quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O perigo de querer barganhar com Deus


O perigo de querer barganhar com Deus - LIÇÃO 08 da EBD

O assunto desta lição diz respeito a algumas distorções promovidas por falsos mestres no que diz respeito ao buscar as bênçãos de Deus e o seu poder. A Teologia da Prosperidade está fundamentada na relação de causa e efeito, isto é, na possibilidade do ser humano barganhar com Deus. Na aula de hoje, destacaremos essa impossibilidade, tendo em vista a graça de Deus, que desconstrói essa relação de troca. No início, mostraremos que a Bíblia, como Palavra de Deus, condena a barganha com Deus, em seguida, que esse tipo de ensinamento é perigoso por desconsiderar o favor imerecido de Deus.

O Jesus pregado pelos Teólogos da Prosperidade nada tem a ver com Aquele revelado nas Escrituras. Mais que isso, conforme revela Paulo aos coríntios, se trata de outro espírito e de outro evangelho (II Co. 11.1-4). A doutrina da barganha defendida por tais pregoeiros é perigosa porque põe em questão a manifestação escandalosa da graça de Deus através da cruz de Cristo (I Co. 2.14; 3.19). O relacionamento do crente com Deus, e com o próximo, se fundamenta não na misericórdia e na graça, mas na troca de favores, que nada tem a ver com o genuíno evangelho (I Co. 13). Abaixo um trecho do livro "Sem Barganhas com Deus":

"Hoje as pessoas se convertem à “igreja”, não a Cristo! É por esta razão que os conteúdos do Evangelho da Graça estão tão adulterados entre nós. E pior, não enxergamos nada disso, pois, à semelhança deles — os judeus, os fariseus, os cristãos judaizantes —, nossos sentidos também estão “embotados”.
A Graça é hoje a mais escandalosa de todas as mensagens cristãs! E é por esta razão que não se pode nem mesmo usar mais as “nomenclaturas” do Cristianismo a fim de definir o conteúdo das palavras do Evangelho, pois, quase todos os termos se revestiram de outras conotações e de outros conteúdos.
A terminologia já não serve mais, pois, seus conteúdos foram adulterados por um “outro evangelho”, que usa os termos de sempre, mas nega, na prática, seus conteúdos inegociáveis e eternos! Por exemplo, para Paulo, “lutar juntos pela fé evangélica” significava não fazer concessões que adulterassem os conteúdos do Evangelho da Graça de Deus!
Hoje, todavia, isto significa nos unirmos contra os que não nos aceitam como os “representantes” de Cristo na Terra!


Ora, neste sentido — com as conotações que a palavra “evangélico” carrega entre nós —, Paulo já não a usaria, pois, nossa prática relacional nega aquilo que ele entendia como evangelho; e nossos conteúdos falsificam ainda mais o significado original da mensagem à qual ele fazia referência.
Pior do que isto, entretanto, é saber que Paulo, por exemplo, não nos reconheceria como cristãos, mas como pagãos não convertidos ao Evangelho da Graça de Deus!

Por muito menos ele escreveu aos Gálatas e aos Coríntios temendo haver corrido em vão!
Mas, e se ele estivesse presente num ano eleitoral no Brasil? Se visse e soubesse de todas as negociações de almas-votos que são feitas em Nome de Jesus? Se visse “cristãos” curvados aos ídolos visíveis e invisíveis, cultuando imagens — que vão das de barro e gesso à imagem como reputação ou, marketeiramente, apenas como “imagem”? E se assistisse pela televisão à venda de todos os significados cristãos na forma de crença em objetos de energia espiritual pagã? E se visitasse uma “igreja” e visse as filas de pessoas para andarem sobre sal grosso, ou para mergulharem em águas tonificadas do Jordão e a passarem pela Cruz de Jesus — que nesse caso é iluminada com neon e não passa de um tapume religioso extremamente brega — a fim de ganharem um carro zero, como pagamento pela sua crença? E se ele soubesse agora que a fé é um sacrifício que se expressa como dízimos, como troca de bênçãos por dinheiro, de cura pelo sacrifício de longas novenas e correntes, que só não são “quebradas” se a pessoa não deixar de largar sempre algum dinheiro no altar-bolso dos pastores?


O que enojaria a Paulo, todavia, seria ver pastores oferecendo o “sangue do Cordeiro” - e que é um suco de uva — e, segundo o anúncio, a pessoa deve ir ao templo e levar para casa o “sangue do Cordeiro” a fim de ungir a casa de trás para frente e da frente para trás. Desse modo, estão voltando para muito menos que as materialidades da imolação do sangue de um cordeiro — ordenada por Deus no Êxodo — indo para um poderoso suco de uva. E o suco de uva, que é menos que o sangue de um cordeiro na simbolização do Êxodo — período usado pela seita para amparar biblicamente a sua campanha de dinheiro —, é apresentado como “o Sangue do Cordeiro”, que não é mais o que Jesus fez na Cruz e é apropriado pela fé na Palavra, mas passou a ser um fetiche, uma pedra de toque, uma imantação animista da uva, uma regressão ao paganismo mais primitivo, uma mágica de bruxos, uma blasfêmia, um estelionato satânico de uma verdade com a qual não se brinca impunemente: “Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, tem a vida eterna...As palavras que vos tenho dito são espírito e são vida”— conforme o Cordeiro.

Fazer o que estão fazendo da santidade do sangue do Cordeiro, tornando-o num amuleto de infusão animista e de interesse cambista, e que se materializa num suco de uva que carrega em si o poder de benzer uma casa e protegê-la de todo mal, é insuportável, enojante, blasfemo e é Anátema!
Paulo vomitaria! E Jesus?
O escritor de Hebreus diria que estão brincando com fogo ardente e consumidor e crucificando o Filho de Deus não apenas uma segunda vez, mas todos os dias — fazendo Dele um produto de barganha, mágica e fetichismo, e que leva as pessoas não a Jesus, mas sim à “sessão”, pois, também segundo os mesmos “pastores”, Deus só fala no lugar onde eles, os pastores, estão com a sacola na mão!

Pelo amor de Deus! Leia toda a epístola aos Hebreus, de ponta a ponta, de uma única vez, e, honestamente, responda se o que acabo de dizer acima é muito menos do que a epístola fala! Aqui devo dizer que o que vejo em volta é exatamente o que está dito em Hebreus 6: 1-8. Aquela é a advertência!

E eles precisam que Deus se confine em seus templos, se imante nos seus sucos de uva — e outros produtos mágicos — e se deixe comprar pelo dinheiro depositado como sacrifício aos pés desses lobos que oferecem Jesus como “poder” que se leva para casa em “pacote”; Cristo como “produto simbólico” que pode ser o Pai das luzes, não conforme Tiago, mas conforme Alam Kardec; o Sangue do Cordeiro como suco de uva bom para “proteger a casa”; sim, assim fazendo do que foi feito por Jesus, de Graça, de uma vez e para sempre, algo a ser vendido pelos camelôs do engano e do estelionato!


Se Paulo nos visitasse que epístola nos escreveria? Será que não nos trataria como o fez com as “sinagogas” durante a sua vida?"

Fontes:

Pb. José Roberto A. Barbosa - www.subsidioebd.blogspot.com
FABIO, Caio. Sem barganhas com Deus. São Paulo: Fonte Editorial, 2005, pgs. 172 à 176.
Postar um comentário