sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ainda resta um fio de esperança


Ainda resta um fio de esperança


O que fazer quando aesperança se esvai? Esta será a indagação básica de muitas almas aflitas eesgotadas, principalmente após a folia de Momo, quando os excessos de todo tipocobrarem o seu implacável preço.

O escritor John Castleberry conta o que aconteceu com umdesalentado homem, que buscou todos os tipos de prazeres em inúmeros Pubslondrinos, mas que, por fim, cansado e exaurido, dirigiu-se a uma elevada torrea fim de suicidar-se. Contudo, um pouco antes, deteve-se em uma praça paraobservar uma exposição de quadros de pintores célebres.

A atenção daquele homem foiprovidencialmente despertada para o famoso quadro do pintor Watt, denominado “Aesperança”, que mostrava uma jovem com os olhos vendados sentada numa esferaescura, que representava o universo, a dedilhar uma harpa que continha apenasuma corda inteira, ou seja, “um fio de esperança”; as demais tinhamarrebentado. Tal observação foi suficiente para que ele refletisse que aindalhe restava um lar e um inocente filhinho por quem lutar. Mudando de ideia ecom um novo ânimo de viver, sentia que agora tinha o seu fio de esperança.

Isso ilustra que toda pessoaprecisa de esperança, mesmo que seja “um fio”, senão entra fatalmente numaespiral de depressão e desespero. Principalmente num mundo marcado por encantosfúteis e desencantos escarnecedores, a esperança é um artigo não somentevalioso, mas também imprescindível.

Há desencantos de toda ordemna vida. Desencanto com a economia, quando esta é embalada pela buscadesenfreada do lucro, pela mais valia da especulação do capital, mas emdetrimento do valor do trabalhador e do seu trabalho. Desencanto com as artes,que em geral beiram a fronteira da loucura e se inspiram na fonte dafutilidade. Desencanto com o mau uso da ciência, quando é transformada nogrande vilão da deterioração ambiental. Desencanto com as lideranças,principalmente a política, com suas infindáveis e não cumpridas promessas.Desencanto com a religião, quando não oferece respostas e, em vez disso, geraescândalos e guerras. Enfim, sobra o desencanto com a própria vida, pelainexistência de um fio de esperança.

Há pessoas com problemasantigos, alguns peculiarmente difíceis; outros têm sido enganados no tocanteaos seus verdadeiros problemas, gastando a poupança de uma vida toda erecebendo em troca apenas paliativos.

Alguns tiveram a esperançarepetidamente despedaçada, vivendo assaltados pelo medo; porque tentaram efalharam, vivem deprimidos e derrotados. Outros desistiram de tentar,acalentando tendências suicidas, pois sofreram experiências abaladoras edeixaram de crer na possibilidade da esperança.

Mas de que esperançaprecisamos e o que devemos fazer para obtê-la? Ou será que existe algum fio deesperança, algo no qual possamos colocar a nossa confiança?

A esperança de que precisamostem que abranger uma dimensão que não somente aponte soluções para o futuro,mas também apresente respostas à vida presente. Por isso ela não deve encerraro sentido de incerteza que se aderiu ao nosso vocábulo português, quandodizemos cautelosamente: “Espero que assim seja”.

Esperança, no conceitobíblico, não tem esse sentido, pois, ao contrário, sempre significa umaexpectação confiante. Quando Paulo escreveu a Tito acerca da “benditaesperança” do evangelho, por exemplo, ele o exortava a que dirigisse o olharpara adiante, para a “feliz expectativa” da “manifestação da glória do nossogrande Deus e Salvador Cristo Jesus” (Tt 2.13).

O apóstolo não embalava amenor ideia de incerteza no tocante a esse fato, mas falava com absolutaconvicção do poder de Jesus de mudar a nossa vida, perdoar os nossos pecados enos fazer participantes dessa mesma esperança.

O evangelho exibe uma dupla esperança: no futuro,vinculado ao retorno de Cristo, à ressurreição do corpo e ao aniquilamento dopecado, da dor e de todos os outros tipos de males do mundo. Isso inclui aesperança da perfeição final por causa da presença gloriosa de Cristo. Mas nãopromete que só comeremos do “bolo” quando esse tempo chegar; na verdade, podemoscomeçar a “cortar as fatias” aqui e agora.

Há a esperança de uma vidanova e abundante, agora mesmo, como disse Jesus: “Eu vim para que tenham vida ea tenham com abundância” (Jo 10.10). Uma vida plena metaforizada na imagem deuma fonte jorrando eternamente: “Aquele que beber da água que eu lhe der nuncamais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte ajorrar para a vida eterna” (Jo 4.14).

Quem beber das águasbarrentas do Carnaval e seus prazeres carnais jamais satisfará a sua sede desentido de vida. Porém, ainda resta um inquebrantável “fio de esperança”, eleestá em Jesus, que ama você, morreu e ressuscitou para lhe dar, aqui e agora, averdadeira alegria e a vida eterna.




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