de Deus.






Isso está provocando algumas reações contrárias, provocando antagonismos. Sabe por quê? Porque quem busca a face de Deus, encontra. Quem tem sede, é saciado. E quanto mais íntimo de Deus, quanto mais dependente dEle você for, menos você vai depender dos homens com suas regras e regulamentos.






Deus está levantando uma geração capaz de se derramar diante dEle, sem a necessidade de se submeter a normas e rituais preestabelecidos, geração que quebra essas regras e se entrega verdadeiramente à adoração sincera, com a alma, sem necessidade de manipulação.






Ovelhas precisam ser conduzidas, é verdade. Mas precisam ser conduzidas pelos pastores, ao Pastor por excelência, Jesus Cristo. O Evangelho é simples e é essa simplicidade que precisa voltar. Deus está perto.






É preciso aprender “chegar-se a Ele e Ele se chegará”... Ovelhas são ovelhas. Pastores são pastores. Todos são irmãos. Ë isso que precisa ser estabelecido. Relação entre irmãos.






São as complicações que o homem colocou no Evangelho... as deturpações que o homem fez na verdadeira doutrina, que dão margem a tantas modas e modismos que existem por aí.






É por isso que existem tantas ovelhas “perdidas” dentro da casa do Pai. "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo." (2CO 11:3)






Procure crescer no conhecimento da Palavra, procure conhecer a verdade e a verdade o libertará (Jo. 8.32). Medite nisso...






* Pastor na Igreja Cristã da Trindade

http://www.ictrindade.com.br/
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